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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

14 abril, 2026

Avesso de Asas

Aleatoriamente um toque de poesia




Transcrevo-me em teus silêncios como quem aprende a respirar dentro de um sonho. Há em ti uma poesia que não se explica apenas se passa. E eu, distraída de mim, me deixo ir, palavra por palavra, até caber no intervalo do teu olhar.

És essa espécie rara de beleza que não repousa: uma borboleta de asas incontáveis, que não se limita ao voo, mas reinventa o próprio céu. Em cada batida, um desvio. Em cada cor, um segredo. E eu, tão habituada ao chão, começo a duvidar da gravidade que me prende.

Invento-te no avesso do que é concreto, porque só lá te encontro inteiro. No extremo das coisas que não ousam ser ditas, onde o tempo não pesa e a idade não acusa. Lá, tua existência não envelhece apenas se transforma.

E se me perco, não é descuido: é escolha. Porque há encontros que não pedem rumo, apenas entrega. E no risco de te imaginar, acabo me revelando menos rígida, menos poesia , mais viva.

Talvez amar seja isso: desaprender os limites e aceitar que algumas presenças não cabem no mundo só no verso.

Fernanda

10 abril, 2026

A minha paz

Aleatoriamente um toque de poesia



Demorei a entender que a paz não se pede, nem se compra, nem se encontra em lugares bonitos com cheiro de lavanda. A paz verdadeira não depende do que está fora, mas do que permanece dentro,  mesmo quando tudo ao redor desaba.

Durante muito tempo, acreditei que ela viria quando tudo estivesse “certo”: quando houvesse silêncio na casa de dentro, quando as pessoas  entendessem o que eu queria dizer, quando o dia corresse leve e sem tropeços. Mas descobri que essa paz era frágil, dependente do humor do mundo, das vontades alheias, das circunstâncias que mudam como o vento.

A paz interior é outra coisa. É o instante em que o coração decide não se abalar com o que não pode controlar. É quando escolho não reagir, não carregar o peso do que não é meu. É o momento em que aceito que o barulho lá fora não precisa morar dentro de mim.

A minha paz é um refúgio discreto. Ela não faz barulho, não se exibe, não precisa de aprovação. Vive no gesto simples de respirar fundo antes de responder, no silêncio que substitui a ofensa, na gratidão que ainda encontro mesmo em dias difíceis.

Porque se a minha paz depender das marés do mundo, estarei sempre à deriva. Prefiro ancorá-la em mim, no que sou, no que sinto, no que escolho preservar. Assim, mesmo quando o mundo se agita, dentro de mim o mar permanece calmo.


Fernanda

08 abril, 2026

Numa era antiga

Aleatoriamente um toque de poesia


Sob o céu de Roma Antiga, entre o murmúrio das fontes e o peso dos olhares,
aprendi que o amor de uma mulher quase sempre deve ser silêncio.

Mas contigo… eu desaprendi.

Não fui feita apenas para bordar destinos alheios
nem para assistir, quieta, à vida passar pelas janelas de pedra. Há em mim uma fagulha de sol que nem Vesta conseguiria guardar 
e chama o teu nome.

Quando caminho pelas ruas, envolta em véus e costumes,
carrego em segredo o mais proibido dos desejos:
ser livre o bastante para te amar à luz do dia.

Se os deuses me escutam, que não me julguem 
pois não escolhi sentir assim.
E se amar-te for desafiar o mundo que me cerca,
então que digam: fui ousada.

Porque, entre todas as leis de Roma, nenhuma é mais forte
do que este amor que me habita. 



Fernanda

Postado por André
A desafiei criar um novo estilo de escrita e ela criou.😅


04 abril, 2026

Entre o hoje e o milagre

Aleatoriamente um toque de poesia


“Obrigada Jesus por todo seu amor.” Eu disse isso quase sem perceber, enquanto ouvia esta música e ela me fez chorar bastante sabe? Meu coração estava tão pesado Senhor, e ele ficou tranquilo de novo, como quem organiza não só o peito mas também os sentimentos espalhados pelos cantos da semana.

Amanhã é a Páscoa e, curiosamente, o mundo segue com pressa, como se fosse apenas mais um feriado. Mas aqui dentro, há um silêncio diferente. Um desses silêncios que não pesam… revelam.

Penso que um dia Você veio a este mundo nos ensinar a amar. E não foi um amor bonito de discurso. Foi amor de entrega, de olhar nos olhos, de permanecer quando seria mais fácil ir embora. Amor que perdoa, que recomeça, que acredita mesmo quando ninguém mais acredita.

E eu fico me perguntando, enquanto olho o Céu e penso: será que aprendi? Será que, no meio das minhas pequenas impaciências, das palavras não ditas ou ditas sem jeitinho, eu tenho vivido esse amor?

