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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

09 julho, 2026

Quando vamos voltar a Sentar à Mesa?

Aleatoriamente um toque de poesia
Crônica



Às vezes, penso que o mundo não precisa apenas de mais tecnologia. Precisa de mais humildade.
Vejo países que avançaram em tantas áreas e me pergunto se o verdadeiro progresso não começa quando uma pessoa olha para a outra com respeito. Não é apenas construir  hospitais, escolas estradas. É também construir confiança. É fazer com que um cidadão entre em um hospital e seja acolhido antes mesmo de ser medicado. É chegar a um banco, a uma repartição pública ou a qualquer lugar e encontrar um sorriso que diga: “Você é importante.”

Pagamos impostos, cumprimos deveres, enfrentamos filas e seguimos em frente. Mas o que, muitas vezes, falta não custa dinheiro. Chama-se gentileza. Chama-se escuta. Chama-se dignidade.
Vivemos uma epidemia de ansiedade. Não porque as pessoas tenham desaprendido a falar, mas porque quase ninguém tem tempo para ouvir. Todos têm pressa de responder, de julgar, de correr. Poucos se sentam para perguntar: “Como você realmente está?”

Talvez seja por isso que tantos corações estejam cansados. O ser humano não vive apenas de alimento ou de trabalho. Vive de pertencimento. Vive da sensação de que sua dor foi percebida, de que sua alegria foi compartilhada e de que sua existência faz diferença.

Sonho com um Brasil onde o poder seja sinônimo de serviço. Onde a humildade caminhe ao lado da responsabilidade. Onde promessas se transformem em compromisso e onde o bem comum esteja acima dos interesses individuais. Mas esse sonho não começa apenas nos gabinetes. Ele começa dentro de casa, quando desligamos o celular para conversar com quem amamos. Começa na escola, quando uma criança aprende que respeito vale mais do que qualquer troféu. Começa no trabalho, quando escolhemos tratar um colega com educação. Começa no trânsito, no mercado, na recepção de um consultório, no olhar que oferecemos a um desconhecido.

A mudança que tanto esperamos para um país também precisa nascer dentro de cada um de nós.
Porque uma nação é o reflexo das pessoas que a constroem todos os dias.
Ainda acredito que o Brasil pode ser um lugar onde a coragem caminhe ao lado da honestidade, onde a verdade não tenha medo de aparecer, onde a dedicação seja reconhecida e onde o amparo alcance quem mais precisa.

E talvez o primeiro passo seja o mais simples de todos: reaprender a enxergar o outro como um semelhante. Quem sabe, quando isso acontecer, a ansiedade encontre menos espaço, o egoísmo perca força e a esperança volte a morar entre nós. Afinal, nenhum país se torna grande apenas pelo tamanho de suas cidades ou pela força de sua economia. Um país se torna verdadeiramente grande quando o coração do seu povo nunca deixa de acreditar que a bondade ainda pode transformar o mundo.

Acredito que a bondade não pode ser uma exceção. Ela precisa voltar a ser a regra.
Não basta que meia dúzia de pessoas escolham fazer o bem. A bondade precisa frutificar. Precisa ser plantada nas famílias, regada nas escolas e cultivada todos os dias, porque é ela que sustenta uma sociedade quando tudo parece desmoronar. Os nossos filhos são o futuro deste país. E eles aprendem muito mais com aquilo que fazemos do que com aquilo que dizemos. Tudo começa dentro de casa.
Começa quando uma criança chega chorando porque alguém a machucou. Quantas vezes ela escuta: “Vá lá e faça o mesmo.” Mas será que é assim que construímos um mundo melhor? A violência nunca ensinou ninguém a amar. O ódio nunca foi capaz de produzir paz.

Ensinar uma criança a ser firme não é ensinar a ferir. É ensinar a defender seus valores sem perder a essência. O exemplo sempre educará mais do que qualquer discurso.
Não sonho com um mundo perfeito. Não espero um país de contos de fadas, onde não existam dificuldades. O que desejo é um Brasil que se lembre da sua própria pátria.

Este é um país rico em natureza, em cultura, em diversidade e, principalmente, em gente. Quando o brasileiro decide acolher, ele acolhe de verdade. Quando estende a mão, faz isso com o coração inteiro. Poucos povos recebem um desconhecido com tanta facilidade, sorriem com tanta espontaneidade ou transformam uma simples conversa em um gesto de amizade.

Talvez o nosso coração apenas esteja cansado. Cansado de tantas promessas não cumpridas. Cansado da desconfiança. Cansado de acreditar e depois se decepcionar. Mas um coração cansado não é um coração perdido. Ele apenas precisa voltar a encontrar motivos para acreditar. E essa mudança não nascerá apenas das grandes decisões. Ela nascerá quando cada um de nós escolher viver valores que nunca deveriam ter saído de moda: a honestidade, a verdade, o respeito, a compaixão, o perdão e o amor ao próximo.

Jesus não ensinou um caminho de vingança. Ensinou um caminho de serviço, de misericórdia e de amor. Esses ensinamentos continuam atuais porque falam daquilo que nunca envelhece: a capacidade de cuidar uns dos outros.

