Antes de responder, vale a pena fechar os olhos por um instante e procurar enxergar a si mesmo por dentro. Não a imagem refletida quando está escovando os dentes, ou cuidando dos cabelos, nem a versão apresentada ao mundo, mas aquela que mora ai dentro da consciência.
Pode parecer uma pergunta simples né? Quase sempre a resposta é automática: “Estou bem.” Mas será que essa resposta nasce da sinceridade ou apenas do hábito? Em tempos em que todos correm, produzem, sorriem para uma fotografia perfeita e escondem as próprias tempestades. Percebo que tornou-se comum vestir uma aparente tranquilidade enquanto o coração pede socorro, a ansiedade senta ao lado, os olhos marejam por qualquer coisa.
O ser humano aprendeu muito bem a cuidar de compromissos, de prazos e de expectativas, mas tem se esquecido de cuidar de si. Há quem conheça todos os caminhos da cidade, mas já não encontre o caminho de volta para a própria essência. Há quem converse com centenas de pessoas ao longo do dia, mas passe semanas sem ouvir a sua própria voz.
Talvez o maior desafio dos dias atuais não seja vencer o mundo, mas vencer a distância que cada um criou entre quem realmente é e quem acredita precisar parecer. E essa distância pesa. Ela rouba o entusiasmo, esvazia os afetos e transforma a vida em uma sucessão de dias cumpridos, mas não vividos.
Olhar para dentro exige coragem. É nesse encontro que aparecem as dores escondidas, os sonhos esquecidos e também a esperança que insiste em sobreviver. Só quem tem a humildade de reconhecer as próprias fragilidades descobre a força necessária para recomeçar.
Aprendi, que a vida não pede perfeição. Pede presença. Pede verdade. Pede que cada pessoa reserve alguns minutos para cuidar daquilo que ninguém vê, mas que sustenta tudo o que se vê: o coração.
Porque, no fim das contas, não é a resposta dada aos outros que transforma uma vida, mas a resposta sincera que cada um encontra quando está sozinho consigo mesmo.
E, agora, depois de ler até aqui, a pergunta continua a mesma, mas talvez tenha um significado diferente:
Como você está? Feche os olhos novamente e me responda com toda sinceridade.
Fernanda