Tuas mãos desenham auroras
sobre o silêncio do meu peito,
e fazes-te estrela
no instante exato em que o mundo desacelera.
No dorso da brisa deixo meu nome escorrer
para que a noite querida o recolha
como quem guarda um segredo antigo.
Há em nós uma ondulação de promessas,
montanhas erguidas não de pedra,
mas de coragem.
Sou sôfrega por horizontes onde teu olhar habita,
e por isso caminho
não por pressa,
mas por destino.
Cada passo vira senda,
cada escolha vira trilha,
e quando o medo me visita,
digo a mim mesma: olha em volta,
o amor também sabe ser paisagem.
Escrevo o soneto do teu nome no vento,
e ele responde em aconchego.
Da tua presença nasce paz,
da tua ausência nasce saudade,
e entre ambas floresce plenitude.
Teu amor é flamejante sem ruído,
arde como farol em noite de neblina.
Neste vasto mundo,
teu encanto é abrigo,
sem máculas,
feito água clara que não negocia sua pureza.
Meu sentimento não pede posse,
pede permanência.
Meu porvir tem tua sombra caminhando ao lado,
meu desejo é te conhecer
não apenas nos dias claros,
mas também nas horas em que o céu pesa.
Quando chega a madrugada,
o peito explode em delicadeza,
e na cauda de um cometa lanço promessas
para que o infinito as aprenda.
Somos junção de silêncios que se entendem,
paixão que não grita
sussurra eternidades.
E se o tempo tentar nos apagar,
que reste ao menos isto:
dois corações insistindo em amar
mesmo quando o mundo esquece como se faz
Fernanda
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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)