Hoje, enquanto eu caminhava pela rua como quem não quer nada mas querendo tudo que é afeto pensei em como certos comportamentos são quase um experimento vivo, digno de Ivan Pavlov.
Saí para caminhar. Cumprimentei pessoas. Sorri. E fui me deixando no ar pelos vizinhos que já não sabiam mais o que me oferecer para comer. Fui visitar sem intenção, ou talvez com aquela intenção silenciosa que só o coração entende.
Por quê?
Porque me convidaram para um cafezinho.
E cafezinho… eu nunca dispensei.
Dona Virgínia disse que se eu fui na casa de Dona Margarete, também teria que ir na casa dela. Hahaha. Que engraçado. Era quase uma disputa de carinho, dessas que aquecem mais que o próprio café. Eles já não sabiam mais como me agradar e eu ali, feliz, experimentando cada gesto como quem saboreia uma teoria na prática.
E pensando bem… Pavlov descobriu que o cachorro salivava ao ouvir a campainha porque aprendeu a associar o som à comida. Eu, por outro lado, talvez já esteja condicionada ao som da palavra “cafezinho”. É só ouvir que o sorriso vem. A resposta é automática. Estímulo e afeto.
Mas diferente do cachorro, eu escolho.
Escolho aceitar.
Escolho retribuir.
Escolho ficar mais um pouquinho.
Depois, meu pai apareceu à minha procura, preocupado.
“Filha, eu ia sair, mas estava te procurando… Não ouvi você avisar que iria sair.”
E eu respondi: Pai, só meu braço está no gesso, viu? Não se preocupe. Eu estava escolhendo a melhor parte.
Porque experimentar é viver o convite.
Escolher é decidir onde o coração quer pousar.
E hoje, entre cafés, risos e vizinhos disputando minha presença, eu percebi que a vida também nos condiciona ao carinho. Mas permanecer nele… é sempre uma escolha.
Fernanda