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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

25 março, 2026

Resiliência

Aleatoriamente um toque de poesia



Há dias em que a vida nos dobra. Não quebra, não parte, só dobra  feito galho molhado depois da chuva. A gente sente o peso, o frio, o vento contrário. E pensa: “acho que dessa vez não volto ao lugar de antes”. Mas volta. De outro jeito, talvez mais torto, mais sábio, mais terno ainda mas,  volta.

Resiliência não é resistência. Resistir é ficar imóvel, peito travado, sem deixar o mundo entrar. Ser resiliente é o contrário: é permitir-se atravessar. É aceitar o susto, a dor, o medo, e ainda assim continuar se abrindo para o dia seguinte.

Eu já fui aquela que tentava controlar o destino com as duas mãos, como quem segura uma corda curta demais. Hoje, aprendo que o segredo está em soltar um pouco. Deixar o tempo ensinar o que o orgulho não deixa ouvir. Há quem pense que resiliência é força. Talvez seja, mas uma força mansa. Daquelas que não gritam, só persistem. A força das mães que reconstroem os dias, dos que perdoam mesmo sem desculpa, dos que seguem mesmo cansados.

O mundo anda apressado demais pra notar a beleza dos recomeços silenciosos. Mas há uma graça enorme em quem, depois de cair, limpa o rosto e diz: “vamos de novo”.
Resiliência é fé em movimento. É o verbo esperançar em sua forma mais íntima.
E quando o vento dobrar outra vez, como sempre faz, que a gente se lembre: não é o fim, é apenas o tempo ensinando a curvar sem perder a essência.


Fernanda

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

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