Há dias em que a vida nos dobra. Não quebra, não parte, só dobra feito galho molhado depois da chuva. A gente sente o peso, o frio, o vento contrário. E pensa: “acho que dessa vez não volto ao lugar de antes”. Mas volta. De outro jeito, talvez mais torto, mais sábio, mais terno ainda mas, volta.
Resiliência não é resistência. Resistir é ficar imóvel, peito travado, sem deixar o mundo entrar. Ser resiliente é o contrário: é permitir-se atravessar. É aceitar o susto, a dor, o medo, e ainda assim continuar se abrindo para o dia seguinte.
Eu já fui aquela que tentava controlar o destino com as duas mãos, como quem segura uma corda curta demais. Hoje, aprendo que o segredo está em soltar um pouco. Deixar o tempo ensinar o que o orgulho não deixa ouvir. Há quem pense que resiliência é força. Talvez seja, mas uma força mansa. Daquelas que não gritam, só persistem. A força das mães que reconstroem os dias, dos que perdoam mesmo sem desculpa, dos que seguem mesmo cansados.
O mundo anda apressado demais pra notar a beleza dos recomeços silenciosos. Mas há uma graça enorme em quem, depois de cair, limpa o rosto e diz: “vamos de novo”.
Resiliência é fé em movimento. É o verbo esperançar em sua forma mais íntima.
E quando o vento dobrar outra vez, como sempre faz, que a gente se lembre: não é o fim, é apenas o tempo ensinando a curvar sem perder a essência.
Fernanda