Maria Fernanda

Quero brindar a arte, ao poeta, ao amor. Se fosse uma pintora, pintaria o sorriso do mundo em plena harmonia, a beleza das ondas do mar abraçando vivências, maestro de música delicada e forte, depende do jeito que se escuta. Olhar a grande tela da vida e constatar o surreal, que é essa beleza real que agraciados fomos em ter. Grito a liberdade de abrir mundos, lugares, pessoas, e nessa mesma liberdade brilha o sol, fica azul o céu e o mar. Esse oceano beleza que gera, que move, que traz e que leva. Me segura com seu jeito corajoso em teus braços, me pega de um jeito que a alegria se encaixe. Quero minha vontade de sentir essa audácia e jogar pra fora no teu ritmo, nas tuas asas, meu brinde. Obrigada a cada um que faz comigo a poesia mais linda desse mundo. A poesia da a m i z a d e! ♥ PS: Um brinde com suco de uva. ✿Maria Fernanda✿

o amor é um elo

quarta-feira, 26 de abril de 2017

O anjo



(Texto criado sábado, 26 de fevereiro de 2008)

Aquele que ela via na sua infância, não se perdeu, nem desviou o caminho quando ela não contava até dez.
Nas lembranças ela sentia a sua mão afagando sua face quando o frio da noite gelava a pontinha do seu nariz, ou quando a chuva molhava sua roupa e seu corpinho tremia de frio, ela sentia um abraço que esquentava sua alma, era ele, era ele!!!
O anjo era seu melhor companheiro, não importava as outras crianças rirem só porque ela falava sozinha, ela sabia que ele estava lá com seus cabelos encaracolados e sua roupa azul cor do céu, e aquelas asas que lhe fazia voltar para casa levando notícias da menina para Deus.








Um dia ela perguntou a seu amiguinho o que era um anjo da guarda.
Ele rapidamente lhe respondeu com as mãos suavemente em sua face: um mensageiro de Deus.
E Deus tem muitos mensageiros?
- Sim
E o que faz um mensageiro?
- Cuida.
Até quando?
- Até sempre!
Protege de tudo?
- Protege.
Então onde estão meus pais?
Fez uma carinha triste, depois passou a mão na cabeça da menina e lhe disse.
- Olhe para o céu, está vendo todas aquelas estrelas?
Estou.
- Deus as fez daquela forma para brilhar e iluminar a terra.
É?
- É.
- Quando você nasceu, ele te fez exatamente para o amor.
- Colocou no teu coração a certeza, a fé, a delicadeza, a verdade, a compaixão, a humildade.
E a pessoa que Deus cria assim, não tem pai e nem mãe?
- Alguns têm, outros não.
Por quê?
- Sabe o que é o livre arbítrio?
Sei, há dois caminhos, ser bom, ou mal.
- Exatamente!
Com tantas dificuldades você escolheu o melhor caminho, o do amor.
Mas eu não escolhi, ele já estava lá.
- Não, você semeou.
- Talvez tivesse sido diferente se tivesse uma cama quentinha, tudo fácil.
O que quer dizer tudo fácil?
- Aquilo que o homem mais procura, algo sem esforço algum.
Ah...
Porque eu te vejo e outras crianças não?
- Porque você acredita.
Então você sabe onde estão meus pais?
- Sei
Então vamos lá encontrar eles?
- Para tudo há seu tempo menina.
O que quer dizer isso?
- Que na hora certa você os encontrará.
E se eu crescer e eles não me conhecerem mais?
- Não se preocupe, o amor sempre acha o caminho.
- Por agora precisa dormir.
Tá, mas você vai ficar aí?
- Vou, sou seu anjo da guarda.
Então você é um guarda?
- Digamos que sim.
Mas os guardas da Terra têm armas.
- Mas os anjos também têm.
É?
- É.
Mostra-me?
O anjo então abriu os braços e a menina viu uma luz bem forte no seu coração.
O que é isso?
- Isso é amor.
- Esta arma desarma qualquer mal.
Então quero ter uma desta.
- Você já tem!
A menina sorriu e se aninhou nos braços do amiguinho.
Boa noite anjo.
-Boa noite menina!


