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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

27 maio, 2026

"Espelho, espelho meu…”

Aleatoriamente um toque de poesia


Quem foi que decidiu que o espelho deveria responder apenas sobre beleza?
Talvez essa tenha sido uma das maiores injustiças da humanidade: ensinar pessoas a procurarem no reflexo apenas aquilo que os olhos conseguem medir.

Ninguém pergunta ao espelho:
“Fui bondosa hoje?”
“Machuquei alguém sem perceber?”
“Minha presença descansou ou feriu?”
“Meu coração continua generoso?”

Não.
Perguntam sobre rugas.
E enquanto o mundo enlouquece tentando parecer bonito, a bondade vai ficando esquecida nos cantos  das pessoas simples. Mas a verdade é que existe uma beleza que nenhum espelho consegue refletir.

Ela aparece naquela mulher cansada que divide o último pão sem ninguém ver.
Na pessoa que responde com delicadeza mesmo carregando dores imensas por dentro.
No homem que abaixa a voz para não humilhar alguém em público.
Naqueles raros seres humanos que ainda sabem ser abrigo num mundo especialista em tempestades.

A bondade nunca fez barulho.
Talvez por isso passe despercebida numa sociedade apaixonada por vitrines.
As pessoas fotografam o rosto, mas escondem o caráter.
Editam a pele, mas não corrigem a crueldade.
Falam sobre autoestima enquanto distribuem indiferença pelos corredores da vida.

E o espelho continua ali.
Pobre espelho.
Condenado a refletir apenas superfícies quando o que realmente importa mora muito mais fundo.
Porque a verdadeira beleza de alguém aparece no modo como trata quem não pode oferecer nada em troca.

Aparece na paciência.
Na escuta.
Na forma como segura a mão de alguém ferido sem transformar aquilo em likes para redes sociais.
Há pessoas lindas que cansam depois de cinco minutos de conversa.
E há pessoas comuns que iluminam ambientes inteiros apenas pela forma como fazem os outros se sentirem.

Talvez seja disso que os contos antigos esqueceram de falar.
A madrasta da Branca de Neve não precisava perguntar quem era a mais bela. Precisava perguntar quem ainda possuía bondade suficiente para não adoecer de vaidade.
Porque existe um momento em que o ser humano começa a admirar demais o próprio reflexo e de menos a própria alma. E então fica bonito por fora… e vazio por dentro.

No fim, o tempo resolve quase tudo sozinho.
A juventude passa.
A pele muda.
Os traços envelhecem.
Mas a bondade…
A bondade faz o contrário.

Tem gente que vai ficando mais bonita à medida que envelhece.
Porque o coração amadurece no rosto.
Os olhos aprendem ternura.
A voz ganha calma.
E a alma finalmente começa a aparecer através da pele.
Talvez um dia a humanidade amadureça o suficiente para fazer a pergunta correta diante do espelho.

Não:
“Espelho, espelho meu, existe alguém mais bonito do que eu?”
Mas sim:
“Espelho, espelho meu… minha alma ainda continua bonita?”

No fim, a beleza que realmente permanece é aquela que o espelho não consegue refletir: A BONDADE!😉



Fernanda

6 comentários:

  1. Há textos que não se limitam a ser lidos. Sentem-se. E este ficou a ecoar cá dentro de uma forma muito silenciosa e bonita.

    Tocaste numa verdade que quase ninguém quer encarar: o mundo anda obcecado com aparências e cada vez mais pobre de alma. A forma como falaste da bondade foi profundamente humana, sem artifícios, sem necessidade de gritar para chegar ao coração de quem lê.

    E depois esse segundo texto… tão cru e tão real. Quem escreve com verdade sabe exatamente essa sensação de deixar pedaços de si espalhados nas palavras. Há feridas que viram versos porque o peito já não consegue guardá-las sozinho. E sim, dói quando roubam aquilo que nasceu da nossa dor, da nossa madrugada, da nossa história.

    Mas nota-se que escreves com alma. E isso ninguém consegue copiar, por mais que tente. Porque técnica imita-se. Verdade não.

