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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

07 maio, 2026

O SILÊNCIO DAS ÁRVORES

Aleatoriamente um toque de poesia


As árvores sabem de coisas
que ninguém contou pra elas.
Aprenderam tudo sozinhas,
de pé, olhando o céu,
ouvindo a respiração da terra.

Quando o vento passa,
elas conversam entre si
num idioma que a gente sente,
mas não traduz.
É língua de folha,
de galho que estala,
de sombra que se entrega.

Fico ali, parada,
escutando o que posso.
Elas falam de paciência,
de esperar o fruto amadurecer
sem exigir pressa do tempo.
Falam de raízes fundas,
que seguram firme
mesmo quando o mundo desapruma.

E ensinam, sem vaidade,
que crescer não é subir,
é aprofundar-se.
Que beleza não é grito,
é permanência.

Volto pra casa com a alma mais quieta,
quase árvore também,
como se um pouco da sabedoria delas
tivesse se encostado em mim.


Fernanda

04 maio, 2026

As coisas que o dia ensina

Aleatoriamente um toque de poesia




Hoje o sol me falou baixinho,
como quem conhece meus segredos:
“Vai com calma, Fernanda,
a vida também cansa.”

E eu fui, devagar,
com o coração meio desarrumado,
feito gaveta antiga
cheia de lembranças tortas.

Na rua, o vento puxou conversa,
disse que tudo passa,
até o medo que parece pedra.
Acreditei o vento não mente.

Peguei um pouco de esperança
num gesto mínimo de alguém
que nem sabia
que estava me oferecendo abrigo.

E entendi, de repente,
que o dia ensina sem alarde:
que o amor é feito de miudezas,
que a alegria mora escondida
no fundo de um suspiro,
e que a gente renasce
toda vez que escolhe continuar.


Fernanda

30 abril, 2026

O que em nós insiste em não ser dito.

Aleatoriamente um toque de poesia


Há dias em que a gente  acorda aparentemente inteiro.
Cumpre tarefas, responde mensagens, organiza o mundo ao redor como quem tenta provar talvez para si mesmo que está tudo no lugar.

E, no entanto, não está.
Existe sempre algo que escapa. Um mistério que demora mais do que deveria.
Um cansaço que não é do corpo. Uma inquietação que não encontra nome.

Se Sigmund Freud estivesse sentado conosco em um desses dias comuns, talvez não perguntasse sobre o que fizemos, mas sobre aquilo que evitamos sentir. Porque, no fundo, não é o que vivemos que mais nos afeta é o que não conseguimos elaborar. Aprendemos a seguir. Mas nem sempre aprendemos a nos escutar.

E é curioso como nos tornamos especialistas em disfarçar o que sentimos.
Sorrimos quando dói menos explicar. Silenciamos quando falar parece arriscado.
Mudamos de assunto quando algo dentro de nós começa a pedir atenção.

Talvez Anna Freud chamasse isso de defesa. E não deixa de ser um gesto de cuidado ainda que imperfeito. A mente protege aquilo que ainda não conseguimos suportar. E há certa delicadeza nisso, mesmo quando parece confusão.

Mas proteger não é o mesmo que curar. Há partes de nós que continuam esperando.
Esperando o momento em que serão finalmente reconhecidas, não como erro, mas como história.

E se escutarmos com mais calma com aquela paciência que a vida raramente nos ensina talvez descubramos que muito do que sentimos hoje não começou hoje.

Melanie Klein talvez diria que carregamos desde cedo formas de amar, de temer, de nos defender do mundo. E isso explica por que, às vezes, reagimos de maneira tão intensa a coisas que parecem pequenas: não é sobre o agora. Nunca é só sobre o agora.

Somos feitos de camadas.
De lembranças que ficaram.
De afetos que não soubemos nomear. De versões nossas que ainda pedem acolhimento.

E talvez o mais difícil não seja entender tudo isso.
Mas permitir que exista.
Porque há uma coragem em parar de fugir de si mesmo.
Em olhar para dentro sem pressa de consertar. Em aceitar que nem tudo precisa estar resolvido para ser legítimo.

No fim, a psicanálise essa escuta paciente do interior não nos ensina apenas sobre teorias. Ela nos convida a algo mais íntimo: a reconhecer que, dentro de cada um de nós, há uma história em andamento… e que, às vezes, tudo o que ela precisa é de alguém disposto a escutar. Mesmo que esse alguém sejamos nós. Por isso, meu conselho: escreva!



