Eu fui um monte de perguntas. Perguntas que andavam descalças pelas ruas quentes, que dormiam com a cabeça encostada na dúvida e acordavam abraçadas ao medo.
Eu fui um monte de porquês sem resposta, um corpo pequeno carregando um mundo grande demais.
Fui silêncio quando ninguém quis ouvir, fui barulho por dentro quando tudo por fora parecia calado.
Eu fui a Fernandinha.
Aquela que muita gente via,
mas poucos realmente enxergavam.
E hoje…
hoje eu sou resposta.
E te digo, com a calma de quem atravessou tempestades: como você conseguiu essa vida?
Ainda há aqueles que perguntam.
Perguntam como se fosse sorte, como se fosse acaso,
como se não tivesse havido noites em que eu olhava a noite e pedia colo e havia o céu aberto como testemunha.
Eu consegui vivendo.
Sobrevivendo primeiro…
e depois escolhendo viver de verdade.
Hoje,
Eu tenho uma família linda e maravilhosa, graças a Deus.
E não é frase pronta, não.
É milagre cotidiano.
É construção de afeto,
é abraço que ficou,
é amor que decidiu não ir embora.
Porque a família…
a família é realmente a base de tudo.
E eu sei.
Eu sei porque já estive no lugar onde não havia paredes, nem teto, nem mesa posta.
Mas hoje eu entendo:
quando eu era apenas a Fernandinha que morava nas ruas, eu não morava sozinha.
Nunca morei.
Ninguém mora.
Deus nunca nos abandona.
Nunca!
Embora a gente não veja,
embora a gente duvide,
embora a gente grite em silêncio achando que ninguém escuta…
Ele está.
Fecha os olhos e sente.
Sente aquele instante em que alguém aparece, aquela mão estendida que chega sem aviso, aquele olhar que acolhe sem perguntar nada.
É Ele!!!
Ele age através da bondade do homem, que de alguma forma ganha asas mas reais
para te ajudar.
Eu vi anjos alguns sem saber o nome deles. Eu fui salva por gestos pequenos que tinham tamanho de eternidade.
E um dia…
eu decidi.
Hackeei o que é bom.
Sim, hackeei.
Invadi a alegria mesmo quando a tristeza batia na porta. “Roubei” esperança dos dias cinzentos.
Quebrei o sistema da dor que dizia que eu não conseguiria.
Eu escolhi o bem.
Mesmo quando o mal parecia mais fácil. E sabe? Isso é decisão.
Não foi sorte.
Não foi mágica.
Foi escolha.
Escolha de continuar.
Escolha de acreditar.
Escolha de não endurecer o coração, mesmo depois de tudo que eu vivi.
Hoje, quando me perguntam,
eu não respondo com números, nem conquistas, nem aparência.
Eu respondo com a mais pura verdade:
Eu só consegui porque Deus nunca soltou a minha mão.
E porque, em algum momento, eu também decidi não soltar a d’Ele.
E é isso que muda tudo sabe?
E é por isso que eu continuo…
É por isso, que mesmo sem ainda poder digitar como eu muito gostaria por enquanto,
peço a André que o faça por mim.
Porque não posso deixar de lembrar desse momento de amor do Pai com seus filhos (todos nós).
Há momentos na vida em que a gente não apenas lembra da própria história a gente ressignifica.
E nesta semana santa,
onde o tempo desacelera para caber reflexão,
onde até o silêncio parece mais profundo,
vamos focar dentro dos nossos corações esse Jesus Cristo…
Esse Jesus que só amou.
E ama. Sem medida, sem cobrança.
Aquele que não perguntou quem você era antes de estender a mão.
Aquele que não exigiu perfeição para oferecer perdão. Aquele que enxergava além da sujeira do interior, além da dor mal resolvida, além da história quebrada.
Jesus via o que a gente podia ser. E talvez seja isso que mais transforma.
Porque quando alguém acredita em você
antes mesmo de você acreditar em si…
algo dentro muda de lugar.
E desse ato d’Ele…
desse amor que não recuou nem diante da cruz… brotou vida.
Brotou esperança.
Brotou recomeço.
Brotou essa força silenciosa
que um dia também me alcançou lá onde ninguém mais parecia ver valor.
Foi desse amor que eu aprendi que não importa de onde você vem,
importa o que você decide fazer com o que sobrou.
E às vezes sobra tão pouco…
mas com Deus, até o pouco floresce.
Nesta semana santa,
não pense só na dor do caminho.
Pensa no amor que sustentou cada passo.
Pensa naquele Jesus cansado, mas ainda assim olhando com ternura.
Ferido, mas ainda assim perdoando.
Caído, mas ainda assim levantando o mundo inteiro com Ele.
Agora… traz isso pra dentro.
Pra dentro do teu coração.
Porque esse mesmo amor
não ficou preso no passado,
nem na cruz, nem na história contada.
Ele continua vivo.
Ele continua acontecendo.
Em cada gesto de bondade.
Em cada escolha de não desistir.
Em cada vez que você decide não endurecer,
mesmo tendo motivos pra isso.
E talvez…
talvez o maior milagre não seja o que aconteceu lá atrás.
Seja o que ainda pode acontecer dentro da gente.
Porque quando esse Jesus habita o coração, a gente deixa de ser só pergunta…
e começa, aos poucos, a se tornar resposta também.
Essa coroa é a prova de que o amor não desiste, mesmo quando é ferido.
🙏
Fernanda
Tenham uma linda quarta feira santa meus amigos!