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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

01 abril, 2026

Essa coroa é a prova

Aleatoriamente um toque de poesia



Eu fui um monte de perguntas. Perguntas que andavam descalças pelas ruas quentes, que dormiam com a cabeça encostada na dúvida e acordavam abraçadas ao medo.
Eu fui um monte de porquês sem resposta, um corpo pequeno carregando um mundo grande demais.
Fui silêncio quando ninguém quis ouvir, fui barulho por dentro quando tudo por fora parecia calado.

Eu fui a Fernandinha.
Aquela que muita gente via,
mas poucos realmente enxergavam.

E hoje…
hoje eu sou resposta.

E te digo, com a calma de quem atravessou tempestades: como você conseguiu essa vida?
Ainda há aqueles que perguntam.
Perguntam como se fosse sorte, como se fosse acaso,
como se não tivesse havido noites em que eu olhava a noite e pedia colo e havia o céu aberto como testemunha.

Eu consegui vivendo.
Sobrevivendo primeiro…
e depois escolhendo viver de verdade.

Hoje,
Eu tenho uma família linda e maravilhosa, graças a Deus.
E não é frase pronta, não.
É milagre cotidiano.
É construção de afeto,
é abraço que ficou,
é amor que decidiu não ir embora.

Porque a família…
a família é realmente a base de tudo.

E eu sei.
Eu sei porque já estive no lugar onde não havia paredes, nem teto, nem mesa posta.

Mas hoje eu entendo:
quando eu era apenas a Fernandinha que morava nas ruas, eu não morava sozinha.

Nunca morei.
Ninguém mora.
Deus nunca nos abandona.
Nunca!

Embora a gente não veja,
embora a gente duvide,
embora a gente grite em silêncio achando que ninguém escuta…

Ele está.

Fecha os olhos e sente.
Sente aquele instante em que alguém aparece, aquela mão estendida que chega sem aviso, aquele olhar que acolhe sem perguntar nada.

É Ele!!!

Ele age através da bondade do homem, que de alguma forma ganha asas mas reais
para te ajudar.

Eu vi anjos alguns sem saber o nome deles. Eu fui salva por gestos pequenos que tinham tamanho de eternidade.

E um dia…
eu decidi.
Hackeei o que é bom.
Sim, hackeei.
Invadi a alegria mesmo quando a tristeza batia na porta. “Roubei” esperança dos dias cinzentos.
Quebrei o sistema da dor que dizia que eu não conseguiria.

Eu escolhi o bem.
Mesmo quando o mal parecia mais fácil. E sabe? Isso é decisão.

Não foi sorte.
Não foi mágica.
Foi escolha.

Escolha de continuar.
Escolha de acreditar.
Escolha de não endurecer o coração, mesmo depois de tudo que eu vivi.

Hoje, quando me perguntam,
eu não respondo com números, nem conquistas, nem aparência.

Eu respondo com  a mais pura verdade:

Eu só consegui porque Deus nunca soltou a minha mão.
E porque, em algum momento, eu também decidi não soltar a d’Ele.

E é isso que muda tudo sabe? 
E é por isso que eu continuo…
É por isso, que mesmo sem ainda poder digitar como eu muito gostaria por enquanto, 
peço a André que o faça por mim. 

Porque não posso deixar de lembrar desse momento de amor do Pai com seus filhos (todos nós).
Há momentos na vida em que a gente não apenas lembra da própria história a gente ressignifica.

E nesta semana santa,
onde o tempo desacelera para caber reflexão,
onde até o silêncio parece mais profundo,
vamos focar dentro dos nossos corações  esse Jesus Cristo…

Esse Jesus que só amou.
E ama. Sem medida, sem cobrança.

Aquele que não perguntou quem você era antes de estender a mão.
Aquele que não exigiu perfeição para oferecer perdão. Aquele que enxergava além da sujeira do interior,  além da dor mal resolvida, além da história quebrada.

