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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

15 agosto, 2026

Gratidão

Aleatoriamente um toque de poesia



Enquanto escrevo, observo o céu. Um pássaro pousado no fio parece descansar do voo, enquanto o vento embala suavemente as folhas das árvores. E, dentro de mim, tudo vai se transformando em emoção, silêncio e agradecimento.

Como o Senhor nos ama, Papai do Alto! Talvez tenhamos caminhos diferentes para chegar até Ti, mas Tu tens os Teus caminhos para chegar ao coração de cada filho. Muitas vezes não percebemos que estás em todos os lugares onde estamos, até mesmo naqueles momentos em que não pensamos em Ti. Ainda assim, Tu estás conosco.

Hoje abracei meus filhos mais com o coração, porque meus braços não foram capazes de abarcar a maravilhosa família que ganhei de Ti. Há amores que são maiores que o abraço, maiores que as palavras e até maiores que aquilo que conseguimos explicar.

Hoje também admirei a trajetória daquela menina que um dia fui. Aquela menina que não desistiu, mesmo quando existiram momentos em que o coração ficou tão desesperado de tristeza que parecia não haver caminho. Ela continuou. Caiu, levantou, chorou, aprendeu e seguiu.

E, olhando para trás, percebo quantas vezes o Senhor colocou um anjo terreno em meu caminho. Alguém que chegou no momento certo para me abraçar, estender a mão ou simplesmente permanecer ao meu lado. Pessoas que talvez nem soubessem o tamanho do bem que estavam fazendo, mas que foram instrumentos de amor.

Foi assim que aprendi que a fraqueza não é o fim da nossa força. Às vezes, é dentro dela que descobrimos uma coragem que nem sabíamos possuir.

Hoje, olhando o céu, o pássaro, as árvores e sentindo o vento, penso que a vida também é perceber os pequenos sinais, agradecer pelo que chegou, compreender o que passou e continuar caminhando.

Obrigada, Papai do Alto, por nunca ter soltado minha mão, mesmo quando eu não percebia que Tu a seguravas tão forte elas.

E se hoje meus braços não conseguem abraçar tudo o que amo, meu coração aprendeu a fazer isso por mim.


Fernanda

13 agosto, 2026

Quando o amor precisa sair da boca e entrar na rotina

Aleatoriamente um toque de poesia




Tenho pensado muito sobre uma coisa que, para mim, precisa ser dita com carinho, mas também com sinceridade: amar não pode ser apenas uma declaração. Amor precisa aparecer nas atitudes, na presença, no cuidado e, principalmente, no tempo que dedicamos uns aos outros.

Digo isso pensando como 
Médica, filha, mãe e especialmente nas famílias e nos nossos idosos.

Vivemos uma época em que muitas pessoas estão cercadas de gente e, ainda assim, profundamente sozinhas. Há idosos que têm filhos, netos, irmãos e familiares por perto, mas passam dias esperando uma visita, uma conversa, uma refeição compartilhada ou simplesmente alguém que se sente ao lado deles.

Talvez, essa seja uma das solidões mais dolorosas: ter família e sentir-se esquecido por ela. Não acredito que ser filho, neto, pai, mãe, tio ou avó seja apenas uma condição determinada pelo sangue. São também lugares afetivos que precisam ser ocupados. 

Ser neto é aprender a visitar, ouvir histórias, perguntar como está. Ser filho é compreender que os pais envelhecem e que um dia precisarão de nós de uma maneira diferente. Ser pai ou mãe também é ensinar aos filhos, pelo exemplo, que pessoas não são descartáveis quando deixam de ser produtivas.

Como profissional que observa as relações humanas, eu diria às famílias: não esperem a velhice chegar para descobrir que presença também é uma forma de cuidado.

Nossos idosos não precisam apenas de remédios, consultas e uma casa organizada. Precisam de rotina afetiva. Precisam sentir que continuam pertencendo à família.

Precisam, quando possível, de refeições à mesa não simplesmente de um prato deixado diante da televisão. Precisam de conversa, de participação, de pequenas responsabilidades, de encontros. Precisam saber que ainda são importantes.

E isso vale também para as crianças.

Uma criança que cresce vendo os adultos ignorarem os próprios pais pode aprender, a observar como exemplo, que os vínculos familiares são descartáveis. Depois, talvez repita o comportamento. Gentileza também se ensina pelo exemplo.

