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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

30 janeiro, 2026

Volta delicada ao essencial

Aleatoriamente um toque de poesia



Ando reparando como as pessoas estão procurando outras formas de comunicação. Cansaram do grito, do excesso, da pressa. Estão migrando de plataformas, testando formatos, buscando novos jeitos de dizer e, principalmente, de serem ouvidas. Há uma inquietação no ar, um desejo silencioso de voltar a conversar de verdade.

No meio desse movimento, os blogs seguem ali. Discretos. Quase fora de moda. E, paradoxalmente, mais necessários do que nunca.

Enquanto o mundo digital corre atrás de segundos, curtidas e algoritmos, o blog permanece como uma casa antiga de janelas abertas. Ali ainda se entra sem empurrão, sem disputa por atenção. Senta-se. Lê-se devagar. Respira-se junto. O texto não precisa gritar para existir.

Vejo muita gente redescobrindo esse espaço como quem encontra um velho amigo esquecido numa gaveta da memória. Porque o blog pede presença. Não exige performance pede verdade. É território de quem escreve para permanecer, não apenas para aparecer.

E talvez seja isso que tanta gente esteja buscando: um lugar onde a palavra não seja descartável. Onde a dor possa ser dita sem virar entretenimento. Onde a alegria não precise ser editada. Onde o silêncio entre um parágrafo e outro também faça parte da conversa.

Os blogs são jardins. Não crescem rápido, mas criam raízes. Não viralizam, mas permanecem. Não explodem florescem.

Num tempo em que tudo some em vinte e quatro horas, escrever num blog é quase um ato de resistência emocional. É dizer: eu fico. Eu construo. Eu cultivo.

Talvez o futuro da comunicação não esteja apenas nas novidades tecnológicas, mas nessa volta delicada ao essencial: pessoas falando com pessoas, sem filtros demais, sem pressa demais, sem máscaras demais.

E se for assim, os blogs não são passado. São abrigo. São memória viva. São chão.

E eu sigo acreditando neles. Porque ainda há quem queira ler com o coração.

E não é curioso perceber que, enquanto tudo se acelera, cresce também o desejo de desacelerar? Vejo isso nos comentários mais longos, nas mensagens privadas cheias de cuidado, naqueles que dizem: “li devagar”, “voltei para reler”, “me senti em casa”. São sinais pequenos, mas luminosos, de que ainda existe fome de profundidade.

Porque o excesso de ruído cansou. Cansou a alma. Cansou o olhar. Cansou até o toque, que virou deslizar de dedo. E, nesse cansaço coletivo, os blogs reaparecem como bancos de praça: simples, silenciosos, humanos. Lugares onde a gente senta para observar a vida passar sem precisar correr atrás dela.

Aqui, a escrita não precisa caber em poucos caracteres. Ela pode tropeçar, respirar, errar, voltar, amadurecer. Pode ser confissão, crônica, poesia, desabafo ou oração. Pode ser tudo isso misturado, como a própria vida é.

Talvez por isso quem escreve em blog escreva diferente. Escreve com mais verdade, menos maquiagem. Não há palco em exposição, há mesa posta. Não há plateia em pé, há cadeiras puxadas para perto.

E eu gosto dessa intimidade sem pressa. Gosto de saber que minhas palavras não disputam atenção, apenas oferecem companhia.

Num mundo que transformou comunicação em performance, o blog continua sendo diálogo. Num tempo que transformou pessoas em números, ele insiste em chamar pelo nome. Num cenário que valoriza o imediato, ele aposta na permanência.

Por isso sigo aqui. Escrevendo devagar. Sentindo fundo. Plantando palavras como quem sabe que nem todas vão florescer rápido mas algumas, silenciosamente, criam raízes em alguém.

E isso, para mim, ainda é comunicação de verdade.

Fernanda

2 comentários:

  1. Essa comparação de blogs como jardins é excelente. Parece isso mesmo!
    Mais uma excelente escrita, Fernanda.

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  2. Nanda, falaste muito bem ,dizendo tuuuuuuudo!
    Os blogs, por mais "ultrapassados" e ou antigos que sejam, ainda continuam sendo jardins onde plantamos nossas sementinhas, com muito amor e vontade!
    E passam por eles amigos que ficam, voltam, leem, releem, comentam e nos acarinham com a presença!

    Há mídias imediatistas onde com um coraçãozinho marcamos nossa presença e...ploft! Parece desaparecer tudo! Prefiro oss blogues!
    Adorei! beijos, chica

    ResponderExcluir

depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

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