Jesus via o que a gente podia ser. E talvez seja isso que mais transforma.

Porque quando alguém acredita em você
antes mesmo de você acreditar em si…
algo dentro muda de lugar.

E desse ato d’Ele…
desse amor que não recuou nem diante da cruz… brotou vida.

Brotou esperança.
Brotou recomeço.

Brotou essa força silenciosa
que um dia também me alcançou lá onde ninguém mais parecia ver valor.

Foi desse amor que eu aprendi que não importa de onde você vem, 
importa o que você decide fazer com o que sobrou.
E às vezes sobra tão pouco…
mas com Deus, até o pouco floresce.

Nesta semana santa,
não pense só na dor do caminho.

Pensa no amor que sustentou cada passo. 
Pensa naquele Jesus cansado, mas ainda assim olhando com ternura.
Ferido, mas ainda assim perdoando. 
Caído, mas ainda assim levantando o mundo inteiro com Ele.

Agora… traz isso pra dentro.
Pra dentro do teu coração.
Porque esse mesmo amor
não ficou preso no passado,
nem na cruz, nem na história contada.

Ele continua vivo.
Ele continua acontecendo.

Em cada gesto de bondade.
Em cada escolha de não desistir. 
Em cada vez que você decide não endurecer,
mesmo tendo motivos pra isso.

E talvez…
talvez o maior milagre não seja o que aconteceu lá atrás.
Seja o que ainda pode acontecer dentro da gente.

Porque quando esse Jesus habita o coração, a gente deixa de ser só pergunta…
e começa, aos poucos, a se tornar resposta também.
Essa coroa é a prova de que o amor não desiste, mesmo quando é ferido.


🙏


Fernanda
Tenham uma linda quarta feira santa meus amigos!

30 março, 2026

A força Deus já depositou dentro de nós.

Aleatoriamente um toque de poesia



Sabe?  Há uma ideia que me visita em silêncio sempre, sempre! Sabe aquelas ideias que não fazem barulho, mas mudam tudo por dentro da gente? Eu penso que quando Deus nos confia uma missão, Ele não se distrai daquilo que fez. Não nos envia despreparados, nem nos lança ao caminho com as mãos vazias.

Ainda assim, a gente duvida.
Duvida da própria força, da própria fé, da própria capacidade de atravessar o que parece grande demais. A missão assusta antes mesmo de começar, porque quase sempre ela vem disfarçada de desafio, de dor, de recomeço. E, naquele instante, não enxergamos os recursos só o peso.

Mas Deus enxerga inteiro.
Ele vê em nós o que ainda estamos aprendendo a reconhecer. Vê coragem onde sentimos medo, vê firmeza onde nos julgamos frágeis. E, de algum jeito misterioso, vai nos equipando ao longo do caminho não tudo de uma vez, mas na medida exata do que precisamos para cada passo.

É curioso… a capacidade não chega antes. Ela se revela durante.

A gente cresce enquanto faz. Aprende enquanto tenta. Fortalece enquanto insiste. E quando olha para trás, percebe que já não é mais o mesmo de quando começou. A missão nos transformou tanto quanto foi realizada.

Por isso, talvez o segredo não seja se sentir pronto, mas confiar. Confiar que, se veio até você, há um motivo.
Confiar que, se foi colocado em suas mãos, não é por engano. Confiar que Deus não erra o endereço das suas escolhas.

E seguir, mesmo com o coração tremendo um pouco.
Porque, no fundo, toda missão é carregada de fé e 
é também um convite silencioso para descobrir
a força que Deus já depositou dentro de nós.

Entramos na semana santa🙏🏻
A Semana Santa sempre chega com esse convite silencioso de recolhimento, de olhar para dentro, de rever caminhos. Mas, desta vez, ela me encontrou diferente com o braço engessado e a rotina interrompida, como se o próprio corpo tivesse decidido me obrigar a parar.

