Ando reparando como as pessoas estão procurando outras formas de comunicação. Cansaram do grito, do excesso, da pressa. Estão migrando de plataformas, testando formatos, buscando novos jeitos de dizer e, principalmente, de serem ouvidas. Há uma inquietação no ar, um desejo silencioso de voltar a conversar de verdade.
No meio desse movimento, os blogs seguem ali. Discretos. Quase fora de moda. E, paradoxalmente, mais necessários do que nunca.
Enquanto o mundo digital corre atrás de segundos, curtidas e algoritmos, o blog permanece como uma casa antiga de janelas abertas. Ali ainda se entra sem empurrão, sem disputa por atenção. Senta-se. Lê-se devagar. Respira-se junto. O texto não precisa gritar para existir.
Vejo muita gente redescobrindo esse espaço como quem encontra um velho amigo esquecido numa gaveta da memória. Porque o blog pede presença. Não exige performance pede verdade. É território de quem escreve para permanecer, não apenas para aparecer.
E talvez seja isso que tanta gente esteja buscando: um lugar onde a palavra não seja descartável. Onde a dor possa ser dita sem virar entretenimento. Onde a alegria não precise ser editada. Onde o silêncio entre um parágrafo e outro também faça parte da conversa.
Os blogs são jardins. Não crescem rápido, mas criam raízes. Não viralizam, mas permanecem. Não explodem florescem.
Num tempo em que tudo some em vinte e quatro horas, escrever num blog é quase um ato de resistência emocional. É dizer: eu fico. Eu construo. Eu cultivo.
Talvez o futuro da comunicação não esteja apenas nas novidades tecnológicas, mas nessa volta delicada ao essencial: pessoas falando com pessoas, sem filtros demais, sem pressa demais, sem máscaras demais.
E se for assim, os blogs não são passado. São abrigo. São memória viva. São chão.
E eu sigo acreditando neles. Porque ainda há quem queira ler com o coração.
E não é curioso perceber que, enquanto tudo se acelera, cresce também o desejo de desacelerar? Vejo isso nos comentários mais longos, nas mensagens privadas cheias de cuidado, naqueles que dizem: “li devagar”, “voltei para reler”, “me senti em casa”. São sinais pequenos, mas luminosos, de que ainda existe fome de profundidade.
Porque o excesso de ruído cansou. Cansou a alma. Cansou o olhar. Cansou até o toque, que virou deslizar de dedo. E, nesse cansaço coletivo, os blogs reaparecem como bancos de praça: simples, silenciosos, humanos. Lugares onde a gente senta para observar a vida passar sem precisar correr atrás dela.
Aqui, a escrita não precisa caber em poucos caracteres. Ela pode tropeçar, respirar, errar, voltar, amadurecer. Pode ser confissão, crônica, poesia, desabafo ou oração. Pode ser tudo isso misturado, como a própria vida é.
Talvez por isso quem escreve em blog escreva diferente. Escreve com mais verdade, menos maquiagem. Não há palco em exposição, há mesa posta. Não há plateia em pé, há cadeiras puxadas para perto.
E eu gosto dessa intimidade sem pressa. Gosto de saber que minhas palavras não disputam atenção, apenas oferecem companhia.
Num mundo que transformou comunicação em performance, o blog continua sendo diálogo. Num tempo que transformou pessoas em números, ele insiste em chamar pelo nome. Num cenário que valoriza o imediato, ele aposta na permanência.
Por isso sigo aqui. Escrevendo devagar. Sentindo fundo. Plantando palavras como quem sabe que nem todas vão florescer rápido mas algumas, silenciosamente, criam raízes em alguém.
E isso, para mim, ainda é comunicação de verdade.
Fernanda
Essa comparação de blogs como jardins é excelente. Parece isso mesmo!
ResponderExcluirMais uma excelente escrita, Fernanda.
Nanda, falaste muito bem ,dizendo tuuuuuuudo!
ResponderExcluirOs blogs, por mais "ultrapassados" e ou antigos que sejam, ainda continuam sendo jardins onde plantamos nossas sementinhas, com muito amor e vontade!
E passam por eles amigos que ficam, voltam, leem, releem, comentam e nos acarinham com a presença!
Há mídias imediatistas onde com um coraçãozinho marcamos nossa presença e...ploft! Parece desaparecer tudo! Prefiro oss blogues!
Adorei! beijos, chica