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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

04 fevereiro, 2026

Nomear o Céu

Aleatoriamente um toque de poesia




Tuas mãos desenham auroras
sobre o silêncio do meu peito,
e fazes-te estrela
no instante exato em que o mundo desacelera.
No dorso da brisa deixo meu nome escorrer
para que a noite querida o recolha
como quem guarda um segredo antigo.

Há em nós uma ondulação de promessas,
montanhas erguidas não de pedra,
mas de coragem.
Sou sôfrega por horizontes onde teu olhar habita,
e por isso caminho 
não por pressa,
mas por destino.

Cada passo vira senda,
cada escolha vira trilha,
e quando o medo me visita,
digo a mim mesma: olha em volta,
o amor também sabe ser paisagem.

Escrevo o soneto do teu nome no vento,
e ele responde em aconchego.
Da tua presença nasce paz,
da tua ausência nasce saudade,
e entre ambas floresce plenitude.

Teu amor é flamejante sem ruído,
arde como farol em noite de neblina.
Neste vasto mundo,
teu encanto é abrigo,
sem máculas,
feito água clara que não negocia sua pureza.

Meu sentimento não pede posse,
pede permanência.
Meu porvir tem tua sombra caminhando ao lado,
meu desejo é te conhecer
não apenas nos dias claros,
mas também nas horas em que o céu pesa.

Quando chega a madrugada,
o peito explode em delicadeza,
e na cauda de um cometa lanço promessas
para que o infinito as aprenda.

Somos junção de silêncios que se entendem,
paixão que não grita 
sussurra eternidades.

E se o tempo tentar nos apagar,
que reste ao menos isto:
dois corações insistindo em amar
mesmo quando o mundo esquece como se faz


Fernanda

Estar contigo

Aleatoriamente um toque de poesia




Estar contigo é descanso e vertigem ao mesmo tempo. 
É casa e estrada. É silêncio que entende e palavra que abraça.
Quando você chega, o dia aprende a ser mais leve.
O mundo diminui o barulho e o coração aumenta o espaço.
Tudo fica mais simples, mais possível, mais verdadeiro.
Não é sobre promessas grandiosas. É sobre ficar. 
Sobre cuidar. Sobre escolher, todos os dias, esse nós que nasce pequeno e cresce feito luz mansa.
Estar contigo é isso: não precisar voar para tocar o céu.



Fernanda

03 fevereiro, 2026

Paixão Infinita

Aleatoriamente um toque de poesia
Soneto 



Tuas mãos, no dorso da brisa, fazem-te estrela,
Na noite querida o encanto aprende a florir;
Ondulação das montanhas, sôfrega por te sentir,
Meu caminho vira senda, trilha que o amor revela.

Olha em volta: o mundo explode em chama bela,
Na madrugada escrevo o porvir do existir;
Aconchego, paz, plenitude vêm me conduzir,
Sentimento sem máculas que a alma sela.

Flamejante paixão faz junção do infinito,
Na cauda de um cometa aprendo a conhecer,
E o soneto do tempo canta teu nome bendito.

Entre céu e terra escolho contigo viver:
Pois amar-te é destino jamais restrito,
É eternamente partir e sempre voltar a ser.




Fernanda

02 fevereiro, 2026

Mochilas cheias, coração transbordando

Aleatoriamente um toque de poesia


Hoje meus filhos voltaram às aulas. Mochilas, cadernos novos, lápis apontados, olhos brilhando de expectativa. A casa acordou diferente, com cheiro de recomeço. E enquanto eu os observava saindo, algo em mim voltou no tempo. Lembrei de quando eu era pequena e sonhava com essas mesmas coisas simples: uma mochila, um caderno só meu, um lugar para aprender.

Creio que já trazemos nossa paixão desde o berço… ops 😬 eu não tive berço. Recém-nascida, fui abrigada num orfanato. De lá, fugi tão pequenina, carregando mais medo que brinquedos, mais silêncio que colo. Mas mesmo assim, o desejo de aprender já morava em mim.

Lembro que na lixeira encontrei minhas primeiras folhas de caderno. Um lápis ganhei de um senhor da banca de revista, desses anjos anônimos que Deus espalha pela vida da gente. Fui montando meu “kit escola” assim, aos pedaços, como quem constrói um sonho com restos que o mundo descarta. Andava pelas lixeiras procurando folhas ainda “novas”, limpas de um lado, suficientes para escrever esperança.