Talvez seja esse o Brasil que ainda mora dentro de nós.
Um Brasil que não desiste das pessoas. Um Brasil que acredita que a verdadeira riqueza de uma nação não está apenas naquilo que ela produz, mas na forma como trata cada pessoa.
E tenho esperança de que esse Brasil ainda existe. Talvez esteja apenas esperando que cada um de nós faça a sua parte, para que a bondade deixe de ser uma raridade e volte a ser a linguagem mais bonita do nosso povo.


Fernanda

07 julho, 2026

É ela

Aleatoriamente um toque de poesia


A esperança é a primeira a acordar e a última a dormir. 
Ela desperta antes do sol, quando ainda há silêncio na casa e dúvidas no coração. 
Enquanto o medo boceja, a esperança já está de pé, preparando o café e abrindo as janelas para que a luz entre. É ela quem nos convence a tentar outra vez. A enviar uma nova mensagem, recomeçar um projeto, pedir perdão, plantar uma semente ou simplesmente levantar da cama em um dia difícil.

Durante o dia, a esperança anda conosco. Às vezes vai em silêncio, mas nunca nos abandona. Ela conhece os atalhos da fé e sabe que nem toda demora é um fracasso, nem todo “não” é um ponto final.

Quando a noite chega e o cansaço parece vencer, ela ainda permanece acordada. Recolhe nossos pedaços, cobre nossos medos com um cobertor de confiança e sussurra: “Amanhã é outro dia.”
Só então ela adormece. Porque a esperança é assim: a primeira a acordar e a última a dormir. É ela quem insiste em acreditar quando todos os argumentos dizem para desistir. E, muitas vezes, é justamente essa insistência que transforma o impossível em um novo começo.

Fernanda

03 julho, 2026

Como você está?

Aleatoriamente um toque de poesia



Antes de responder, vale a pena fechar os olhos por um instante e procurar enxergar a si mesmo por dentro. Não a imagem refletida quando está escovando os dentes, ou cuidando dos cabelos, nem a versão apresentada ao mundo, mas aquela que mora ai dentro da consciência.

Pode parecer uma pergunta simples né? Quase sempre a resposta é automática: “Estou bem.” Mas será que essa resposta nasce da sinceridade ou apenas do hábito? Em tempos em que todos correm, produzem, sorriem para uma fotografia perfeita e escondem as próprias tempestades. Percebo que tornou-se comum vestir uma aparente tranquilidade enquanto o coração pede socorro, a ansiedade senta ao lado, os olhos marejam por qualquer coisa.

O ser humano aprendeu muito bem  a cuidar de compromissos, de prazos e de expectativas, mas tem se esquecido de cuidar de si. Há quem conheça todos os caminhos da cidade, mas já não encontre o caminho de volta para a própria essência. Há quem converse com centenas de pessoas ao longo do dia, mas passe semanas sem ouvir a sua própria voz.

Talvez o maior desafio dos dias atuais não seja vencer o mundo, mas vencer a distância que cada um criou entre quem realmente é e quem acredita precisar parecer. E essa distância pesa. Ela rouba o entusiasmo, esvazia os afetos e transforma a vida em uma sucessão de dias cumpridos, mas não vividos.

Olhar para dentro exige coragem. É nesse encontro que aparecem as dores escondidas, os sonhos esquecidos e também a esperança que insiste em sobreviver. Só quem tem a humildade de reconhecer as próprias fragilidades descobre a força necessária para recomeçar.

Aprendi, que a vida não pede perfeição. Pede presença. Pede verdade. Pede que cada pessoa reserve alguns minutos para cuidar daquilo que ninguém vê, mas que sustenta tudo o que se vê: o coração.

Porque, no fim das contas, não é a resposta dada aos outros que transforma uma vida, mas a resposta sincera que cada um encontra quando está sozinho consigo mesmo.

E, agora, depois de ler até aqui, a pergunta continua a mesma, mas talvez tenha um significado diferente:

Como você está? Feche os olhos novamente e me responda com toda sinceridade.


Fernanda

27 junho, 2026

Quem merece viver? Quem merece morrer?

Aleatoriamente um toque de poesia


Há perguntas que transpõem os séculos porque jamais encontram uma resposta definitiva. Uma delas é esta: quem pode dizer quem merece viver? E quem tem autoridade para afirmar quem merece morrer?

Às vezes olhamos para alguém que espalha dor e pensamos que o mundo seria melhor sem sua existência. Em outras ocasiões, vemos partir pessoas generosas, cheias de sonhos, e sentimos que a morte escolheu a pessoa errada.

Mas a vida não se curva aos nossos julgamentos. Ela continua lembrando que cada ser humano é maior do que o pior erro que cometeu e mais frágil do que imaginamos. Há quem desperdice oportunidades e, ainda assim, encontre forças para recomeçar. Há quem faça do pouco tempo que teve uma eternidade de amor.

Talvez o verdadeiro desafio não seja decidir quem merece viver ou morrer, mas perguntar o que estamos fazendo com o tempo que nos foi confiado. A existência não é um prêmio para os perfeitos nem um castigo para os imperfeitos. É uma oportunidade.

