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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

22 março, 2026

Reflexiva

Aleatoriamente um toque de poesia



À maneira dos antigos diálogos, pergunto a mim mesma e talvez a você que me lê: o que se revela no homem quando ele se senta ao volante?

Seria o trânsito apenas um fluxo de veículos, ou um reflexo silencioso? Muitas vezes tenho me pegado reflexiva diante da imprudência que vejo nas ruas. Há aqueles que avançam como se o outro não existisse, como se a pressa justificasse o risco, como se a vida alheia fosse detalhe. Diga- me: pode alguém afirmar-se humano quando ignora a humanidade do outro?

O volante, que deveria ser instrumento de condução, transforma-se, para alguns, em pódio. E nesse pódio, disputa-se não uma corrida justa, mas uma vitória vazia chegar primeiro, ainda que à custa da paz, da prudência ou do cuidado.

E enquanto observo esse mundo apressado, me volto também para mim. Não fui acostumada à inércia; o trabalho sempre foi parte do meu movimento interior. Ainda assim, agora tento trabalhar como posso, limitada por um gesso que pede mais descanso. 
E tudo certo! O gesso, que imobiliza, também ensina embora eu confesse, nem sempre com serenidade.

Há pequenas coisas que se tornam grandes: lavar os cabelos, por exemplo. Um gesto simples, outrora automático, agora exige deslocamento, dependência, adaptação. Vou ao salão mais vezes do que gostaria, apenas por necessidade,  porque cuidar de mim é, de certo modo, preservar quem sou.

Você pode dizer: é apenas uma pausa. E eu concordaria pois a razão assim o afirma. Mas há em mim algo que ainda se inquieta, que estranha, que resiste. Talvez porque, como na vida e no trânsito, não seja fácil aceitar que nem sempre estamos no controle.

Assim, sigo refletindo: se a pressa revela imprudência, talvez a pausa revele consciência. E quem sabe, nesse intervalo entre o que quero e o que posso, eu esteja sendo convidada a aprender algo que, em movimento constante, jamais perceberia.

Mas que estou tentando me adaptar ah isso estou.

Fernanda

20 março, 2026

Comportamento Primitivo

Aleatoriamente um toque de poesia



Há um tipo de reação que não pensa apenas acontece.
É rápida, impulsiva, quase instintiva. Como se, por alguns segundos, deixássemos de ser quem aprendemos a ser
para voltar a ser quem um dia fomos.

O comportamento primitivo não grita avisando que chegou. Ele se disfarça de justificativa:
“Eu sou assim mesmo.”
“Falei porque precisava.”
“Reagi porque me feriram.”

Mas, no fundo, não é sobre verdade sabe? É sobre falta de pausa.

É o impulso que atropela o cuidado. É a palavra que sai antes da consciência.
É o gesto que ignora o outro
em nome de uma defesa antiga, quase automática.

Todos nós temos um pouco disso guardado.
Nas camadas mais profundas, onde ainda mora o medo de não ser aceito,
a necessidade de vencer,
ou o instinto de atacar antes de ser atingido.

O problema não é sentir.
Nunca foi. O problema é quando a emoção nos conduz sem que a gente segure o volante.

E então ferimos, afastamos, mudamos caminhos 
que, em momentos mais calmos, gostaríamos tanto de passar.

Evoluir, no fim das contas, não é deixar de sentir raiva, dor ou medo. É perceber quando eles estão assumindo o controle e, mesmo tremendo por dentro, escolher outro caminho.

É difícil.
Às vezes, a gente falha.
Às vezes, volta para o velho impulso como quem retorna para casa  mesmo sabendo que já não mora mais ali.

Mas, cada vez que nos damos a escolha de respirar antes de reagir, cada vez que escolhemos o silêncio em vez do ataque, ou a compreensão em vez da pressa,
algo dentro de nós cresce.

E isso, talvez, seja o oposto do primitivo: não a ausência de instinto, mas a presença da consciência.

Porque ter como desculpa que é ser humano, não explica o rústico. Ser humano de verdade, não é nunca cair é aprender a não se entregar tão facilmente ao que ainda em nós não evoluiu.

17 março, 2026

Estado de Graça

Aleatoriamente um toque de poesia
Soneto 



Na Noite, ao Olhar, busquei Transcender o ser,
vi Estrelas em Brilho Avassalador;
na Alvorada, o Caminho quis renascer,
trazendo à alma viva Emoção e ardor.

Em Frémitos de luz fez-se a Junção do crer,
Num instante, o céu vestiu-se em nova cor;
Envolvemos o tempo em Estado de graça a crescer,
e Elevamos o sonho ao supremo esplendor.

Sobre Pequenas dores pousou leve Coroa,
que Sela o pacto eterno do sentir;
a vida em chama mansa se entoa.