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M. Fernanda





quinta-feira, 20 de abril de 2017

A flor





(Texto criado segunda-feira, 13 de setembro de 2010)
Imagem: Minha

Fiquei triste...
Era pra sentir alegria eu sei, mas fiquei triste.
Não entender o outro às vezes é um fator estranho.
Poderia ser diferente, se você compreendesse meus motivos, mas você não entenderia se dissesse. Talvez tivesse seu próprio conceito, ou julgamento.
Sempre gostei de escrever, entre outras coisas, gosto da companhia das palavras.

Quando ela falou na frente do Adriano:
“Está todo prosa com a Fernanda Adriano, sabe de onde ela veio? ”.
O que quis dizer que eu não entendi? Pedi licença ao moço e fui me afastando para outro banco. E como se não bastasse ela passou a mão na minha flor e a jogou no chão, dizendo que era ridículo usar aquilo no cabelo.

Seus olhos tinham uma coisa que não soube explicar,
mas me deu vontade de chorar e eu chorei.
Não foi pela frase que usou não.
Isso não me afeta, porque sei que lá embaixo na lama, ou nas calçadas, existem pessoas dignas que só não tiveram a oportunidade que você teve ou a dádiva de ter tido colo, esse que você não dá valor.

Eu vim de alguém que com certeza amou e amou muito, porque conseguiu gerar um ser que também ama independente de qualquer atitude do outro. Já te disse uma vez que estamos dividindo o mesmo espaço, com objetivos diferentes, o meu é aprender. O seu, me diga lá?

Mesmo assim a diferença não nos torna especiais, somos feitos da mesma imagem e semelhança de um Deus que é amor de todas as formas, portanto não há essa coisa de querer ser melhor ou pior.

Você e eu somos iguais para escolher onde devemos estar. Apenas nossas atitudes são diferentes.
A flor que uso nos cabelos é um elo que tenho com alguém especial para mim, não a uso para enfeite somente.

Mesmo assim ela enfeita porque é uma flor linda e merece destaque, por ser uma obra divina. Eu sei que o sorvete vai sair da minha blusa quando eu lavar, vou fazer isso quando chegar em casa. Sei também que você está zangada e não teve tempo para contar até dez, por isso atirou o sorvete em mim.

Cléo está tudo certo! Se a flor incomoda você, amanhã passo a vir sem ela, posso usá-la quando for para casa, mas acalme-se.
Como eu falei há pouco, chorei pelo fator amizade, hoje mesmo escrevi no Aleatoriamente, meu blog, sobre isso, e chego aqui, sou recebida com seus chiliques de menina mimada.

Você não vai atingir o seu objetivo, se é brigar o que quer. Não sou de brigas, nem nunca serei. Estou triste porque não queria que fizesse essas coisas, isso é tão feio e não nos acrescenta em nada.

Ela - “Teu lugar não é aqui”, frase doída, mas veio em minha direção como uma faca.
Tudo bem! Meu lugar não é aqui, mas permita que seja apenas esse ano. Ano que vem vou procurar outro que faça parte de mim.
Por agora eu preciso ficar.

Professor – Cléo deixa a Fernanda em paz!
O que acontece contigo é que, precisa trabalhar esse lado egoísta, o que te incomoda nela, não é que ela tenha vindo de onde veio, mas ela ser do jeito que é.

Bom... Eu nem vou escrever as coisas lindas que ele falou de mim, mas fiquei tão feliz de ouvir. Além dele, os outros amigos estavam fazendo um círculo, e me deixando no meio para minha proteção suponho, e eu assustadíssima!
O professor juntou minha flor do chão e recolocou no meu cabelo, a bichinha estava toda murchinha, mas voltou a colorir meus cabelos, e Cléo saiu da sala e foi embora.

Espero que amanhã ela esteja melhor. Espero que seu anjo da guarda a abrace bem forte para que ela possa sentir uma felicidade enorme e chegue sorrindo. Ela tem um sorriso tão bonito, deveria sorrir mais vezes.

