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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

03 janeiro, 2026

A folha que abre a janela

Aleatoriamente um toque de poesia



A folha em branco ficou na minha mesa como quem espera um amigo.
Não pedia pressa só companhia. Abri-a devagar, como quem abre uma porta que range de saudade.

Escrevi uma frase pequena: tinha gosto de café e de manhã.
A segunda frase apareceu como quem traz um cobertor; a terceira, com um beijo roubado pela tarde.
Logo a folha virou janela: eu espiava por ela e o mundo devolvia um adeus que também era começo.

Há palavras que acolhem, outras que acendem.
As que sobraram guardei no bolso como quem guarda pão para mais tarde.
Deixei a janela aberta. O vento entrou, espalhou pó de sol e me trouxe um sorriso alheio.

Fechei a folha com carinho  não por medo, mas por respeito.
A janela fica lá, prometida para amanhã:
quando eu quiser, sento-me de novo, abro a porta e deixo o dia escrever a mão que me habita.

 

Fernanda

15 comentários:

  1. Uma bela descrição da inspiração que move a caneta. A pressa, na maioria das vezes, atrapalha o nosso processo criativo.
    Tenha uma abençoada semana.

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    1. Cesar,

      obrigada pela leitura.
      A pressa realmente rouba da escrita aquilo que ela tem de mais vivo: o tempo de sentir, de escutar o que ainda está se formando. Quando a caneta acompanha o ritmo da alma, o texto encontra seu próprio caminho.
      Desejo a você também uma semana abençoada.🙏🏻

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  2. Amiga Fernanda, feliz 2026!
    Quem sente... escreve com alma.
    "Tinha gosto de café e de manhã."
    Que página deliciosa!
    A outra do beijo roubado....ou desejado ainda sem a coragem de "roubar"...
    Um sabor inusitado ...
    O sorriso "alheio" tão sonhado...
    Prazerosas páhinas lhe Sao aguardadas no novo ano. Espere com calma...
    Será um ano Feliz e abençoado!
    Beijinhos fraternos e festivos

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    1. Roselia querida

      Que alegria ler teu olhar tão sensível sobre essas páginas… quem sente, escreve com alma e quem lê assim também escreve junto. O café da manhã, o beijo ainda suspenso na coragem, o sorriso alheio tão sonhado… tudo isso vive melhor quando é esperado com calma.
      Que o ano siga nesse ritmo manso, saboroso, permitindo que as páginas se revelem no tempo certo. Recebo teus votos com carinho e te desejo um ano igualmente feliz e abençoado.
      Beijinhos fraternos. 😘

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  3. Oi, Fernanda! Bom dia! Para quem se aventura na arte da escrita, uma folha em branco revela-se como um objeto repleto de sacralidade. Em sua essência, o papel de um caderno é a ligação sublime e indissolúvel que une a mão à caneta do escritor. Essa superfície imaculada não é apenas um depósito, mas a mais pura fonte de inspiração, oferecendo um espaço onde narrativas, poesias e reflexões podem emergir. É na dança delicada entre a tinta e o papel que se dissolve, ainda que por um breve instante, o peso da existência em um mundo repleto de desafios e complexidades. A arte é apenas um jeito de colocar tudo isso pra fora, de fazer o caos dançar em versos, nesse ponto exato a poesia brilha, vez que é aí que ela ameniza um pouco a dor de existir num mundo imundo e repleto de maldade, desgraças e tragédias. Como sempre, sua poesia brilha, um raio de luz em meio à escuridão, um sopro de vida para aqueles que arrastam suas almas na lama. É como um copo de cerveja em um dia quente de verão. Você dá voz aos que estão perdidos, aos que sonham em meio ao caos, e tudo que resta é um desejo amargo pela liberdade. Afinal, nessa bagunça incerta chamada vida, a arte é o único remédio que nos mantém acordados para o que realmente importa, não? Abraço querida.

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    1. Bom dia, Luciano.

      Teu comentário é desses que a gente lê devagar para não quebrar o encanto. Concordo com você: a folha em branco tem algo de sagrado porque aceita tudo o caos como você cita, a dor, a beleza, a contradição. Ela não julga, apenas recebe.
      Escrever é mesmo esse gesto de aliviar o peso de existir, ainda que por instantes, fazendo o “caos” dançar de outro jeito. Se a poesia consegue amenizar um pouco a aspereza do mundo, já cumpre um papel imenso.
      Fico muito tocada pelas tuas palavras e pela imagem desse copo de cerveja no calor: simples.
      Que a arte siga sendo esse remédio imperfeito, mas vital, que nos mantém atentos ao que ainda importa.
      Abraço grande, querido.🙏🏻

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  4. Tão lindo,Nanda! E que bom sempre as palavras vão, mas voltam e acrescentam mais sol aos dias! beijos, lindo domingo,chica

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    1. Querida Chica,

      que bonito isso!
      As palavras realmente vão, mas quando são verdadeiras, sempre retornam trazendo mais luz, mais sentido, mais sol aos dias comuns. Fico feliz que elas tenham encontrado você assim.
      Obrigada pelo afeto de sempre. Um domingo lindo pra você também. Beijos! 😘

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  5. Me encantam as suas doces palavras, Fernanda
    Escreves lindamente
    Um beijinho carinhoso
    Verena

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    1. Verena querida,

      fico muito tocada com teu carinho. Que bom saber que as palavras chegaram doces aí também. Escrever só faz sentido quando encontra esse tipo de escuta sensível.
      Receba meu beijinho carinhoso e meu agradecimento sincero. 🙏🏻

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  6. Me encanta como describes ese momento en que la pluma dirige tus dedos hasta que cierras la página. Me pareció sublime. Te aplaudo. Un abrazo

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    1. Nuria,

      fico muito feliz por você ter sentido esse instante.
      Há momentos em que a pluma parece saber mais do que a mão, e a gente apenas se deixa conduzir até que o silêncio pede o fechamento da página. Saber que você percebeu isso como algo sublime me toca profundamente.
      Obrigada pela leitura atenta e generosa. Um abraço.🤗

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  7. A página em branco está sempre esperando a primeira frase. Você faz disso algo idílico.

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    1. Eduardo,

      talvez seja isso mesmo: a página em branco não cobra, não apressa apenas espera.
      Quando a gente se permite escutar esse silêncio inicial, a primeira frase nasce menos como obrigação e mais como encontro. Se isso soa idílico, é porque ainda acredito que escrever pode ser um gesto de delicadeza.
      Obrigada pela leitura atenta.

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  8. Oi Fernanda!
    A página em branco é um convite, um passaporte para muitas viagens.
    Adorei o poema, recheado de inspirações.
    bjssssss, marli

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)