Tenho pensado
Muito na escrita.
Talvez porque escrever seja uma maneira bastante elegante de conversar comigo mesma sem parecer que estou falando sozinha. E, convenhamos, aos olhos dos outros, isso sempre parece um pouco mais sofisticado quando há um teclado envolvido. 😉
Ultimamente, tenho vontade de escrever diferente.
Não quero abandonar o meu estilo o que observa como se ele tivesse alguma coisa importante a dizer, que encontra poesia numa planta nascendo torta e que desconfia seriamente de qualquer pessoa que diga “está tudo bem” depressa demais.
Mas quero experimentar outro tom. Quero aproximar a escrita da psicologia.
Talvez contar uma história que pareça, à primeira vista, apenas um estudo de caso. Uma pessoa chega, senta-se diante de alguém e começa a contar aquilo que ninguém vê. Fala do medo, da culpa, das pequenas perdas, das coisas que guarda para não incomodar ninguém.
E então acontece uma coisa interessante. Quem está lendo começa a reconhecer alguma coisa naquela pessoa.
Um pensamento.
Uma lembrança.
Uma ferida antiga que, até aquele instante, estava muito bem escondida atrás de uma rotina aparentemente normal.
É aí que eu gostaria de brincar com a escrita.
Não para diagnosticar ninguém Deus me livre! Já basta a quantidade de gente que faz isso gratuitamente por aí. Mas para provocar aquele pequeno instante de reconhecimento.
Talvez a pessoa diga que não sabe por que se sente triste.
E a pessoa que lê, pense que sabe. Depois ela conte que se acostumou a resolver tudo sozinha. E o leitor pare de achar tão estranho.
Até que, em algum momento da conversa, ela perceba que passou tanto tempo tentando ser forte que se esqueceu de perguntar a si mesma se ainda queria continuar carregando tudo daquele jeito.
E é nesse ponto que eu gostaria que a terapia começasse a acontecer.
Não como uma mágica.
Não com aquelas frases bonitas que parecem resolver uma vida inteira em três linhas.
Mas devagar.
Como acontece de verdade.
Uma pergunta hoje.
Uma compreensão amanhã.
Um limite aprendido depois.
Uma lágrima que finalmente pode cair sem precisar pedir desculpas.
Uma pessoa descobrindo que não precisa deixar de ser quem é para começar a cuidar de quem se tornou. Essa é a possibilidade que eu esteja procurando: Na minha scrita contar histórias que façam companhia.
Histórias nas quais alguém possa entrar sem bater à porta, sentar-se por alguns minutos e pensar:
“Meu Deus… acho que essa história também é um pouco minha.”
Então, se vocês perceberem por aqui uma Fernanda meio depressiva ultimamente, não se assustem. 😉
Estou apenas treinando minha psicologia.
Eu já havia contado que estou fazendo esse curso, não havia? Pois é.
Cheguei até ele com uma vontade imensa de compreender melhor as pessoas, especialmente aquelas que muitas vezes passam pela vida sendo pouco escutadas: crianças, idosos, gente que carrega dores e até aquelas pessoas que aprenderam a sorrir tão bem que ninguém mais pergunta se estão felizes.
E talvez eu esteja descobrindo que estudar psicologia também muda o jeito de escrever.
A gente começa a desconfiar das aparências.
A ouvir o que não foi dito.
A perceber que um comportamento quase sempre tem uma história por trás. E, principalmente, aprende que nem toda dor precisa terminar em tristeza.
Algumas dores, quando encontram escuta, podem finalmente encontrar outro caminho.
É por isso que, apesar do tom mais sombrio de algumas histórias, existe em mim uma alegria enorme.
Estou estudando psicologia.
Estou aprendendo.
Estou escrevendo de outro jeito. E, entre uma teoria, uma história, uma dúvida e outra, vou descobrindo que talvez eu não esteja apenas treinando minha psicologia.
Talvez esteja aprendendo uma nova maneira de olhar para a vida. E sou profundamente grata a Deus por isso. Porque, sinceramente?
Nunca estive tão feliz.
Fernanda
Para esse texto sobre esta escrita:
psicologia, conflito interior e transformação, uma frase de Carl Jung combina muito:
“Até que você torne o inconsciente consciente, ele dirigirá sua vida e você o chamará de destino.”