E fiz muito esforço até conseguir sentar numa sala de aula, meu Deus… Quando finalmente consegui, não foi fácil. Sofria bullying das outras crianças porque eu não tinha sandálias. Os sapatos que a escola doava quase sempre acabavam antes de chegar em mim. Meus pés eram maiores que os calçados disponíveis. E até chegarem novos, eu ia com o que tinha. Ia descalça por dentro, mas seguia andando por fora.

Hoje, vendo meus filhos com tudo aquilo que um dia me faltou, meu coração não sente inveja do passado sente gratidão 🙏🏻 pelo presente. Agradeço tanto por eles terem o que eu não tive. Mas agradeço ainda mais por eu poder ser para eles aquilo que eu não tive: mãe. Colo. Presença. Amor que não acaba.

Desejei a eles um dia cheio de alegrias, mas, no fundo, fiz uma oração silenciosa: que nunca lhes falte dignidade, coragem e gratidão. Que saibam valorizar cada lápis, cada caderno, cada oportunidade. Porque por trás dessas mochilas cheias, existe uma mãe que um dia carregou sonhos vazios nas mãos e mesmo assim nunca deixou de acreditar.

E hoje, ao fechar a porta depois que eles saíram, eu sorri. Não por esquecer o passado. Mas por ter transformado dor em raiz, e raiz em fruto. 

E enquanto a casa ficava em silêncio, sentei-me por um instante no sofá e deixei o coração falar. Olhei para as mochilas que ficaram, para os cadernos extras, para os tênis novos perto da porta… e senti que cada objeto carregava mais do que material escolar. Carregava reparação da vida.

Porque a vida, às vezes, não devolve o que tirou. Mas quando devolve, devolve através dos filhos. É neles que a história se reorganiza. É neles que a ferida aprende a virar cicatriz bonita.

Eu não tive berço, mas construí colo.
Não tive caderno novo, mas hoje compro sonhos encapados para eles.
Não tive sapatos certos, mas hoje amarro cadarços com amor e paciência.

E entendi algo precioso: eu não sobrevivi àquela infância para ser vítima do passado, mas para ser construção para o futuro. Cada manhã em que preparo o lanche, ajeito uniforme, dou beijo na testa, é como se eu dissesse para a menina que fui: “nós conseguimos”.

Talvez meus filhos nunca saibam todos os detalhes da minha história. Mas eles sentirão nos gestos, no cuidado exagerado às vezes, no abraço que demora, no “Deus os acompanhem” dito da porta da escola.Porque quem um dia andou sozinha aprende a caminhar junto.

E assim sigo: agradecendo. Não pelo que doeu, mas pelo que floresceu. Não pelo que faltou, mas pelo que hoje transborda.

Porque hoje, quando meus filhos entram na escola, não são só eles que entram.
Entra comigo aquela menina que catava folhas na lixeira.
E ela entra de cabeça erguida. Com mochila cheia de amor. E o coração, finalmente, em casa. 



Fernanda

A lagarta que já era borboleta

Aleatoriamente um toque de poesia



A lagarta nunca sabe direito
que carrega asas por dentro.
Vai devorando folhas,
arrastando o corpo miúdo,
como quem cumpre um destino
que não escolheu.

O mundo olha e pensa:
“Coitadinha, tão rasteira.”
Mas ela guarda um segredo:
há uma luz inquieta
se mexendo no miolo do peito,
um chamado que ninguém vê.

Quando o tempo chega 
esse mestre paciente 
a lagarta se fecha em si mesma,
tece um silêncio,
uma espécie de oração de fios.
E espera.
Espera como quem confia
num Deus que trabalha no escuro.

Então o milagre se abre:
as asas, antes sonho,
viram corpo.
A lentidão vira voo.
E o que era chão
vira céu.

No fundo, a borboleta
sempre esteve ali,
mas precisava de coragem
para nascer de si mesma.

E eu penso que a gente é assim também:
às vezes rasteja,
às vezes dói,
às vezes parece impossível.
Mas o milagre já está dentro 
só falta o tempo
de desabrochar.


Fernanda

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