Enquanto discutimos quem deveria permanecer, os dias passam. E a vida, nos recorda que o tempo é o bem mais precioso que possuímos. Não sabemos quanto teremos, mas sabemos que cada instante pode transformar um coração, restaurar uma história ou mudar um destino.

Antes de julgar a vida do outro, vale a pena cuidar da nossa. Porque, no fim, a pergunta mais importante talvez não seja quem merece viver, mas se estamos vivendo de um modo que faça cada dia realmente valer a pena.

Talvez seja justamente essa a ilusão que mais alimenta a arrogância humana: acreditar que conseguimos medir o valor de uma vida. Julgamos por um instante, por uma escolha, por uma queda. Esquecemos que ninguém é apenas o capítulo que estamos vendo.

Quantas pessoas hoje carregam um passado que faria qualquer um desistir delas? E, no entanto, foram exatamente essas pessoas que aprenderam a amar com mais profundidade, a estender a mão sem perguntar quem era digno de recebê-la. A dor, às vezes, transforma mais do que a perfeição.

Também acontece o contrário. Há quem tenha recebido tudo e, ainda assim, viva como se nunca tivesse compreendido o privilégio de respirar mais um amanhecer. Viver não é apenas manter o coração batendo. É permitir que a alma desperte.

A morte, por sua vez, não pergunta se alguém terminou seus planos. Ela interrompe conversas, deixa mesas vazias, cala risos e leva embora abraços que imaginávamos eternos. É por isso que a saudade dói tanto: porque ela nos lembra que nunca fomos donos do tempo.

Talvez a pergunta nunca tenha sido “quem merece viver?”. Talvez a pergunta seja: o que faremos enquanto vivemos?

Porque todos recebemos dias, mas nem todos aprendemos a habitá-los. Todos respiramos, mas poucos realmente enxergam a beleza escondida nas coisas simples: uma janela aberta, um abraço demorado, uma palavra de perdão, um céu estrelado, o silêncio que consola.

No fim, a vida parece nos responder com uma humildade desconcertante: ninguém merece existir por seus méritos, porque a existência é, antes de tudo, um presente. E todo presente carrega uma responsabilidade.

Quem sabe, quando compreendermos isso, deixaremos de gastar tanto tempo decidindo quem deveria partir e passaremos a usar o tempo que temos para fazer com que a nossa passagem pela Terra seja um motivo de esperança para alguém.

Porque a vida não nos foi entregue para que julgássemos quem é digno dela, mas para que aprendêssemos a honrá-la na nossa história e na história daqueles que caminham ao nosso lado.



Fernanda

23 junho, 2026

Isso é tudo!

Aleatoriamente um toque de poesia


Por muito tempo acreditamos que os outros têm o poder de nos fazer sentir determinadas coisas. Dizemos: “Ele me irrita”, “Ela me magoa”, “Eles me deixam insegura”. E, sem perceber, entregamos ao mundo externo a chave da nossa paz.

Mas existe uma verdade que nem sempre estamos prontos para ouvir: o outro pode provocar, mas quem decide o que fazer com essa provocação é você.

A vida é um grande reflexo. Algumas pessoas despertam nossa alegria. Outras revelam nossas feridas. Algumas nos inspiram. Outras nos confrontam. E, embora seja tentador responsabilizar quem está diante de nós pelo desconforto que sentimos, o crescimento começa quando trocamos a pergunta.

Em vez de perguntar: “Por que essa pessoa faz isso comigo?”, talvez seja mais útil perguntar: “O que isso desperta em mim?”

Quando alguém nos critica, por exemplo, a dor nem sempre está na crítica. Muitas vezes ela encontra uma insegurança que já existia. Quando alguém nos rejeita, nem sempre o sofrimento está apenas na rejeição, mas nas histórias que contamos sobre nosso próprio valor.

Isso não significa aceitar abusos, desrespeitos ou relacionamentos tóxicos. Significa reconhecer que existe uma parte da experiência que pertence exclusivamente a nós.

E é justamente nessa parte que mora o nosso poder.
Você não controla o que as pessoas dizem. Não controla as escolhas delas. Não controla os comportamentos delas.

Mas o que você pode controlar? O significado que atribui a tudo isso.
Pode escolher não alimentar uma mágoa. Pode decidir não transformar uma opinião em verdade. Pode acolher uma dor sem permitir que ela defina quem você é.

Pode estabelecer limites.
Pode se afastar.
Pode perdoar.
Pode permanecer.
Pode recomeçar.

Tudo…

Crescer emocionalmente, acontece quando compreendemos que a liberdade não está em mudar o outro, mas em assumir responsabilidade pela forma como respondemos ao que ele desperta em nós.

O outro é o gatilho.
A sua reação é a escolha.

E entre o que acontece e a forma como você responde existe um espaço precioso. Nesse espaço mora sua consciência, sua força e sua capacidade de transformar a própria história.

Porque, no final das contas, o que o outro provoca em você pode até não estar sob seu controle. Mas o que você faz com isso?😬
Isso é tudo.!!!😉

Fernanda

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