O texto hoje é pequeno não por falta de palavras, mas porque estou aprendendo a escrever com limites. Quebrei o braço. Foi no domingo, quando eu voltava para casa. Um carro atravessou o sinal vermelho. Para ele, talvez fosse pressa e álcool. Para mim, foi susto, impacto e silêncio. Ele veio na minha direção sem aviso, sem tempo de reação. No meio do barulho do metal e do medo, ficou o que importa: estou bem. Quebrei o braço, é verdade. Dói, incomoda, limita. Mas foi um milagre ter sido “apenas” isso. Meu carro não resistiu não presta mais para nada. Eu, sim. Estou aqui graças a Deus!
Entre o susto e a gratidão, escolho respirar fundo.
Volto quando puder.😉
Fernanda
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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)