Há lugares da casa que recebem visitas.
A sala. A cozinha. A varanda.
Mas o quarto…
o quarto é diferente.
O quarto é onde o interior senta no chão depois de um dia difícil.
É onde o corpo desaba quando o cansaço pesa demais.
É onde ninguém vê a coragem tirando a maquiagem do rosto.
A neurociência explica que o cérebro cria associações emocionais com os ambientes.
Quando um espaço está carregado de excesso, desorganização, barulho ou tensão, o sistema nervoso permanece em alerta. O cérebro entende que ainda não pode descansar.
Por isso algumas pessoas entram no próprio quarto e continuam cansadas.
Não porque não dormiu. Mas porque a mente nunca se sentiu segura.
O quarto deveria ser um abrigo psicológico.
Um lugar onde o cérebro reduz a vigilância.
Onde o coração desaperta lentamente.
Onde a respiração volta ao ritmo da paz.
A ciência já percebeu que ambientes visualmente caóticos aumentam o estresse e mantêm o cérebro processando estímulos mesmo durante o descanso. O excesso visual pode elevar o cortisol o hormônio do estresse dificultando relaxamento e sono profundo.
Talvez seja por isso que certas presenças bagunçam um quarto inteiro sem mover um objeto.
Tem gente que entra trazendo peso.
Conflito.
Agitação.
Invasão.
E o corpo sente.
Porque energia também é percepção emocional.
O cérebro capta tons de voz, tensão, olhares, movimentos, memórias associadas.
Tudo isso deixa marcas no ambiente afetivo.
O quarto deve ser visitado só pelo casal
ele é seu templo.Não é lugar de transitar energia de fora.
Seu quarto é quase um templo da sua mente.
É ali que você se recolhe, ama, reflete, relaxa, faz suas preces sem testemunhas.
Sonha sem precisar explicar.
Ninguém precisa entrar no lugar onde sua alma repousa.
Pense nisso😉
Fernanda
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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)