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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

14 janeiro, 2026

Toda obra de arte carrega algo do seu autor.

Aleatoriamente um toque de poesia



Há quem procure Deus nas alturas,
há quem o busque nos livros,
há quem espere um sinal escrito no céu.

Eu aprendi a reconhecê-Lo em silêncio,
no que pulsa, cresce e insiste em viver.

Dizem que o nosso DNA é código,
sequência, combinação de letras químicas.
E é.
Mas para quem olha com os olhos da fé,
ele é também mensagem.

Não uma palavra escrita para ser lida,
mas uma intenção gravada para ser sentida.

Toda obra de arte carrega algo do seu autor.
O traço, a escolha, o cuidado,
até o modo como a luz repousa sobre a forma.
E se somos obra divina,
como não carregaríamos também essa assinatura?

Talvez o nome de Deus não esteja escrito
como os nomes humanos se escrevem.
Talvez esteja inscrito no “eu sou”
que habita cada célula viva.
No milagre da multiplicação de uma vida.
Na ordem que nasce desorganização.
Na beleza que sobrevive mesmo na fragilidade.

O DNA, esse livro microscópico,
não pronuncia letras sagradas,
mas revela uma inteligência amorosa
que organiza, sustenta e renova.
Para a ciência, é estrutura.
Para a fé, é testemunho.

Deus não precisou gravar Seu nome
para ser reconhecido.
Ele se assinou no ato de criar,
no sopro que anima,
no mistério que nenhuma lâmina consegue cortar,
nem nenhum microscópio esgotar.

Crer nisso não é negar a ciência.
É permitir que ela seja construção,
não muro.
É aceitar que existem verdades
que não cabem apenas nos olhos,
mas florescem no coração.

E assim sigo crendo:
não levo o nome de Deus escrito em letras,
mas carrego Sua assinatura em vida.
E isso, para mim, é suficiente.
Obrigada Pai!


Fernanda

Um comentário:

  1. Lindíssimo,Nanda e assim todos devemos ver o nome de Deus, escrito no EU SOU e nas sutilezas que nos mostra a vida! beijos, tudo de bom,chica

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)