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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

29 agosto, 2025

Colo de sogra

Aleatoriamente um toque de poesia
Crônica 




Tenho duas sogras que moram conosco. No entanto não as tenho como sogras e sim como mães.
Hoje, tive “colo” da minha sogra-mãe Laila.
Ela sempre foi mãe, desde o tempo em que eu conheci Felipe e éramos apenas amigos. Sim, antes de aceitar namorá-lo, fiz questão de ser sua amiga. Achei rápido demais virar namorada, mas foi exatamente assim que aconteceu: de repente.

A mãe dele me amou desde a primeira vez  e eu a ela. E esse amor foi crescendo. Hoje, quando olho para essa mulher forte e apaixonante, percebo que o carinho que sinto não diminuiu com o tempo, só aumentou. Ela foi mãe do meu primeiro amor, e foi através dele que conheci um mundo diferente do que eu conhecia.

Hoje, depois de um dia cansativo, cheguei, tomei um banho e me deitei no sofá com a cabeça em seu colo. Suas mãos acariciaram meus cabelos até que adormeci ali, no mais puro gesto de cuidado. Agradeci a Deus por ela, por esse afeto tão raro e verdadeiro.

Muita gente me conta histórias de desencontros com sogras, mas eu não consigo entender. Talvez porque eu tenha tido a sorte de encontrar o amor de uma segunda mãe. E eu aprendi que amor com amor se paga  quanto mais se dá, mais ele se multiplica.

Hoje eu dormi no colo de outra mãe que não me pariu, mas que a vida me deu. E poucas coisas no mundo são tão bonitas quanto esses presentes que o destino nos reserva.

A mãe de André também é minha mãe. Sou grata por ter mais de um coração a me acolher. Grata por mãe 1, mãe 2, mãe 3. Cada uma com seu jeito, cada uma com sua força, cada uma deixando em mim a marca de um cuidado que eu tanto sonhei.
Mãe Cris, mãe Laila, mãe Cláudia.

Quando criança, não tive sequer uma. Faltava-me esse colo que hoje se multiplica.
E é como se a vida tivesse guardado em segredo um presente tardio: três mães que me amam, me recebem e me completam.

Eu, que tanto lamentei a ausência, hoje celebro a abundância.
Não tenho uma só história de maternidade, tenho três. Três lares dentro de um só peito. Três colos onde posso descansar minha cabeça e sentir que pertenço.

E penso que talvez seja exatamente isso o amor: um milagre que se divide e não se diminui, só cresce.
A menina que não teve mãe ganhou, já adulta, três mulheres para chamar de mãe.
E não é exagero dizer que, por vezes, sinto que a vida me pediu paciência só para me surpreender com tanto afeto depois.

Hoje não tenho falta, tenho sobra.
E aprendi que, mesmo quando a vida parece negar, o amor sempre encontra um jeito de chegar.

Por isso, não entendo quando alguns falam o contrário de suas sogras.
Eu tenho duas que chamo e amo como mãe. Duas que me receberam sem reservas, sem cobranças, apenas com amor. E sei que isso não é pouco. Sei que é tesouro.

Sei também que a vida, às vezes, compensa nossas ausências com abundâncias inesperadas. Onde me faltou mãe na infância, hoje transborda em dobro, em triplo.
Eu poderia ter cultivado mágoas, poderia ter fechado o peito. Mas Deus, na sua delicadeza, me mostrou que o amor chega de muitas formas e que mãe também pode ser escolhida pelo coração.

E assim caminho, com a sorte de ter não apenas uma, mas várias mães. Mulheres que me inspiram, me seguram quando tropeço e me oferecem colo quando preciso apenas descansar.
São presentes vivos, lembretes de que o amor verdadeiro não conhece títulos, apenas gestos.

No fundo, o que importa não é o nome que damos, mas o cuidado que recebemos. E nesse cuidado, eu sei: sou filha.
Por isso o meu conselho: amem as suas sogras, elas lhes deram o amor da sua vida.
Um dia, você será sogra de alguém e receberá o que plantou de volta.😜



Fernanda

2 comentários:

  1. Maravilha de depoimento Tri Fernanda!
    O amor não tem mesmo limite, é puro, divino e viva este carinho, este aconchego e seja feliz em cada colo. Deus te abençoe nesta paz que afaga seu coração.
    Carinhoso abraço amiga e feliz fim de semana.

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  2. Boa noite de Paz, querida amiga Fernanda!
    Um depoimento que não merece falsidade no comentário.
    Coração que se entrega merece reciprocidade.
    Nunva tive colo de mãe nem de sogra. Não sei como é.

    Por outro lado, minha nora me chama de 'mãe 2' desde que me conheceu.
    Hoje, só tenho pouco a falar.
    Que bênção você ter um amor assim!
    Que continue!
    Tão maravilhoso é ter colo quando precisamos.
    Sejam felizes e abençoadas!
    Beijinhos fraternos

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)