E eu parei.

No começo, confesso, foi mais incômodo do que reflexão. A limitação irrita. A dependência incomoda. A pressa que a gente carrega dentro não entende quando o corpo desacelera por conta própria. Mas, aos poucos, fui percebendo que havia algo de profundamente simbólico nisso tudo.

Enquanto o mundo lembra da dor, do sacrifício e da entrega de Cristo na Semana Santa, eu me vi ali, pequena nas minhas próprias limitações, sendo convidada a viver ainda que de forma simples um tipo de entrega também.

Não a dor grandiosa, mas a dor cotidiana. Não o sacrifício heroico, mas o ajuste humilde daquilo que não posso controlar.

O gesso no braço virou mais que um incômodo físico. Virou um lembrete.

Lembrete de que nem sempre vamos conseguir fazer tudo sozinhos.
Lembrete de que há força também em aceitar ajuda.
Lembrete de que parar, às vezes, é parte da missão.

E foi aí que aquela verdade voltou a sussurrar dentro de mim: quando Deus nos dá uma missão, Ele também nos dá a capacidade de realizá-la mas essa capacidade nem sempre vem como força bruta. Às vezes, ela vem como paciência. Como resignação. Como fé tranquila.

Talvez, nesta Semana Santa, a minha missão não seja fazer mais seja sentir mais.
Não seja correr seja compreender. Não seja provar força seja aprender a confiar.

Porque até na imobilidade, Deus continua trabalhando.
Até no silêncio, Ele continua ensinando.

E assim, com um braço engessado… e um coração, aos poucos, sendo restaurado eu agradeço por tudo Pai em nome de Cristo Jesus.

Nesta Semana Santa, que cada coração que chega aqui encontre calma nos seus limites, sentido nas pausas e a certeza de que Deus também trabalha nos silêncios.
Obrigada pelo carinho de vocês que mesmo sem receber minhas visitas, vem, se achega sem bater,  entra, com a certeza que a casa é sempre NOSSA!🙏



Fernanda
Postado por André

25 março, 2026

Resiliência

Aleatoriamente um toque de poesia



Há dias em que a vida nos dobra. Não quebra, não parte, só dobra  feito galho molhado depois da chuva. A gente sente o peso, o frio, o vento contrário. E pensa: “acho que dessa vez não volto ao lugar de antes”. Mas volta. De outro jeito, talvez mais torto, mais sábio, mais terno ainda mas,  volta.

Resiliência não é resistência. Resistir é ficar imóvel, peito travado, sem deixar o mundo entrar. Ser resiliente é o contrário: é permitir-se atravessar. É aceitar o susto, a dor, o medo, e ainda assim continuar se abrindo para o dia seguinte.

Eu já fui aquela que tentava controlar o destino com as duas mãos, como quem segura uma corda curta demais. Hoje, aprendo que o segredo está em soltar um pouco. Deixar o tempo ensinar o que o orgulho não deixa ouvir. Há quem pense que resiliência é força. Talvez seja, mas uma força mansa. Daquelas que não gritam, só persistem. A força das mães que reconstroem os dias, dos que perdoam mesmo sem desculpa, dos que seguem mesmo cansados.

O mundo anda apressado demais pra notar a beleza dos recomeços silenciosos. Mas há uma graça enorme em quem, depois de cair, limpa o rosto e diz: “vamos de novo”.
Resiliência é fé em movimento. É o verbo esperançar em sua forma mais íntima.
E quando o vento dobrar outra vez, como sempre faz, que a gente se lembre: não é o fim, é apenas o tempo ensinando a curvar sem perder a essência.


Fernanda

22 março, 2026

Reflexiva

Aleatoriamente um toque de poesia



À maneira dos antigos diálogos, pergunto a mim mesma e talvez a você que me lê: o que se revela no homem quando ele se senta ao volante?