Volto pra casa refletindo na frase dela.
“sabe de onde ela veio”?!
Ah Cléo, o que sei é que havia muitos obstáculos por onde eu passei até chegar aqui.
De onde eu vim eu não lembro, ainda assim me esforço um bocado, para sentir aquele rostinho parecido com o meu. Aquele afago que devo ter recebido antes de ser deixada onde vivi.
Depois...
Refleti melhor e percebi que: ao invés de triste eu deveria era estar dando pulos de alegria. Sabe por quê? Porque eu vim de Deus! E foi exatamente isso que falei no banco do ônibus em voz alta, e uma senhora que vinha do meu lado bateu palmas e disse é isso mesmo querida, você veio de Deus.

Desci no ponto e venho vindo para casa, quando ouço: Fernanda, tem empada!
Ah é?
É. E está quentinha, te esperando, junto com o cafezinho.
Ah seu Marcelo, muito obrigada!
Ele - Obrigada nada, dá aqui um beijo.
Dei um beijo nele e lá vem dona Joana, hei é só ele que ganha beijo é? Quem fez a empada e o café fui eu!

Ah tá bom, então vem cá, tasquei um beijo nela.
Então os dois me puseram no meio e ganhei dois beijos, inteirinhos só pra mim! rsrsrsr...
Tão bom esse carinho...
Amizade... Amizade... Amizade...
Existe... Existe... Existe!!!
Não estou mais triste



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Com leveza e segurança, caminha a sinceridade.
E o coração ditando todas as regras sem preconceitos.

(M.Fernanda)

sábado, 15 de abril de 2017

Base

 (Texto criado em um domingo, 22 de maio de 2011)
Imagem: Net


Numa canção eu sonhei longe.
E foi sonhando acordada que acarinhei a liberdade na medida exata.
É inaceitável uma criança ser alforriada de um orientador na vida.
Sem ter quem lhe ensine as estações,
Como afagar a vontade de merecer um pouquinho do normal, a qualquer bambino.

Como aprender, sem se machucar muitas vezes?
E se saber voltar para quem?
Muitas vezes sentava nas praças e via as mães chegarem com seus filhotes.
Algumas com eles num carrinho tão lindo, outras segurando na mão. Algumas crianças preferiam soltar-se e ir ao encontro do melhor brinquedo do parque.

Eu observava, lá num cantinho do banco, como um bichinho assustado.
Não com as pessoas, mas com o merecimento de não poder ir até lá brincar, eu não sabia se podia.
Para mim os brinquedos tinham donos, eram das crianças que tinham pais.
E pensava assim, por susto e falta de explicação.

Um dia eu estava brincando no escorrega e uma menininha, me mandou sair porque eu estava suja. Ainda tentei argumentar eu lembro, mas a sua babá me pegou na orelha e me fez descer. Xô menina, isso aqui não é pra você!
Sem jeito e com o ouvido doendo eu desci e fui sentar num cantinho do banco.
Então de lá eu via a menininha brincando com outras crianças, e vez em quando a moça lhe levava água, ou suco, não tenho certeza, mas era algo por certo muito bom de sorver, pois ela degustava bem devagar e passava a língua nos lábios.

De repente um menino vem até mim e me chama para brincar de bola, fico toda animada, então pulo do banco e me preparo para segurar a bola que ele me lança. A mãe dele tomou antes de chegar nas minhas mãos e disse a ele, “quer ser roubado?”
Se perder esta bola não te compro outra, não vê que essa menina é de rua? Eu até então não sabia que eu era uma menina de rua, sabia que era diferente, mais nunca havia pensado naquela forma.
Então afastei mais ainda e fiquei sentada perto da quadra de esportes, pensando.

O que é uma menina de rua?
Será que eu tenho alguma coisa ruim?
Então é por isso que ninguém me deixa brincar?
Será que é por isso que eu choro tanto?

Um senhor passa por mim e diz: menina quer ganhar um troco?
Eu - Não senhor.
Ele - Então não está com fome?
Eu - Sim estou.
Ele - E não quer ganhar um sanduíche?
Eu - É de comer?
Ele - Ri e diz, sim é de comer.
Eu - Então eu quero.
Ele - Então me ajuda a catar latinha aqui na praia e depois agente come tá?
Eu - Ta bem!

