Crônica
Disse a pessoa com aquele tom de falsa lucidez que costuma andar de mãos dadas com a arrogância emocional, que meus textos são melados demais. E escreveu como quem aponta um defeito técnico, um erro de estilo, uma falha de caráter literário. E ainda veio acompanhado de outras falácias e xingamentos que escolhi não reproduzir, não por falta de memória, mas por excesso de amor-próprio.
Porque há ofensas que não merecem moradia na palavra. E eu aprendi, com o tempo, que nem todo lixo precisa ser reciclado em resposta.
O curioso é que ninguém reclama de textos cheios de ódio, ironia vazia ou frieza disfarçada de inteligência. Mas basta alguém escrever com afeto, delicadeza e profundidade emocional para virar alvo. Amor incomoda. Amor expõe. Amor escancara aquilo que muita gente passou a vida inteira tentando esconder: a própria carência, os afetos mal resolvidos, a dificuldade de sentir sem armadura.
Meus textos são melados, sim. São melados porque eu não escrevo com luvas. Escrevo com as mãos nuas, tocando a vida como ela é: quente, confusa, intensa, às vezes doce demais, às vezes amarga demais. E eu prefiro assim. Prefiro exagerar na ternura do que viver em dieta emocional.
Quem se incomoda com o meu jeito de escrever, quase nunca está falando de mim. Está falando de si. Da própria incapacidade de sustentar sensibilidade sem desconforto. Porque autoconhecimento não é apenas meditar, fazer cursos ou repetir frases bonitas é ter coragem de encarar o próprio deserto interno quando alguém passa distribuindo flores.
Já quis ser dura. Já achei que precisava escrever com menos coração para ser levada a sério. Já tentei caber em moldes alheios, diminuir minha emoção, aparar minhas palavras. Resultado: não consigo! Adoeci por dentro só de ter tentado. Hoje entendo que minha escrita não é estilo, é sobrevivência. É o jeito que encontrei de respirar melhor. Somos únicas ela e eu.
E se isso incomoda, paciência. Não posso anestesiar minha sensibilidade para proteger o desconforto dos outros. Não posso amputar a própria alma para não ferir quem prefere viver anestesiado.
Há quem leia meus textos e sinta acolhimento. Há quem sinta incômodo. Ambos estão certos: cada um lê a partir do lugar emocional em que habita. Eu sigo escrevendo do meu lugar imperfeito, mas vivo. Um lugar onde ainda se acredita no amor como força, na ternura como resistência e na palavra como construção.
No fim, aprendi algo precioso: não é o mel do meu texto que incomoda. É o amargor que o outro ainda não conseguiu curar.
E eu sigo. Com amor. Com consciência. Com coragem.
Porque autoconhecimento também é isso: escolher ser inteira, mesmo quando tentam te reduzir.
Sigo escrevendo, mesmo quando torcem o nariz, mesmo quando tentam me enquadrar no rótulo fácil da “emocional demais”. Como se sentir fosse um erro de fábrica. Como se o ideal fosse virar máquina: produzir, reagir, consumir, dormir sem chorar, sem vibrar, sem se comover.
Mas eu me recuso a esse modelo frio de existência. Eu escolhi ser presença. Escolhi sentir o peso dos dias e ainda assim levantar com alguma delicadeza no bolso do peito. Porque a vida já é dura demais para eu endurecer junto.
Aprendi, com o tempo, que quem ataca o amor quase sempre está cansado de não recebê-lo. Não sabe pedir. Não sabe acolher. Não sabe sustentar vínculos sem controle. Então transforma carência em crítica e frustração em ironia. É mais confortável ferir do que admitir que se precisa de afeto.
Enquanto isso, eu sigo aqui, escrevendo minhas crônicas “meladas”, que na verdade são cartas abertas à humanidade. São tentativas de lembrar que ainda existe gente sensível neste mundo apressado. Que ainda há quem chore vendo o pôr do sol. Quem se emocione com uma palavra simples. Quem abrace com verdade.
E se minha escrita soa exagerada, é porque minha vivência também é. Eu não passo pela vida de mansinho. Eu sinto fundo, amo fundo, erro fundo, aprendo fundo. Prefiro profundidade ao raso confortável. Prefiro intensidade consciente ao vazio elegante.
Autoconhecimento não me fez mais fria. Me fez mais responsável com o que sinto. Me ensinou a não projetar minhas dores nos outros, a não cuspir frustrações em forma de comentário maldoso, a não usar a palavra como arma, mas como construção.
Hoje entendo que escrever com amor é um ato político silencioso. Num mundo que lucra com ódio, dividir ternura é quase um ato de rebeldia. E eu aceito esse rótulo com orgulho. Rebelde do afeto. Subversiva da delicadeza.
Porque no fundo, muito fundo, sei que até quem diz não gostar de ler… ainda sente. Ainda carrega histórias não contadas, feridas caladas, saudades engavetadas. E é aí que minha escrita chega, sem pedir licença.
E deixo, então, minha jogada final não como provocação, mas como reflexão:
Você pode não gostar dos meus textos, mas se algo em você doeu ao lê-los, não foi a palavra que machucou… foi a verdade que você vem evitando sentir.
Fernanda
Mi querida amiga Fernanda, mi consejo es que no hagas ni caso de los comentarios de este tipo de personas que no tienen otra forma de pasar su aburrida vida que incordiando a los demás.