Assim, o ser aprende a cair e subir,
pois quando a alma ao infinito se doa,
renasce o homem e volta a florir.



Fernanda

14 março, 2026

Um jeito de sorrir diferente

Aleatoriamente um toque de poesia



Sempre gostei de livros do cheiro de páginas antigas, das palavras se encaixando como quem encontra abrigo. Gosto do modo como as histórias se constroem, como se cada linha respirasse junto comigo.

Talvez por isso eu tenha aprendido a ver a vida assim: como um livro aberto, com capítulos que nem sempre entendo, mas que me ensinam mesmo assim. Alguns dias são prefácio, outros são ponto e vírgula, pausas que me fazem continuar.

E no meio de tantas histórias, fui descobrindo um jeito de sorrir diferente.
Um sorriso que vem de dentro, dessas páginas, que a alma escreve quando entende que tudo tem sentido mesmo o que parece não ter.

Porque a vida, no fundo, é isso: um livro sendo escrito, e a gente aprendendo a sorrir mesmo antes de saber o final.


Fernanda

11 março, 2026

Entre o gesso e as palavras

Aleatoriamente um toque de poesia


Primeiro quero agradecer a todos que vêm aqui, mesmo quando eu não consigo ir até vocês. O meu muito obrigada! Esse gesto, simples para alguns, para mim tem um valor enorme. É como se cada visita deixasse uma pequena luz acesa neste cantinho onde divido pensamentos, afetos e pedaços da vida.

Há  novamente um comentário agora sobre minha ausência nas visitas. E eu entendo. Quem escreve, quem mantém um espaço de troca, sabe como a presença faz diferença. Mas aqueles que realmente me conhecem há anos sabem que eu só não vou visitar quando realmente não posso e está tudo certo. A vida, às vezes, muda o ritmo da gente sem pedir licença.

Quando alguém quebra o braço, por exemplo, não é apenas um osso que precisa de cuidado. Existe todo um processo, toda uma adaptação. E existe também um cuidado maior quando o seu trabalho está ligado justamente à medicina. O corpo precisa de tempo, e a gente aprende nem sempre com paciência a respeitar esse tempo.

Cada texto agora preciso “ditar” em áudio para o Word. E lhes garanto: não é a mesma coisa para mim. Eu amo escrever. Amo o barulho das teclas, as páginas de agendas, os cadernos que guardam ideias antes mesmo de virarem textos. Gosto do gesto de segurar a caneta, de rabiscar, de voltar atrás, de sentir que as palavras nascem das mãos.

O gesso bagunça um pouco o local… rsrs. Bagunça a mesa, bagunça o jeito de escrever e até a rotina.

Olho meu diário virtual com certa tristeza. Eu, que gosto de escrever todos os dias, ando um pouco limitada na escrita. Mas, curiosamente, a mente parece fazer o caminho contrário: abarrota de ideias. Histórias surgem, reflexões aparecem, frases se formam enquanto caminho pela casa ou observo o silêncio do dia.

Talvez seja apenas uma pausa diferente. Não daquelas que interrompem, mas das que reorganizam.

Porque escrever, para mim, nunca foi apenas um hábito. É uma forma de respirar.

E mesmo quando as mãos precisam descansar um pouco, o coração continua escrevendo.

André está me ajudando com os posts, e sou profundamente grata por isso. Ele tem sido paciente com minhas ideias que surgem a qualquer hora, com os áudios que envio cheios de pensamentos misturados, tentando transformar tudo em texto.

Mas também preciso que ele tenha tempo. André é médico e trabalha muito também. A rotina dele é intensa, cheia de responsabilidades e pessoas que dependem do seu cuidado. Então, quando ele consegue parar um pouco para me ajudar, eu já considero um presente.

No fundo, a gente vai aprendendo que a vida funciona assim: um ajuda o outro quando pode. Há momentos em que somos os que estendem a mão, e há momentos em que somos nós que precisamos dela.

Talvez por isso eu olhe para este espaço com tanto carinho. Este diário virtual nunca foi apenas um lugar de escrever. Ele é, de certo modo, um encontro silencioso entre pessoas que se acompanham ao longo dos anos, mesmo sem se verem.

Por isso, se às vezes eu demorar um pouco mais para aparecer, saibam que não é falta de vontade. Muito pelo contrário. As palavras continuam aqui dentro, inquietas, querendo nascer até nos comentário que deixo em seus cantinhos.

E enquanto o braço se recupera, a mente continua trabalhando, observando a vida, colecionando histórias como sempre fiz.

Logo, logo volto ao meu ritmo. Talvez com ainda mais coisas para contar.
Você que cobra a minha visita com carinho saiba: também sinto saudades de vocês, e muitas muitas.
Amo interagir com todos.
Obrigada amigos mesmo sem visitar,
 vocês vem.
Isso sim é carinho de verdade!





GATIDÃO
Com carinho,
Fernanda

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