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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

20 março, 2026

Comportamento Primitivo

Aleatoriamente um toque de poesia



Há um tipo de reação que não pensa apenas acontece.
É rápida, impulsiva, quase instintiva. Como se, por alguns segundos, deixássemos de ser quem aprendemos a ser
para voltar a ser quem um dia fomos.

O comportamento primitivo não grita avisando que chegou. Ele se disfarça de justificativa:
“Eu sou assim mesmo.”
“Falei porque precisava.”
“Reagi porque me feriram.”

Mas, no fundo, não é sobre verdade sabe? É sobre falta de pausa.

É o impulso que atropela o cuidado. É a palavra que sai antes da consciência.
É o gesto que ignora o outro
em nome de uma defesa antiga, quase automática.

Todos nós temos um pouco disso guardado.
Nas camadas mais profundas, onde ainda mora o medo de não ser aceito,
a necessidade de vencer,
ou o instinto de atacar antes de ser atingido.

O problema não é sentir.
Nunca foi. O problema é quando a emoção nos conduz sem que a gente segure o volante.

E então ferimos, afastamos, mudamos caminhos 
que, em momentos mais calmos, gostaríamos tanto de passar.

Evoluir, no fim das contas, não é deixar de sentir raiva, dor ou medo. É perceber quando eles estão assumindo o controle e, mesmo tremendo por dentro, escolher outro caminho.

É difícil.
Às vezes, a gente falha.
Às vezes, volta para o velho impulso como quem retorna para casa  mesmo sabendo que já não mora mais ali.

Mas, cada vez que nos damos a escolha de respirar antes de reagir, cada vez que escolhemos o silêncio em vez do ataque, ou a compreensão em vez da pressa,
algo dentro de nós cresce.

E isso, talvez, seja o oposto do primitivo: não a ausência de instinto, mas a presença da consciência.

Porque ter como desculpa que é ser humano, não explica o rústico. Ser humano de verdade, não é nunca cair é aprender a não se entregar tão facilmente ao que ainda em nós não evoluiu.

2 comentários:

  1. Nanda, o melhor é não explodir deixando que a raiva fale mais alto. Explodir pode ser fatal! Mas nem sempre conseguimos ser esses seres tão delicados e nota 10,rs... Por vezes, falar #%#@&¨%% cobras e lagartos, nos faz desopilar!

    E tu, creio que já estás com vontade de xingar esse teu gesso,rs,.. beijos, feliz OUTONO! chica

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    Respostas
    1. Chica 😂

      Tô tentando não explodir… mas esse gesso já tá pedindo uns xingamentos básicos 😅
      Ser evoluída é lindo até a página 2, né? Porque às vezes soltar uns “cobras e lagartos” dá um alívio danado ops 😬 🤭
      Kkkk

      Beijo grande! Feliz OUTONO

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

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