A Páscoa, eu descobri, não está só no domingo. Ela acontece quando a gente decide ser melhor do que ontem. Quando escolhe a calma no lugar da pressa, o abraço no lugar do orgulho, a fé no lugar do medo.

Talvez ressuscitar seja isso levantar por dentro.

E então, antes de apagar as luzes e encerrar o dia, eu repito baixinho, como quem rega o próprio coração:

Obrigada Jesus por todo seu amor. Porque, no fundo, é ele que ainda me ensina todos os dias a recomeçar. 


Fernanda
Postado por André
Feliz Páscoa!



02 abril, 2026

Quando o Céu cantou na Sexta -Santa

Aleatoriamente um toque de poesia


“Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados.”

Na Terra, era silêncio.
As ruas pareciam mais lentas, os corações mais apertados, os olhos marejados ao lembrar da cruz. Para muitos, aquela sexta-feira carregava o peso da dor, da perda, da injustiça.

Mas no Céu…
No Céu não havia tristeza.

Havia reverência.
Havia compreensão.
E, acima de tudo, havia um amor tão grande que não cabia no silêncio ele precisava ser cantado.

Os anjos sabiam.

Sabiam que aquele momento não era o fim.
Sabiam que cada gota de sangue derramada não era derrota, mas entrega.
Sabiam que a cruz não era um ponto final… era ação.

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito…”
Evangelho de João

E quando o corpo de Cristo foi levantado na cruz, algo que não pode ser apreciado aos olhos humanos aconteceu.

O Céu se moveu.

Não em desespero 
mas em adoração.

As hostes celestiais, que desde o princípio contemplavam a glória, agora contemplavam o amor em sua forma mais profunda: o sacrifício.

E então, eles cantaram.

Não um canto de lamento,
mas um cântico de redenção.

“Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.”

Cada nota carregava significado. Cada voz anunciava o que a Terra ainda não compreendia completamente: Aquele ato abalava Céus e terra. Reescrevia destinos.
Rasgava véus. “E o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo…”

O acesso estava aberto.
O amor havia vencido.

Enquanto muitos choravam na Terra, o céu celebrava o que viria: a reconciliação, a esperança, a vida que nasceria da morte. Porque a cruz nunca foi sobre o fim. Foi sobre o recomeço.

E naquele dia, a sexta-feira que parecia escura aos olhos humanos, brilhava intensamente no céu.

Não como dor…
mas como a maior prova de amor já vista.

“Está consumado.”

E se fanzendo ouvir essas palavras, o Céu não se calou.
Ele cantou.

Porque havia entendido, desde sempre,
que o amor verdadeiro…
quando se entrega, não perde. Ele salva.

“E, chegando a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra até a hora nona.”

Na Terra, a escuridão assustava.
Era como se o próprio mundo não soubesse como reagir àquele momento. O céu escurecido, o chão que tremia, o silêncio pesado entre aqueles que assistiam sem compreender completamente.

Mas no Céu…
Nada era confusão.

Os anjos não se desesperavam eles contemplavam.
Sabiam que aquele instante, tão incompreendido pelos homens, era o cumprimento de uma promessa antiga. “Certamente, tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si.”

Cada passo de Cristo até a cruz já estava escrito no coração da eternidade.
E ainda assim…
não era menos doloroso.

Porque o amor verdadeiro não anula a dor 
ele a transpassa.

Os anjos olhavam.
Não podiam interferir.
Não podiam impedir.
Mas podiam testemunhar.
E, em reverência, eles se curvavam.

“Humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.”

Havia algo sagrado naquele sofrimento.
Algo que não era derrota, mas decisão.
Cristo não foi levado 
Ele se entregou.
E o Céu reconhecia isso.
Enquanto os homens viam um fim,
os anjos viam um início.

Enquanto a dor ecoava na Terra,
a esperança começava a nascer no que não pode ser apreciado.

“Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia dito.”

Ainda não era domingo…
mas o céu já sabia.
E por isso, mesmo diante da cruz, havia cânticos.
Baixos, reverentes, quase como um sussurro entre as estrelas.
Porque o amor estava cumprindo seu propósito.

E quando, por um instante, tudo pareceu silêncio 
não era ausência…
Era o universo inteiro prendendo a respiração
diante do maior ato de amor já vivido.

“Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.”

E naquele momento…
O Céu não chorou como a Terra.
O Céu adorou.

Porque, desde o princípio,
a cruz não era o fim da história…
Era o começo da redenção.
Aleluia!


Fernanda

E, no fim de tudo, permanece a verdade mais bonita de todas: quem confia em Deus nunca transpassa dores em vão  mas para renascer.🙏🏻

Postado por André

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