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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

30 maio, 2026

Meus queridos amigos do blog,

Aleatoriamente um toque de poesia

Tenho observado, com certa culpa, minhas ausências cada vez mais prolongadas nas visitas aos espaços tão carinhosamente mantidos por vocês. Acreditem, se dependesse apenas da vontade, eu passaria tardes inteiras lendo cada reflexão, comentando como amo fazer cada poesia, textos do cantinho de cada um de vocês. Cada pequeno pedaço de alma deixado por vocês no meu blog, eu agradeço profundamente. Porque vocês são quem aprendi a estimar neste caminho virtual tão e afetuoso.

No entanto, a vida, com seus compromissos insistentes, resolveu ocupar minhas horas de maneira quase tirânica.😉 Como já lhes contei certa vez, guardo muitos textos em meus rascunhos pequenas confidências escritas em noites  que o coração precisou. 

E talvez seja isso que ainda me permita manter o blog atualizado mesmo em meio à correria que atualmente me acompanha. Estou em São Paulo, 12 dias  em cada mês, especializando e o tempo, esse velho senhor sempre apressado, tem passado diante de mim sem sequer permitir longas pausas para descanso.

Além disso, aventurei-me também pelos caminhos da psicologia. Confesso-lhes que não foi escolha feita por vaidade acadêmica, mas por necessidade do coração. Desejo compreender melhor as dores humanas, especialmente as crianças e aqueles que enfrentam a ansiedade, essa tristeza inquieta que tantas vezes sorri por fora enquanto desmorona por dentro.

Por isso, meu querido Albino, e outros queridos, peço-lhe gentilmente que não estranhe meu aparente desaparecimento. Não houve afastamento de afeto, tampouco esquecimento dos amigos que tanto respeito. Há apenas uma mulher tentando equilibrar filhos, casamentos sonhos, estudos, trabalho e cansaço sem perder a ternura no caminho.

Outros amigos também têm perguntado sobre meu “sumiço”, e isso, devo admitir, toca-me profundamente. Tão bonito em ser lembrada com carinho.

Prometo, porém, que voltarei às visitas mais demoradamente com mais calma assim que conseguir organizar melhor meus dias, que atualmente parecem correr mais depressa do que meu próprio coração consegue acompanhar. Vou devagar, é verdade, mas sigo indo.

Peço desculpas àqueles que chegam ao meu espaço, deixam palavras gentis e nem sempre recebem minha pronta retribuição. Não aconteceu nada além daquilo que a vida adulta costuma fazer conosco: multiplicar responsabilidades enquanto reduz o tempo.😊

Ainda assim, saibam:
a ausência de visitas jamais significará ausência de consideração. Estou visitando devagar como consigo tá? Mas vou!

Neste momento respondi aqui a você, querido Albino, e a todos que me perguntaram porque o sumiço. Não gostaria que imaginassem desatenção ou frieza da minha parte. Muitos que aqui vem, são amigos do blog e merecem explicações.

Mas agora, veja só o estado desta pobre criatura que vos escreve: ainda preciso tomar o desjejum, almoçar e jantar tudo quase ao mesmo tempo, o que certamente faria qualquer dama carioca parecer pouco organizada diante de tamanha confusão doméstica. Rsrs.

Naturalmente, não são todos os dias que realizo tais proezas alimentares em horários tão absurdos, mas hoje o trabalho decidiu aprisionar-me completamente entre livros, anotações, estudos e compromissos que não me permitiram sequer sair daqui.

Quando me entrego ao que faço, entrego-me por inteira.
E talvez este seja tanto meu defeito quanto minha virtude mais sincera. Tenho dificuldade em fazer qualquer coisa pela metade. Mergulho profundamente nas responsabilidades, nos estudos, nos afetos e até nos. Às vezes penso que certas pessoas nasceram com a habilidade admirável de equilibrar tudo com leveza; eu, porém, pareço sempre viver entre intensidades.
Mas apesar do cansaço, existe também gratidão.

Gratidão por ainda possuir sonhos que me movem, por continuar aprendendo, por poder ajudar pessoas através da profissão que escolhi e por encontrar, mesmo em meio à correria, amigos capazes de notar minha ausência com carinho em vez de indiferença. Isso, meu amigo, tem um valor imenso nos tempos atuais.

E assim: entre livros, pacientes, estudos, saudades das visitas ao blog e xícaras de café, estou 
tentando não perder a “delicadeza da alma”enquanto a vida corre apressada diante de mim.

Com carinho,
Fernanda

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

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