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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

22 janeiro, 2026

PESSOA, Chama Amor de Exagero

Aleatoriamente um toque de poesia
Crônica 


Disse a pessoa com aquele tom de falsa lucidez que costuma andar de mãos dadas com a arrogância emocional, que meus textos são melados demais. E escreveu como quem aponta um defeito técnico, um erro de estilo, uma falha de caráter literário. E ainda veio acompanhado de outras falácias e xingamentos que escolhi não reproduzir, não por falta de memória, mas por excesso de amor-próprio.

Porque há ofensas que não merecem moradia na palavra. E eu aprendi, com o tempo, que nem todo lixo precisa ser reciclado em resposta.

O curioso é que ninguém reclama de textos cheios de ódio, ironia vazia ou frieza disfarçada de inteligência. Mas basta alguém escrever com afeto, delicadeza e profundidade emocional para virar alvo. Amor incomoda. Amor expõe. Amor escancara aquilo que muita gente passou a vida inteira tentando esconder: a própria carência, os afetos mal resolvidos, a dificuldade de sentir sem armadura.

Meus textos são melados, sim. São melados porque eu não escrevo com luvas. Escrevo com as mãos nuas, tocando a vida como ela é: quente, confusa, intensa, às vezes doce demais, às vezes amarga demais. E eu prefiro assim. Prefiro exagerar na ternura do que viver em dieta emocional.

Quem se incomoda com o meu jeito de escrever, quase nunca está falando de mim. Está falando de si. Da própria incapacidade de sustentar sensibilidade sem desconforto. Porque autoconhecimento não é apenas meditar, fazer cursos ou repetir frases bonitas é ter coragem de encarar o próprio deserto interno quando alguém passa distribuindo flores.

Já quis ser dura. Já achei que precisava escrever com menos coração para ser levada a sério. Já tentei caber em moldes alheios, diminuir minha emoção, aparar minhas palavras. Resultado: não consigo! Adoeci  por dentro só de ter tentado. Hoje entendo que minha escrita não é estilo, é sobrevivência. É o jeito que encontrei de respirar melhor. Somos únicas ela e eu.

E se isso incomoda, paciência. Não posso anestesiar minha sensibilidade para proteger o desconforto dos outros. Não posso amputar a própria alma para não ferir quem prefere viver anestesiado.

Há quem leia meus textos e sinta acolhimento. Há quem sinta incômodo. Ambos estão certos: cada um lê a partir do lugar emocional em que habita. Eu sigo escrevendo do meu um lugar imperfeito, mas vivo. Um lugar onde ainda se acredita no amor como força, na ternura como resistência e na palavra como ponte.

No fim, aprendi algo precioso: não é o mel do meu texto que incomoda. É o amargor que o outro ainda não conseguiu curar.

E eu sigo. Com amor. Com consciência. Com coragem.
Porque autoconhecimento também é isso: escolher ser inteira, mesmo quando tentam te reduzir. 

E sigo escrevendo, mesmo quando torcem o nariz, mesmo quando tentam me enquadrar no rótulo fácil da “emocional demais”. Como se sentir fosse um erro de fábrica. Como se o ideal fosse virar máquina: produzir, reagir, consumir, dormir sem chorar, sem vibrar, sem se comover.

Mas eu me recuso a esse modelo frio de existência. Eu escolhi ser presença. Escolhi sentir o peso dos dias e ainda assim levantar com alguma delicadeza no bolso do peito. Porque a vida já é dura demais para eu endurecer junto.

Aprendi, com o tempo, que quem ataca o amor quase sempre está cansado de não recebê-lo. Não sabe pedir. Não sabe acolher. Não sabe sustentar vínculos sem controle. Então transforma carência em crítica e frustração em ironia. É mais confortável ferir do que admitir que se precisa de afeto.

Enquanto isso, eu sigo aqui, escrevendo minhas crônicas “meladas”, que na verdade são cartas abertas à humanidade. São tentativas de lembrar que ainda existe gente sensível neste mundo apressado. Que ainda há quem chore vendo o pôr do sol. Quem se emocione com uma palavra simples. Quem abrace com verdade.

E se minha escrita soa exagerada, é porque minha vivência também é. Eu não passo pela vida de mansinho. Eu sinto fundo, amo fundo, erro fundo, aprendo fundo. Prefiro profundidade ao raso confortável. Prefiro intensidade consciente ao vazio elegante.

Autoconhecimento não me fez mais fria. Me fez mais responsável com o que sinto. Me ensinou a não projetar minhas dores nos outros, a não cuspir frustrações em forma de comentário maldoso, a não usar a palavra como arma, mas como construção. 

Hoje entendo que escrever com amor é um ato político silencioso. Num mundo que lucra com ódio, dividir ternura é quase um ato de rebeldia. E eu aceito esse rótulo com orgulho. Rebelde do afeto. Subversiva da delicadeza.

Porque no fundo, muito fundo, sei que até quem diz não gostar de ler… ainda sente. Ainda carrega histórias não contadas, feridas caladas, saudades engavetadas. E é aí que minha escrita chega, sem pedir licença.

E deixo, então, minha jogada final não como provocação, mas como espelho:

Você pode não gostar dos meus textos, mas se algo em você doeu ao lê-los, não foi a palavra que machucou… foi a verdade que você vem evitando sentir.

Fernanda

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

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