Enquanto escrevo, observo o céu. Um pássaro pousado no fio parece descansar do voo, enquanto o vento embala suavemente as folhas das árvores. E, dentro de mim, tudo vai se transformando em emoção, silêncio e agradecimento.
Como o Senhor nos ama, Papai do Alto! Talvez tenhamos caminhos diferentes para chegar até Ti, mas Tu tens os Teus caminhos para chegar ao coração de cada filho. Muitas vezes não percebemos que estás em todos os lugares onde estamos, até mesmo naqueles momentos em que não pensamos em Ti. Ainda assim, Tu estás conosco.
Hoje abracei meus filhos mais com o coração, porque meus braços não foram capazes de abarcar a maravilhosa família que ganhei de Ti. Há amores que são maiores que o abraço, maiores que as palavras e até maiores que aquilo que conseguimos explicar.
Hoje também admirei a trajetória daquela menina que um dia fui. Aquela menina que não desistiu, mesmo quando existiram momentos em que o coração ficou tão desesperado de tristeza que parecia não haver caminho. Ela continuou. Caiu, levantou, chorou, aprendeu e seguiu.
E, olhando para trás, percebo quantas vezes o Senhor colocou um anjo terreno em meu caminho. Alguém que chegou no momento certo para me abraçar, estender a mão ou simplesmente permanecer ao meu lado. Pessoas que talvez nem soubessem o tamanho do bem que estavam fazendo, mas que foram instrumentos de amor.
Foi assim que aprendi que a fraqueza não é o fim da nossa força. Às vezes, é dentro dela que descobrimos uma coragem que nem sabíamos possuir.
Hoje, olhando o céu, o pássaro, as árvores e sentindo o vento, penso que a vida também é perceber os pequenos sinais, agradecer pelo que chegou, compreender o que passou e continuar caminhando.
Obrigada, Papai do Alto, por nunca ter soltado minha mão, mesmo quando eu não percebia que Tu a seguravas tão forte elas.
E se hoje meus braços não conseguem abraçar tudo o que amo, meu coração aprendeu a fazer isso por mim.
Fernanda