Então depois de muitas latinhas ele compra um pão cheio de coisas dentro, umas das coisas eu olhei e pedi para ele retirar de lá, era mortadela. Não como carne lhe disse.

Ele - Porquê?
Eu - Tem um anjo que é meu amigo, ele disse que eu não posso de maneira nenhuma comer carne de boi.
Ele - Ah, e esse anjo sabe onde é sua casa?
Eu - Sabe.
Ele - Onde?
Eu - Por enquanto na rua.
Ele - Você fugiu de casa?

Pausa...
Olhar no chão, medo de me levar de volta para o orfanato.

Eu - Ah senhor, esse negócio aqui ta tão bom!
Ele - Já sei menina, você deve ter fugido de casa, acertei?

Silêncio...

Ele - Escuta, qual é seu nome?
Eu - Fernanda.
Ele - Escuta Fernanda, seus pais devem estar muito preocupados contigo, melhor me dizer onde mora, e eu te levo para casa. Daqui a pouco vai estar escuro e é perigoso uma menininha assim feito você ficar sozinha na rua.
Eu - Não tenho pais.
Ele - Não pode ser, uma menina linda feito você, deve ter uma família.
Eu - Eu não tenho moço, agora preciso ir.
Ele - Não vá menina, quer ir comigo para casa?
Eu - Não senhor.
Ele - Então amanhã vá lá para onde te encontrei que te dou café da manhã.
Eu - Ta bom!

No outro dia lá estava eu, esperando o café da manhã.
Não demorou seu Olavo chega, era esse seu nome.
Então comi pão e café preto e fomos catar latinha.
Passamos próximo aos brinquedos e às crianças que estavam brincando.
Fiquei olhando os brinquedos.

Ele disse, vá menina brinque em um.
Eu - Não posso senhor, esses brinquedos não são para criança como eu.
Ele - Mas o que tem você de diferente?
Eu - Sou uma menina de rua. E eles têm medo de pegar isso.
Ele - Quem lhe disse isso Fernanda?
Eu - Uma moça ontem.
Ele - Escute aqui menina! Você tem o direito de brincar em qualquer um desses brinquedos, está entendendo?

Silêncio...

Ele - Olhe para mim, menina somos todos iguais perante Deus, não deixe ninguém lhe dizer o contrário. Você pode brincar em todas as praças que quiser, estes brinquedos não pertencem apenas às crianças com lares, pertencem por direito a todas as crianças.
Então vá lá que eu fico te olhando daqui, vá!

Eu - Senhor, eu prefiro quando todos estiverem ido embora.
Ele ficou observando e depois...
Ele - Está bem então.
Fomos ao trabalho e depois na volta brinquei bastante em todos os brinquedos.
Ele disse menina, me diga a verdade.
Ele - Onde é sua casa?
Eu - Já disse, é na rua.
Ele - Mas como alguém iria ter coragem de largar uma menina tão graciosa na rua?
Eu - Não largaram na rua senhor, foi num orfanato.
Ele - Ah!!!

Ele - Então você fugiu de lá não foi?
Eu - Sim.
Ele - Está bem agora vamos arrumar um lugar para se banhar e limpar esse rosto.
Eu - Eu já me banhei senhor.
Ele - Mas como menina, seu rosto está todo preto de sujo!
Eu - Não é sujo, é graxa.
Ele - Porque passou graxa no rosto?
Eu - O anjo mandou.
Ele - Que anjo é esse?
Eu - Esse que está aqui ó!
Ele - Para quê?
Eu - Para ficar protegida.
Ele - Bom, está bem.
Ele - Acho que vou precisar levar você comigo, para que não fique por aí sozinha.
Eu - Senhor não precisa, mas obrigada. Já vou amanhã eu volto para tomar café e catar latinha.
Ele - (Sorriu) Está bem menina, que Deus cuide de você.
Eu - Ele está cuidando, pode deixar.

