“Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados.”
Na Terra, era silêncio.
As ruas pareciam mais lentas, os corações mais apertados, os olhos marejados ao lembrar da cruz. Para muitos, aquela sexta-feira carregava o peso da dor, da perda, da injustiça.
Mas no Céu…
No Céu não havia tristeza.
Havia reverência.
Havia compreensão.
E, acima de tudo, havia um amor tão grande que não cabia no silêncio ele precisava ser cantado.
Os anjos sabiam.
Sabiam que aquele momento não era o fim.
Sabiam que cada gota de sangue derramada não era derrota, mas entrega.
Sabiam que a cruz não era um ponto final… era ação.
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito…”
Evangelho de João
E quando o corpo de Cristo foi levantado na cruz, algo que não pode ser apreciado aos olhos humanos aconteceu.
O Céu se moveu.
Não em desespero
mas em adoração.
As hostes celestiais, que desde o princípio contemplavam a glória, agora contemplavam o amor em sua forma mais profunda: o sacrifício.
E então, eles cantaram.
Não um canto de lamento,
mas um cântico de redenção.
“Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.”
Cada nota carregava significado. Cada voz anunciava o que a Terra ainda não compreendia completamente: Aquele ato abalava Céus e terra. Reescrevia destinos.
Rasgava véus. “E o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo…”
O acesso estava aberto.
O amor havia vencido.
Enquanto muitos choravam na Terra, o céu celebrava o que viria: a reconciliação, a esperança, a vida que nasceria da morte. Porque a cruz nunca foi sobre o fim. Foi sobre o recomeço.
E naquele dia, a sexta-feira que parecia escura aos olhos humanos, brilhava intensamente no céu.
Não como dor…
mas como a maior prova de amor já vista.
“Está consumado.”
E se fanzendo ouvir essas palavras, o Céu não se calou.
Ele cantou.
Porque havia entendido, desde sempre,
que o amor verdadeiro…
quando se entrega, não perde. Ele salva.
“E, chegando a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra até a hora nona.”
Na Terra, a escuridão assustava.
Era como se o próprio mundo não soubesse como reagir àquele momento. O céu escurecido, o chão que tremia, o silêncio pesado entre aqueles que assistiam sem compreender completamente.
Mas no Céu…
Nada era confusão.
Os anjos não se desesperavam eles contemplavam.
Sabiam que aquele instante, tão incompreendido pelos homens, era o cumprimento de uma promessa antiga. “Certamente, tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si.”
Cada passo de Cristo até a cruz já estava escrito no coração da eternidade.
E ainda assim…
não era menos doloroso.
Porque o amor verdadeiro não anula a dor
ele a transpassa.
Os anjos olhavam.
Não podiam interferir.
Não podiam impedir.
Mas podiam testemunhar.
E, em reverência, eles se curvavam.
“Humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.”
Havia algo sagrado naquele sofrimento.
Algo que não era derrota, mas decisão.
Cristo não foi levado
Ele se entregou.
E o Céu reconhecia isso.
Enquanto os homens viam um fim,
os anjos viam um início.
Enquanto a dor ecoava na Terra,
a esperança começava a nascer no que não pode ser apreciado.
“Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia dito.”
Ainda não era domingo…
mas o céu já sabia.
E por isso, mesmo diante da cruz, havia cânticos.
Baixos, reverentes, quase como um sussurro entre as estrelas.
Porque o amor estava cumprindo seu propósito.
E quando, por um instante, tudo pareceu silêncio
não era ausência…
Era o universo inteiro prendendo a respiração
diante do maior ato de amor já vivido.
“Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.”
E naquele momento…
O Céu não chorou como a Terra.
O Céu adorou.
Porque, desde o princípio,
a cruz não era o fim da história…
Era o começo da redenção.
Aleluia!
Fernanda
E, no fim de tudo, permanece a verdade mais bonita de todas: quem confia em Deus nunca transpassa dores em vão mas para renascer.🙏🏻
Postado por André
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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)