Seria o trânsito apenas um fluxo de veículos, ou um reflexo silencioso? Muitas vezes tenho me pegado reflexiva diante da imprudência que vejo nas ruas. Há aqueles que avançam como se o outro não existisse, como se a pressa justificasse o risco, como se a vida alheia fosse detalhe. Diga- me: pode alguém afirmar-se humano quando ignora a humanidade do outro?

O volante, que deveria ser instrumento de condução, transforma-se, para alguns, em pódio. E nesse pódio, disputa-se não uma corrida justa, mas uma vitória vazia chegar primeiro, ainda que à custa da paz, da prudência ou do cuidado.

E enquanto observo esse mundo apressado, me volto também para mim. Não fui acostumada à inércia; o trabalho sempre foi parte do meu movimento interior. Ainda assim, agora tento trabalhar como posso, limitada por um gesso que pede mais descanso. 
E tudo certo! O gesso, que imobiliza, também ensina embora eu confesse, nem sempre com serenidade.

Há pequenas coisas que se tornam grandes: lavar os cabelos, por exemplo. Um gesto simples, outrora automático, agora exige deslocamento, dependência, adaptação. Vou ao salão mais vezes do que gostaria, apenas por necessidade,  porque cuidar de mim é, de certo modo, preservar quem sou.

Você pode dizer: é apenas uma pausa. E eu concordaria pois a razão assim o afirma. Mas há em mim algo que ainda se inquieta, que estranha, que resiste. Talvez porque, como na vida e no trânsito, não seja fácil aceitar que nem sempre estamos no controle.

Assim, sigo refletindo: se a pressa revela imprudência, talvez a pausa revele consciência. E quem sabe, nesse intervalo entre o que quero e o que posso, eu esteja sendo convidada a aprender algo que, em movimento constante, jamais perceberia.

Mas que estou tentando me adaptar ah isso estou.

Fernanda

20 março, 2026

Comportamento Primitivo

Aleatoriamente um toque de poesia



Há um tipo de reação que não pensa apenas acontece.
É rápida, impulsiva, quase instintiva. Como se, por alguns segundos, deixássemos de ser quem aprendemos a ser
para voltar a ser quem um dia fomos.

O comportamento primitivo não grita avisando que chegou. Ele se disfarça de justificativa:
“Eu sou assim mesmo.”
“Falei porque precisava.”
“Reagi porque me feriram.”

Mas, no fundo, não é sobre verdade sabe? É sobre falta de pausa.

É o impulso que atropela o cuidado. É a palavra que sai antes da consciência.
É o gesto que ignora o outro
em nome de uma defesa antiga, quase automática.

Todos nós temos um pouco disso guardado.
Nas camadas mais profundas, onde ainda mora o medo de não ser aceito,
a necessidade de vencer,
ou o instinto de atacar antes de ser atingido.

O problema não é sentir.
Nunca foi. O problema é quando a emoção nos conduz sem que a gente segure o volante.

E então ferimos, afastamos, mudamos caminhos 
que, em momentos mais calmos, gostaríamos tanto de passar.

Evoluir, no fim das contas, não é deixar de sentir raiva, dor ou medo. É perceber quando eles estão assumindo o controle e, mesmo tremendo por dentro, escolher outro caminho.

É difícil.
Às vezes, a gente falha.
Às vezes, volta para o velho impulso como quem retorna para casa  mesmo sabendo que já não mora mais ali.

Mas, cada vez que nos damos a escolha de respirar antes de reagir, cada vez que escolhemos o silêncio em vez do ataque, ou a compreensão em vez da pressa,
algo dentro de nós cresce.

E isso, talvez, seja o oposto do primitivo: não a ausência de instinto, mas a presença da consciência.

Porque ter como desculpa que é ser humano, não explica o rústico. Ser humano de verdade, não é nunca cair é aprender a não se entregar tão facilmente ao que ainda em nós não evoluiu.

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