Volto das lembranças e enxugo as lágrimas.
Não deixe meu Deus, uma criança sem lar, por favor!
Um lar é um castelo de príncipe ou princesa.
Onde os donos são o rei (pai) e uma rainha (mãe).
Um dia, irei ajudar com certeza nessa parte.
Vejo os filhos sem direções até tendo seus pais ao lado.
Alguns sem instruções e fazendo filhos sem a noção e base para educá-los.
Devia haver palestras nas praças, nas escolas, nas feiras, enfim precisamos dar base a quem não as tem.
Não gerem filhos por gerar.
Um filho é um presente divino, deve ser ensinado de maneira certa, deve ser amado e educado.
Escrevo e luto por essa causa, porque um dia quero que meus filhos saibam nos mínimos detalhes o que é o amor e sua base.


Maria Fernanda
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Obs: Casei-me aos 15 anos com um moço maravilhoso
adotamos três crianças logo que nos casamos.
Maria Clara, Jose e Manuela.
Logo depois fiquei gravida e tive trigêmeos Aischa, Kaleb e Kalil
Tenho 20 anos hoje e estou viúva a dois.
No entanto penso em adotar mais algumas crianças se Deus quiser.
Quem tem, reparte com aquele que não tem.
Semear amor é essencial.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

"Provisória...”

(Texto criado numa terça-feira, 12 de abril de 2011. Tinha 14 anos)



Provisória
Ela me disse num tom tão doloroso.
Quando lhe perguntei se deveria organizar aqueles arquivos.
Ela - Não garota, deixa isso bem  onde está, não se deu conta que isso é para ficar exatamente aí?
Eu - Está bem.
Ela - Pega um café. É bem assim que se devem fazer os subordinados,
o b e d e c e r. Logo acabará teu estágio e você vai tomar um rumo.
Conheço bem tipinhos como você, risonha e boboca.

Fiquei refletindo...
Provisória deveria ser a maldade e falta de carinho.
Prendi os cabelos e rumei aos meus afazeres, mas fiquei triste.
Em casa diante da folha em branco fui colorindo palavras, cada frase de uma cor, queria lambuzar com tonalidades ao redor. Queria espalhar o amor nas asas da brisa, e ela levasse a cada coração como um abraço fraternal.
No amor tudo é muito amplo e nada se interrompe se for verdadeiro e nobre.

“Lavar as mãos”.
Conhecia bem esta frase, Pilatos o fez, e depois dele muitos outros ainda fazem.
E deixam de abraçar uma causa justa.

Levo as mãos ao rosto, e enxugo, busco um livro, quero tirar a tristeza do peito, leio, mas fica ainda o aperto, volto a escrever, as palavras estão trêmulas.
Gabriel Garcia Marquez me deixa aquela frase em neon, na primeira mirada no livro.
“A sabedoria é algo que quando nos bate à porta já não nos serve para nada.”
E ele que me desculpe, mas penso diferente.
Nunca é tarde para aprender a ser sábio, porque passamos nossa vida inteira aprendendo, até o último instante.

Minha mãe entra no quarto e percebe minha tristeza, mas ela me diz que já vai passar.
-Quer conversar filha?
Se não conseguir entender mesmo, te falo mãe.
Olha dentro dos meus olhos meu anjo, o que você vê, quando afago teu cabelos, quando te abraço, quando sento ao teu lado e tento arrancar um sorriso do teu rosto?
AMOR mãezinha.

Então deixe a tristeza de lado e escreva essa frase bem grande nos seus escritos, e quando quiser ficar triste outra vez, lembre-se: Alguém muito especial e poderoso abriu uma portinha dentro do teu caminho, e colocou uma família apaixonada por você, que te ama, que te admira e te quer muito, muito bem.
É verdade mãe, cada vez que te olho eu vejo uma beleza que brilha mais que o sol.
E sabe o que a mamãe vê quando te olha? Vejo uma mocinha corajosa e que tem um sentimento muito intenso, cheio de carinho e amor.
Por isso queria que esquecesse o que quer que tenha acontecido hoje, que não valeu à pena, e no lugar deixe a palavra AMOR, está bem?

