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03 janeiro, 2026
A folha que abre a janela
15 comentários:
depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

Uma bela descrição da inspiração que move a caneta. A pressa, na maioria das vezes, atrapalha o nosso processo criativo.
ResponderExcluirTenha uma abençoada semana.
Cesar,
Excluirobrigada pela leitura.
A pressa realmente rouba da escrita aquilo que ela tem de mais vivo: o tempo de sentir, de escutar o que ainda está se formando. Quando a caneta acompanha o ritmo da alma, o texto encontra seu próprio caminho.
Desejo a você também uma semana abençoada.🙏🏻
Amiga Fernanda, feliz 2026!
ResponderExcluirQuem sente... escreve com alma.
"Tinha gosto de café e de manhã."
Que página deliciosa!
A outra do beijo roubado....ou desejado ainda sem a coragem de "roubar"...
Um sabor inusitado ...
O sorriso "alheio" tão sonhado...
Prazerosas páhinas lhe Sao aguardadas no novo ano. Espere com calma...
Será um ano Feliz e abençoado!
Beijinhos fraternos e festivos
Roselia querida
ExcluirQue alegria ler teu olhar tão sensível sobre essas páginas… quem sente, escreve com alma e quem lê assim também escreve junto. O café da manhã, o beijo ainda suspenso na coragem, o sorriso alheio tão sonhado… tudo isso vive melhor quando é esperado com calma.
Que o ano siga nesse ritmo manso, saboroso, permitindo que as páginas se revelem no tempo certo. Recebo teus votos com carinho e te desejo um ano igualmente feliz e abençoado.
Beijinhos fraternos. 😘
Oi, Fernanda! Bom dia! Para quem se aventura na arte da escrita, uma folha em branco revela-se como um objeto repleto de sacralidade. Em sua essência, o papel de um caderno é a ligação sublime e indissolúvel que une a mão à caneta do escritor. Essa superfície imaculada não é apenas um depósito, mas a mais pura fonte de inspiração, oferecendo um espaço onde narrativas, poesias e reflexões podem emergir. É na dança delicada entre a tinta e o papel que se dissolve, ainda que por um breve instante, o peso da existência em um mundo repleto de desafios e complexidades. A arte é apenas um jeito de colocar tudo isso pra fora, de fazer o caos dançar em versos, nesse ponto exato a poesia brilha, vez que é aí que ela ameniza um pouco a dor de existir num mundo imundo e repleto de maldade, desgraças e tragédias. Como sempre, sua poesia brilha, um raio de luz em meio à escuridão, um sopro de vida para aqueles que arrastam suas almas na lama. É como um copo de cerveja em um dia quente de verão. Você dá voz aos que estão perdidos, aos que sonham em meio ao caos, e tudo que resta é um desejo amargo pela liberdade. Afinal, nessa bagunça incerta chamada vida, a arte é o único remédio que nos mantém acordados para o que realmente importa, não? Abraço querida.
ResponderExcluirBom dia, Luciano.
ExcluirTeu comentário é desses que a gente lê devagar para não quebrar o encanto. Concordo com você: a folha em branco tem algo de sagrado porque aceita tudo o caos como você cita, a dor, a beleza, a contradição. Ela não julga, apenas recebe.
Escrever é mesmo esse gesto de aliviar o peso de existir, ainda que por instantes, fazendo o “caos” dançar de outro jeito. Se a poesia consegue amenizar um pouco a aspereza do mundo, já cumpre um papel imenso.
Fico muito tocada pelas tuas palavras e pela imagem desse copo de cerveja no calor: simples.
Que a arte siga sendo esse remédio imperfeito, mas vital, que nos mantém atentos ao que ainda importa.
Abraço grande, querido.🙏🏻
Tão lindo,Nanda! E que bom sempre as palavras vão, mas voltam e acrescentam mais sol aos dias! beijos, lindo domingo,chica
ResponderExcluirQuerida Chica,
Excluirque bonito isso!
As palavras realmente vão, mas quando são verdadeiras, sempre retornam trazendo mais luz, mais sentido, mais sol aos dias comuns. Fico feliz que elas tenham encontrado você assim.
Obrigada pelo afeto de sempre. Um domingo lindo pra você também. Beijos! 😘
Me encantam as suas doces palavras, Fernanda
ResponderExcluirEscreves lindamente
Um beijinho carinhoso
Verena
Verena querida,
Excluirfico muito tocada com teu carinho. Que bom saber que as palavras chegaram doces aí também. Escrever só faz sentido quando encontra esse tipo de escuta sensível.
Receba meu beijinho carinhoso e meu agradecimento sincero. 🙏🏻
Me encanta como describes ese momento en que la pluma dirige tus dedos hasta que cierras la página. Me pareció sublime. Te aplaudo. Un abrazo
ResponderExcluirNuria,
Excluirfico muito feliz por você ter sentido esse instante.
Há momentos em que a pluma parece saber mais do que a mão, e a gente apenas se deixa conduzir até que o silêncio pede o fechamento da página. Saber que você percebeu isso como algo sublime me toca profundamente.
Obrigada pela leitura atenta e generosa. Um abraço.🤗
A página em branco está sempre esperando a primeira frase. Você faz disso algo idílico.
ResponderExcluirEduardo,
Excluirtalvez seja isso mesmo: a página em branco não cobra, não apressa apenas espera.
Quando a gente se permite escutar esse silêncio inicial, a primeira frase nasce menos como obrigação e mais como encontro. Se isso soa idílico, é porque ainda acredito que escrever pode ser um gesto de delicadeza.
Obrigada pela leitura atenta.
Oi Fernanda!
ResponderExcluirA página em branco é um convite, um passaporte para muitas viagens.
Adorei o poema, recheado de inspirações.
bjssssss, marli