parece uma amazona que não pede licença ao vento, que atravessa o mundo com firmeza e uma coragem que encanta. E, olhando assim, ninguém diria que há pouco tempo estava com o braço engessado, limitada, impedida de fazer justamente aquilo que mais ama.
Sabia do quanto aquilo doía nela. Não era só o braço. Era a impossibilidade de escrever. E para a Nanda, escrever não é um hábito… é necessidade. É quase como ela mesma diz: “é respirar”. E ver alguém que amamos tentando “respirar com dificuldade”, mesmo sem reclamar, mesmo sorrindo… mexe com a gente. Ela, é ambidestra, tentou dar um jeito de escrever assim mesmo, mas a batida também machucou o dedo mindinho da outra mão, e o dedo da outra mão também enfaixado. Mesmo assim, eu a pegava às vezes tentando escrever escondido, como quem tenta enganar a própria dor. Nunca dramatizou. Nunca fez cena. Mas eu via. Eu sempre via seu esforço.
Foi aí que pensei: precisav a fazer algo. Qualquer coisa que devolvesse a ela um pouco desse ar que faltava. Amor, por que você não grava áudios? Eu escrevo pra você… e posto no seu blog.
Ela gostou. E aquele brilho discreto voltou por um instante. Nem sempre eu conseguia ajudar como queria, a vida também cobra seu espaço… mas só de saber que havia um caminho, já parecia aliviar um pouco o peso. Fernanda é assim. Doce de um jeito que encanta quem a conhece não enfraquece diante de nada só se fortalece como ela mesma diz em Deus! Companheira até nos silêncios. Solidária até quando é ela quem precisa de cuidado. Eu tive uma sorte absurda de encontrá-la nessa vida. E digo isso sem exagero nenhum: sou um homem completamente feliz. Nunca vi uma mãe como ela. Presente de verdade. Amorosa sem medida. Forte sem perder a delicadeza. E esposa além de linda exemplar e companheira. E agora, enquanto ela cavalga, eu a observo daqui. Livre outra vez, inteira no corpo e na alma… eu só consigo olhar e me perder nela de novo. E de novo. E de novo. Me apaixo cada dia e eu nem sabia que isso ainda era possível vivenciar amor, amor, amor. Que Deus te proteja sempre, minha vida! Porque você é o anjo da nossa família. E, sem dúvida nenhuma, a mulher mais maravilhosa deste mundo. Quero que me desculpem, mas não levo muito jeito para escrevernunca levei. As palavras, quando vêm, parecem sempre meio desajeitadas, como se não soubessem bem onde ficar. Mas hoje eu entendo uma coisa que ela sempre disse e que, confesso, eu achava bonito sem compreender totalmente:às vezes, não é a gente que escreve… é o coração que dita. E o meu, quando fala dela, não gagueja. Porque é simples. É direto. É verdadeiro. Eu sinto. Sinto orgulho quando vejo a força dela mesmo nos dias em que ninguém percebe o esforço que foi levantar. Sinto admiração quando ela transforma dor em palavra, silêncio em sentido, e ausência em presença. Sinto paz quando ela está por perto como se o mundo, por alguns instantes, ficasse no lugar certo. E sinto amor… de um jeito que não cabe nessas linhas que tento escrever. Ela me ensinou muita coisa sem nem perceber. Sobre cuidado, sobre presença, sobre ficar principalmente ficar sempre enamorado.E se hoje eu escrevo assim, meio sem jeito, é porque aprendi com ela que não precisa ser perfeito… precisa ser verdadeiro. Então é isso.
Vai ser surpresa eu sei e está é a intenção. Te amo. Do meu jeito. Com as palavras que consigo e com tudo aquilo que nem sei dizer.
(André)💓