Mãe?
Eu não sou provisória para vocês não é?
Não meu amor, você é CONSECUTIVAMENTE.
Às vezes filha, experiência é algo além de se viver mais, é algo que você tocou com todo o seu entendimento.
Sei que você irá saber tirar do seu coração, essa dor que te causaram, com o mesmo sentimento que te move desde que você nasceu.
E quando quiser falar desse assunto, a mãe estará na sala.

Está bem mãe.
Olhei o céu, um céu bonito, e certo.
Criado por alguém tão perfeito e bom.
O que faria Deus?

Senti vontade de sorrir, porque entrou no quarto um aviãozinho de papel, com uma formiguinha de carona nele. Rsss.
Mana, deixa eu pegar meu avião?
Claro piloto, eu pego para ti.
E essa passageira aí?
Ah é a Fani.
Então não consegui segurar a gargalhada.
Maninho que tal deixar a Fani ir para casa dela, antes que ela se machuque nesse vôo?
Acho que os irmãozinhos dela estão esperando.

Ah eu não sei onde é a casa dela não, ela estava lá na entrada de casa.
-Então vamos descer e deixar ela no jardim?
De lá ela acha o caminho de casa, certo?

Certo.

Na subida, com aquela alegria dele e a minha por ele,
Fiquei pensando.
Enigmático é tudo que você faz por sinal.
Se o outro te fere e você revida, se iguala a ele.
Os motivos de ele te ferir são apenas dele, não chore por você, mas por ele que ainda não compreendeu que ser feliz é apenas um palmo de cada ato bom.

Sentei ao lado da minha mãezinha e fiquei abraçadinha por um bom tempo.
Resolveu seu problema filha?
Sim mãe, não era problema, era solução.

(Criticar alguém é um ato a se pensar bastante,
 porque a porção do envolvimento do outro nisto pode ser o coração. Seja prudente).



M. Fernanda
Imagem: Net
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quinta-feira, 6 de abril de 2017

✿ Helena✿


(Esse texto foi feito por mim numa quarta-feira, 25 de abril de 2012
Conta um pouco de mim e minha história.)

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Mãe, hoje conheci alguém que lembrou a mim, quando tinha sua idade. Uma menina corajosa, ela se chama Liana. Ela estava sentada no meio-fio de uma escola, cabeça baixa e pé descalço. Eu ia passar, mas quando a vi, decidi ficar parada num cantinho observando. Ela levou as mãos para o rosto, enxugou as lágrimas e depois coçou os dois olhinhos, levantou e se aproximou de uma senhora que segurou a bolsa assim que a garota falou com ela.

Num sinal negativo continuou caminhando, a menina novamente sentou.
Caminhei até ela e lhe dei boa tarde. Ela ficou me olhando e depois sorriu timidamente. Afaguei sua cabeça e perguntei o que uma mocinha tão bonita fazia ali, sentada no meio da rua.

Ela me disse estar com fome. Perguntei se ela queria um sanduíche bem recheado, e os olhos e a boca sorriram diante da proposta. Fomos até a lanchonete à frente, e logo ela saboreava o lanche, com gosto. Ela é catadora de lixo, e estava esperando a avó que fora buscar algumas garrafas de pet numa residência. Estava sem café da manhã e almoço.
Fiquei refletindo enquanto a olhava, e lembrei de mim lá atrás quando vivia nas ruas.

Liana me disse o seu nome e perguntou o meu, achou meu nome muito bonito e nós duas ficamos ali uma elogiando a outra rsrsr. Cada elogio meu, ela vinha com outro em seguida para mim, que gracinha. Deixei-a com sua avó que chegara, e fui para o ponto de ônibus.

Sabe mãe? Como será que você é? Será que usa óculos, ou o cabelo preso? Será que gosta de flores, ou de banhos na chuva? Eu sonhei tanto com você... Eu acho que quando penso em ti, você sente. Quando eu era menor, eu me abraçava e imaginava os seus braços em volta de mim, eu sentia você me abraçar e dizer: “filha eu sinto muito”.