ResponderExcluirYo por motivos parecidos entre otros también tuve que poner la moderación de comentarios.
Al igual que tú por circunstancias de la vida cuando escribo lo hago con el corazón y el alma, con la melancolía, añoranza y tristeza por las ausencias que me es muy difícil evitar.
Pero cuando escribes es inevitable que tú pesar quede reflejado en tus letras.
No dejes de hacerlo. Vibramos y sentimientos con tus letras, tus reflexiones y tus palabras.
Un fuerte abrazo con todo mi cariño y amistad
Nanda, por favor, continua do TEU jeitinho! É ele que nos faz vir aqui, com o maior prazer te ler e degustar tuas escritas! ADORO! E ainda mais que sabemos bem que nunca agradaremos a todos,né? Segue firme! beijos, chica
ResponderExcluirOi, Fernanda! Boa tarde! Já me falaram isso também. Disseram que meu estilo de escrita não é exatamente o que conforta o leitor. Quase desisti por causa disso, mas depois pensei melhor e continuei escrevendo. Até hoje, sigo nessa. Existe um padrão de escritor que muita gente idolatra, e o mercado literário também tende a favorecer esse tipo. Não tenho nada contra, mas não consigo me conectar de verdade com a literatura superficial. O que realmente me agrada é quem escreve com profundidade. E a sua escrita é assim. Se você deseja construir uma carreira na literatura nacional com grandes editoras, é fundamental adaptar seu estilo de escrita. Isso não significa que sua escrita seja ruim, mas sim que é importante alinhar-se ao que o mercado está buscando. Sejanos sinceros o mercado editorial nacional idolatra a literatura superficial porque dá lucro, não?
ResponderExcluirUm abraço Fernanda!
Amiga Fernanda, boa tarde de paz!
ResponderExcluirAgora, já fiz um monte de coisas no meu dia, venho aqui com toda calma do mundo, porque adoro seu mel (melado)...
Os incompetentes invejam os potenciais que eles não têm e pensam que podem destruir o nosso.
Também estou com excesso de amo-próprio, graças a Deus!
No meu edifício, como em todos das cidades civilizadas, temos dois carrinhos de lixo, põe o que recebeu e tem recebido nos não recicláveis para serem expelidos como excrementos.
Não se deixe feder com odores estragados e contaminados que estão por aí na sociedade pensando que são grande gente. Usam lupa para ver nossos defeitos e minimizam os dele que enxergamos de longe... coitados!
"Ter coragem de encarar o próprio deserto interno quando alguém passa distribuindo flores."
Que bonito o que diz aqui acima...
O deserto precisa ser aproveitado para nosso próprio bem, infelizmente nem todos o valorizam e não crescem.
Meus desertos me serviram para eu dar valor ao oásis que vivo atualmente.
Hoje mesmo eu conversava com um amigo que não vou diminuir minha emoção para agradar uma sociedade vulnerável e egoísta. Tenho só uma vida para viver...
"Não posso anestesiar minha sensibilidade para proteger o desconforto dos outros. "
Per-fei-to!
"O amargor que o outro ainda não conseguiu curar."
Que procurem ajuda psiquiátrica os insensíveis, precisam de grande cura interior!
"Autoconhecimento também é isso: escolher ser inteira, mesmo quando tentam te reduzir. "
Per-fei-tís-si-mo!
Emocional demais x cruel demais...
Com quem ficar?
Nem precisa responder...
"A vida já é dura demais para eu endurecer junto."
Seer forte sem jamais perder a ternira é preciso e urgente.
"Quem ataca o amor quase sempre está cansado de não recebê-lo. "
É por isso que, mesmo sem ter alguém comigo, eu segui escrevendo sobre o sentimento amor inexplicável que habita em mim, as pessoas morrem, mas o amor fica em nosso coração.
"Eu não passo pela vida de mansinho. Eu sinto fundo, amo fundo, erro fundo, aprendo fundo. Prefiro profundidade ao raso confortável. Prefiro intensidade consciente ao vazio elegante."
Tanta verdade você disse aqui e tudo fez ressonância em mim... TUDO.
Você sabe o que é a-u-t-o-c-o-n-h-e-c-i-m-e-n-t-o com todas as letras:
"Me ensinou a não projetar minhas dores nos outros, a não cuspir frustrações"
Bravo!
"Escrever com amor é um ato político silencioso. "
"Dividir ternura é quase um ato de rebeldia."
Somos taxadas de desequilibradas porque o mundo anda rude e, na sua aspereza, não sente mais nada que venha do coração, só do cérebro fedorento cheio de rótulos ultrapassados, sem Amor.
Não peça licença a ninguém, escreve tudo que bem entender, pois nossa escrita é livre e cheia de amor bom e puro.
Deixe que a PESSOA se encontre, como nos nos encontramos com o esforço pessoal e a ajuda divina.
Com amor fraterno,
Sua amiga também melosa... graças a Deus!
Beijinhos
Olha, acho qualquer crítica valida, até às gratuitas, apesar de não gostar delas..rs
ResponderExcluirAs pessoas podem criticar e demonstrar seu gosto literário, de preferência mantendo a boa educação se estiver falando diretamente com o autor/a.
Ninguém deve mudar seu estilo de escrever por causa de uma crítica, mas considero mudanças que visem melhorar como se escreve. Eu gosto de ler livros sobre escrita.
Teu estilo é meloso? Pode ser, mas nem todo mundo é diabético.