Não estou dizendo que toda família precisa estar junta o tempo inteiro. Cada pessoa tem suas responsabilidades, seu trabalho, seus problemas e sua própria vida. O que defendo é que não confundamos falta de tempo com falta de prioridade. Às vezes, dez minutos de presença verdadeira valem mais do que horas de convivência distraída.

O celular não deveria ocupar o lugar da conversa. A televisão não deveria substituir a mesa. E as mensagens virtuais não deveriam ser a única forma de demonstrar afeto a quem está envelhecendo ao nosso lado.

Há uma diferença enorme entre estar perto e estar presente.

Talvez nossos amigos dos blogs compreendam essa reflexão porque muitos de nós já percebemos que o tempo passa depressa. Aqueles que hoje são nossos pais, avós e tios um dia foram jovens, trabalharam, cuidaram de nós, fizeram planos e também tiveram seus próprios sonhos.

Agora talvez seja a nossa vez de cuidar.

Amor não é somente dizer “eu te amo”. É perguntar se comeu. É telefonar. É visitar. É sentar-se à mesa. É ouvir a mesma história pela terceira vez sem demonstrar impaciência. É levar o neto para conhecer o avô. É ensinar uma criança a abraçar quem envelheceu. É criar dentro da família uma cultura de cuidado.

Porque, perceba antes de ser tarde , o ser humano precisa do outro ser humano.

E talvez uma das maiores lições que podemos deixar para as próximas gerações seja esta: ninguém deveria envelhecer sentindo que se tornou invisível dentro da própria família.

Amar, quando é verdadeiro, não fica apenas na boca.
Amor cria presença. Amor cria rotina. Amor cria pertencimento. E, sobretudo, amor cuida.
 Pense nisso!😉

Fernanda

11 agosto, 2026

As casas onde mora a amizade (Blogs)

Aleatoriamente um toque de poesia



Tenho amigos que visito pouco. Não porque tenham diminuído em importância dentro de mim, mas porque o tempo tem dessas coisas: passa ligeiro, espalha compromissos pelos dias e, quando a gente percebe, já ficou alguma casa querida esperando nossa visita.

Há os amigos que consigo visitar mais. Vou chegando aos poucos, conforme a vida permite, tentando colocar em dia aquilo que o coração nunca deixou atrasado.

E há as férias.
As férias são outro tempo.
É quando consigo andar mais devagar pelas casas dos amigos, uma por uma, por etapas. Entro sem pressa, leio o que escreveram, vejo suas fotografias, encontro suas palavras e, de algum modo, reconheço ali um pedaço de mim também.

Porque cada amigo é uma casa. Algumas a gente visita sempre. Outras ficam um pouco mais distantes, escondidas atrás dos afazeres, mas nunca deixam de ser morada.

E talvez amizade seja justamente isso: não exigir presença o tempo inteiro para continuar existindo.

Há pessoas que a gente não visita todos os dias, mas carrega todos os dias.
Por isso, quando consigo, vou chegando.

Bato à porta.
Leio.
Deixo um carinho.
E sigo para outra casa.

Assim vou percorrendo devagar essa pequena rua de afetos que a vida me deu.
Não consigo visitar todos de uma vez. Mas, quando chego, chego de coração inteiro.

Porque amizade não se mede pelo número de visitas.
Mede-se pelo lugar que alguém continua ocupando dentro da gente, mesmo quando o tempo não nos deixa bater à sua porta.


Fernanda

10 agosto, 2026

Ser poeta

Aleatoriamente um toque de poesia



Ser poeta é uma coisa curiosa. Afinal, o que é a poesia? 

Talvez seja aquilo que sobra quando a palavra já não consegue explicar o sentimento. É o silêncio que aprende a se vestir de frase, a lágrima que se transforma em metáfora, o cotidiano que, de repente, ganha uma janela para o infinito.

E o que precisa o poeta dizer através dela?

Tudo e nada.
Pode homenagear, pode revelar, pode até desvalorizar porque poeta também engloba essências, e nem sempre a beleza mora no que se escreve. Mas existe uma suavidade que não deveria ser esquecida: quando olhamos profundamente para alguém, quase sempre estamos diante de um espelho lembre-se.

O outro está ali, sendo ele.
O reflexo, porém, é nosso.

Há poeta que, sem perceber, escreve tanto sobre o outro que acaba tentando colocar dentro dele a própria personalidade, os próprios medos, suas certezas, suas feridas e até aquilo que gostaria que o outro fosse. E então confunde poesia com julgamento. Mas a poesia verdadeira não precisa diminuir ninguém para fazer alguém crescer.