Mas a chuva caia e o sol brilhava, a noite chegava e o dia nascia. Céu e mar se uniam para acalentar um coraçãozinho ferido. Aquela menina continuava sozinha a cuidar de si.

Eu fiz uma lata de skol de boneca, ela era a minha filhinha, eu a carregava para a beira do mar, para lhe contar contos que eu quis ouvir, e fazê-la dormir. Batizei-lhe de Helena o nome que é teu. Helena dormia em meu colo, para abrigá-la do frio imaginava uma menina feliz em meus braços e protegida.

Dava a ela o que eu queria ter. As noites eram longas na maioria das vezes. Numa noite um menino chutou Helena para dentro do mar, enquanto eu procurava um papelão para fazer de cama para nós. Eu não consegui tirá-la de lá, porque ele a havia enchido de areia molhada antes de fazer seu procedimento.

Naquela noite eu muito chorei, parecia que o mundo estava desabado por dentro de mim, me senti sozinha, cansada, jogada, um lixo. Mas um senhor que estava assando um peixe numa barraca, me ofereceu um pouco, e se importou com minhas lágrimas. A ele eu contei sobre Helena e o que o menino fizera.

Ele me disse que: o céu durante o dia é azul, mas muitas vezes ele muda de cor, as nuvens guardam vários desenhos, basta olhar e admirar. E Deus, aquele que sabe todas as coisas, um dia iria me mandar a mais linda boneca, e eu iria saber amar e cuidar com meu coração.

Eu lhe respondi, mas vai demorar? Ele disse: no tempo certo. Nunca ganhei a tal boneca, mas me alegrava em lembrar suas palavras.
Fui crescendo e muitas coisas aconteceram, algumas tristes, outras alegres, mas com elas fui aprendendo a viver dentro do amor. Vejo-me uma pessoa bem simples, mas carrego comigo a confiança, fé, coragem, e igualdade.

Logo estará chegando o dia das mães, eu já tenho uma maravilhosa mamãe sabe? Mas não poderia deixar de escrever também para você. Sou muito grata por ter permitido que eu nascesse, abaixo de Deus, e não ter me jogado em um bueiro e nem na lixeira.

Pelas conversas que tivemos, mesmo que dentro da minha imaginação, elas me ajudaram muito. Eu me aqueci dentro delas com paciência, e era a filha desejada para ti. Também eu podia voltar para casa, sonhar era mais fácil e eu sonhei e sonhei...

Saiba: Deus e você sempre foram o abastecimento para me fazer seguir à diante. Meu coração vivia lançado ao amor em cada segundo. E a tristeza passava quando eu via uma criança sendo afagada, eu pensava que eu também podia sentir aquela honra, mesmo não sendo em mim.

Mãe, um dia eu esqueci o meu nome, porque passei muita fome e fiquei doente. O médico disse que estava em estado de choque. Mas a memória não falhou quando eu ouvi a palavra mágica “filha”. É que eu queria tanto ser filha. Eu te esperei, te procurei... No orfanato, você não voltou, nem no “meu” banco de praça você não sentou, e na minha porta você não bateu. Mas não se preocupe, há alguns sonhos que não se realizam, e esse eu apenas aprendi a sonhar, sabia que seria impossível realizar.

Neste momento olho para o céu e peço para que cuide e proteja você. Minha mãe Cris sempre ora por ti também, ela é doce e terna, e ama muito a Deus. Desculpa mãe se às vezes eu sinto que você está triste e que lembra de mim, sinto muito por não termos ficado juntas. Mas eu sempre vou ser parte de você e você de mim. Pacientemente eu vou continuar te amando. Te amo muito mamãe.

Queria te dizer também que abriguei dentro do meu coração um moço lindo. A essência de um menino, num coração de um homem. Só o amor é capaz de dividir-se assim. Felipe vem se distendendo por mim e eu sei disso. Ele meu príncipe, caminha agora comigo na mesma estrada, é um presente dos céus, é amor eterno.
Meu amor, obrigada por cuidar de mim tão bem!
Mãe até um dia.

M. Fernanda
Imagem: Net
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PS: desculpa a demora nas visitas gente
ando atarefada com mestrado entre outras.😊