    Beijinho na alma,
    Daniela Silva | Alma Leve

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  2. Oi, Fernanda! Boa noite! Atualmente, muitas pessoas valorizam mais a aparência do que o caráter, o amor e a bondade que existem em cada um de nós. Como você mencionou, a bondade é silenciosa, enquanto a beleza precisa se exibir nas redes sociais. Essa superficialidade tem ditado regras na sociedade contemporânea. É triste, mas infelizmente é a realidade. Não se deve generalizar é claro, no entanto é notório constatar que o comportamento de muita gente hoje em dia é totalmente diferente. Os valores mudaram muito. Um fraterno abraço!

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  3. Fernanda, você tocou num ponto essencial. A beleza exterior está refletindo a beleza interior? Não vou ser demagógico e dizer que a beleza exterior não importa. Importa pra todo mundo mas não é que todo mundo perceba a beleza de forma igual. Como dizia a minha mãe, "quem ama o feio, bonito lhe parece". E sim, você está certo, deveríamos estar mais preocupados em perguntar ao espelho se a nossa alma está bela.

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    1. Eduardo,
      talvez a grande tragédia do nosso tempo seja passarmos horas ajeitando o rosto e poucos minutos arrumando o coração. A beleza exterior encanta os olhos, mas é a interior que sustenta a convivência, o afeto e a permanência. O tempo inevitavelmente modifica a pele, os traços e os corpos… mas uma alma bonita amadurece como vinho raro: quanto mais vive, mais valiosa se torna.

      Jesus nunca perguntou a alguém se era bonito. Perguntou se amava. Nunca elogiou rostos; tocou corações. Porque diante de Deus, a aparência não pesa mais que a misericórdia.

      Vivemos num tempo em que as pessoas iluminam o rosto para as fotos e escurecem a alma para a vida. Limpam a pele, mas deixam o orgulho criar raízes. Perfumam o corpo, mas carregam palavras que ferem, desprezam e humilham. E de que vale um rosto admirado por muitos, se o coração já não consegue amar ninguém de verdade?

      A beleza exterior pode abrir portas. A interior faz alguém permanecer nelas. O corpo chama atenção por instantes; a alma toca eternidades.

      Talvez por isso Cristo tenha olhado para pescadores simples, mulheres feridas, homens rejeitados e enxergado beleza onde o mundo via defeitos. Porque Deus não contempla como os homens contemplam. Nós olhamos a superfície; Ele olha o espírito.

      E chega um momento em que o espelho deixa de ser vidro e passa a ser consciência. A pergunta muda. Já não é: “Estou bonito?” Mas sim: “Existe luz em mim? Minha presença cura ou pesa? Meu coração acolhe ou afasta?”

      Porque no fim, Eduardo, o tempo vencerá toda beleza que os olhos conseguem admirar. Mas jamais conseguirá apagar a beleza de uma alma que aprendeu a amar como Jesus.

      Sua mãe tinha razão. O amor possui um olhar que a vaidade jamais compreenderá. Quem ama enxerga além da aparência, porque vê essência, cuidado, bondade e verdade. E talvez o espelho mais importante não seja aquele pendurado na parede, mas o silêncio da consciência quando perguntamos a nós mesmos: “Tenho sido alguém bonito por dentro?”
      🙏🏻

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  4. É verdade Fernanda, a gente nunca se olha no espelho a não ser para ver se está bem. O rosto e os cabelos é o que olho nos meus espelhos.

    Amo ler e leio todos os dias.
    Reler meu livros é que não tenho feito com frequência, porque tenho muitos livros não lidos.
    Beijo,

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  5. Olá!
    Mais uma vez consegues trazer até nós um texto que convoca os nossos pensamentos no sentido de olharmos para dentro de nós, de modo a refectir naquilo é a forma como conduzimos a nossa vida, sobretudo no que concerne as atitudes que temos para com outros.
    Realmente, creio que falta "bondade" neste mundo repleto de pseudo-bem estares, amigos de festa e famílias felizes, bem como, de frases bonitas, postadas pelas "tão necessárias" redes sociais.
    Em fim, para quando uma mudança?
    Abraço

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

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