Ela não precisa transformar o outro em personagem de suas próprias sombras.
Ser poeta é saber que cada pessoa carrega um universo que não nos pertence.

É olhar sem possuir.
É sentir sem invadir.
É escrever sem condenar.

Porque talvez a maior beleza da poesia esteja nisso: ela não diz ao outro quem ele é; ela revela ao poeta quem ele se tornou diante dele. 
E assim, quando escrevo sobre você, talvez eu esteja falando muito mais de mim do que imagino.

O poeta deveria saber disso.
Cada palavra que escolhe é uma pequena janela.
E, vez ou outra, quando termina o poema, descobre que estava olhando para fora apenas para enxergar melhor o que havia dentro.

Ser poeta é isso: é fazer da palavra uma casa, mas ter humildade para lembrar que nem todo mundo que entra nela veio morar.

Alguns apenas passam.
Outros deixam flores.
E há aqueles que nos deixam um refletir apontando o seu interior.

E saiba: Não, Sou sua musa.
E talvez você tenha se enganado ao pensar que ser musa é pertencer ao poeta.
Não pertenço.

A musa não é propriedade da poesia, nem personagem moldada pela vontade de quem escreve. Ela existe antes do poema inteira, imperfeita, dona de seus silêncios e de suas próprias palavras.

Você pode me transformar em verso, pode me vestir de metáforas, pode me colocar entre flores ou tempestades.
Mas não pode me transformar em você.

Se me homenageia, que seja porque encontrou beleza em mim. Se me desvaloriza, talvez esteja apenas conversando com o seu próprio espelho.

Eu sou a musa.
Mas o poema é seu.
E talvez essa seja a parte mais bonita e mais perigosa de ser poeta: descobrir que, enquanto escreve sobre alguém, está inevitavelmente escrevendo um pouco sobre si.

Por isso, não me confunda com suas palavras.
Eu sou muito maior que o personagem que você inventou.

Sou mulher antes de ser musa. Sou história antes de ser metáfora. Sou silêncio antes de ser verso.

E se algum dia eu lhe inspirar um poema, escreva.
Mas não tente me aprisionar nele. Porque musa não é aquela que pertence ao poeta. É aquela que, mesmo depois que o poema termina, continua sendo livre.

Porque aquilo que você enxerga em mim também fala de você.


Fernanda


09 agosto, 2026

Homem também ganha flores

Aleatoriamente um toque de poesia




E hoje, cada criança colocou uma rosa no buquê para André. Não foi apenas uma rosa. Foi um pedaço de amor, um agradecimento pequeno nas mãos de quem ainda está aprendendo a nomear os sentimentos.

Oito crianças. Oito rosas. Oito maneiras diferentes de dizer: pai, nós amamos você.

Olhei para aquele buquê e pensei que existem homens que não precisam de medalhas para serem heróis. Seus feitos não aparecem nos jornais, nem em placas de outdoor.  Estão nas pequenas coisas: no abraço depois do medo, na mão estendida, na paciência, no cuidado, na presença.

André é assim.
Pai de oito, carregando no peito uma espécie de jardim onde cada filho floresce de um jeito. E talvez ser pai seja justamente isso: aprender que nenhuma flor é igual à outra, mas todas precisam de sol, água, cuidado e, sobretudo, presença.

Hoje, as rosas chegaram até ele. E eu fiquei olhando aquela cena com o coração quietinho, porque algumas felicidades não precisam de palavras. Basta olhar.

Para mim, André é mais que o homem com quem divido a vida. É o companheiro das manhãs e das tempestades, o homem que conhece meus jeito de ser , que caminha ao meu lado quando a estrada está com sol ou chuva e que, sem perceber, foi se tornando parte dos meus versos.

Se a minha vida fosse um livro, ele seria uma dessas páginas que a gente lê devagar, com medo de chegar ao fim.

Se fosse uma poesia, eu não precisaria procurar a última estrofe.  Porque há amores que não terminam no ponto final. Eles continuam florescendo.
E hoje, entre oito rosas e oito pequenos corações, eu compreendi mais uma vez:

André é o pai herói deles.
E, para mim, é a minha melhor poesia.

Feliz Dia dos Pais, meu amor.
Que nunca lhe faltem flores porque homens que amam, cuidam e permanecem
também merecem recebê-las.


Fernanda

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