Fernanda

28 abril, 2026

Entre o martelo e o silêncio

Aleatoriamente um toque de poesia


Pensando bem, sempre queremos estar com a razão de alguma coisa. É quase um vício: querer vencer discussões, levantar troféus de “eu estava certo”, ocupar o pódio do próprio ego. E, enquanto isso, esquecemos do essencial que nada, nem um fio de cabelo, cai sem a permissão de Deus. Nada. Nem as quedas pequenas, nem as grandes dores, nem os encontros improváveis que mudam nossa rota.

Penso muitas vezes: por que abarcamos essa mania estranha de sermos os senhores da verdade? Quem nos coroou juízes do mundo? Quando passamos a achar que nossos olhos são os únicos capazes de enxergar a realidade inteira? Julgamos uns aos outros com tanta pressa, sem perceber que, quando questionamos o bem e o mal com arrogância, estamos tentando ocupar um lugar que não nos pertence. Afinal, quando apontamos o dedo, estamos sendo juízes de quem? Do outro… ou de nós mesmos?

Se devemos dar graças por tudo como nos ensinam os dias difíceis e as madrugadas em claro então até as decepções têm algo a nos dizer. Conheci pessoas que amei muito e que me decepcionaram profundamente. Doeu. Mas nem por isso deixei de amá-las. Porque amar não é fechar os olhos para as falhas, é aprender a enxergar com misericórdia. É entender que o outro também carrega batalhas que não vemos.

Entenda: todos têm uma versão a seu respeito. Alguns te verão como herói, outros como vilão, outros nem te verão. Mas só Deus te conhece de verdade. Só Ele lê as entrelinhas do coração, os pensamentos que você nunca disse em voz alta, as intenções que ninguém percebeu. Por isso, aprendi a não morar nos julgamentos alheios. Eles mudam conforme o vento. Deus permanece.

E observo, com certa tristeza, que a empáfia costuma andar de mãos dadas com a solidão. Quanto mais alguém se exalta, mais se afasta. O orgulho, por sua vez, caminha de mãos dadas com o martelo bate, impõe, quebra abrigos, constrói mutalhas. Já a humildade… a humildade não faz barulho. Ela observa. Escuta. Aprende. E agradece.

Talvez o segredo da vida não seja ter sempre razão, mas ter sempre um coração ensinável. Talvez seja menos sobre vencer debates e mais sobre vencer a si mesmo. Porque no fim, quando o silêncio chega e as luzes se apagam, não será a razão que nos consolará será a paz de ter amado, perdoado e confiado em Deus. E isso, sim, é uma vitória que ninguém pode nos tirar.


Fernanda

23 abril, 2026

Queria dialogar com Freud

Aleatoriamente um toque de poesia
Falar sobre o ego que carregamos


Se Sigmund Freud pudesse caminhar hoje pelas ruas, talvez não se surpreendesse tanto. Mudaram as roupas, as telas ficaram mais brilhantes, mas o ego… o ego continua o mesmo só aprendeu a se vestir melhor. As pessoas andam por aí com seus egos bem alinhados, como quem ajeita a gola antes de sair. Não por vaidade pura, mas por necessidade. Há um certo acordo no ar: sentir demais em público ainda constrange.

O ego, esse mediador discreto entre o que se deseja e o que é permitido, tornou-se quase um porta-voz social. Ele traduz impulsos em comportamentos aceitáveis, disfarça inseguranças com firmeza e transforma dúvidas em opiniões. Não porque seja falso mas porque tenta proteger. Se alguém perguntasse a Freud o que mais mudou, talvez ele dissesse: a velocidade. Hoje, o ego precisa trabalhar mais rápido. Não há muito tempo para elaborar. É preciso reagir, responder, parecer seguro tudo quase ao mesmo tempo.

E assim, as pessoas vão aprendendo a sustentar versões de si mesmas.
Versões que funcionam.
Versões que cabem.
Versões que não incomodam tanto.

Mas há um detalhe que escapa. O ego protege, mas também limita. Ele organiza, mas também filtra. E, nesse processo, muitas vezes afasta o indivíduo de algo mais profundo aquilo que não cabe em explicações rápidas, nem em aparências bem resolvidas. Freud talvez observasse isso com atenção: não se trata de excesso de ego, mas de cansaço dele. Um ego sobrecarregado de sustentar coerência onde há conflito, equilíbrio onde há excesso, calma onde há tempestade.

No fundo, o que se vê são pessoas tentando dar conta de si mesmas com as ferramentas que têm.
E talvez, se ainda estivesse por aqui, Freud não sugerisse eliminar o ego mas escutá-lo melhor. Entender que, por trás de cada postura firme, pode haver uma tentativa de não se desorganizar por dentro. Porque o ego que carregamos, no fim das contas, não é apenas imagem. É esforço. Ás vezes, um pedido discreto de descanso.



Fernanda.

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