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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

09 janeiro, 2026

Cada nação na sua pátria

Aleatoriamente um toque de poesia


Às vezes penso que o mundo inteiro cabe dentro de uma rua de bairro. Ali estão as janelas abertas com cheiros diferentes: do feijão que ferve devagar, do tempero que chega de outro continente, do pão quentinho que alguém aprendeu com a avó distante. Cada casa é um pequeno território, uma bandeira tremulando na varanda.

Cada nação traz em si sua pátria, ainda que o corpo viaje, que o passaporte acumule carimbos e que o idioma se embarace na boca. A pátria, afinal, não se esconde nos limites de um mapa: ela se guarda no coração. É o canto que a mãe cantava para ninar, é a saudade do quintal, é o jeito de cumprimentar que nos denuncia em qualquer lugar do mundo.

E o curioso é que, no fundo, nenhuma nação existe sozinha. Quando se encontram, misturam-se como rios que se abraçam. A pátria de um acaba tingindo a pátria do outro, e assim nascem os sabores novos, as músicas que não respeitam fronteiras, os afetos que se aprendem sem tradução.

Cada nação na sua pátria, mas cada pátria no coração do outro porque viver é, de algum modo, trocar territórios. Quando amamos, quando acolhemos, quando escutamos com atenção, permitimos que outra bandeira se plante em nosso peito.

No fim das contas, a maior pátria é o mundo inteiro, se estivermos dispostos a abrir as portas da casa e deixar o vento de outras janelas nos visitar.

No entanto, há as discriminações, quando se trata de emigrantes. O olhar desconfiado, a fronteira que se impõe, a barreira da língua que não raro se transforma em muro. É preciso olhar pertinho da trajetória de cada um para compreender o que significam as leis de cada lugar: normas que protegem, mas também afastam; regras que, em vez de abrir caminhos, fecham portas.

Ainda assim, mesmo diante das diferenças e feridas, há algo que não se apaga: o amor pela pátria onde nascemos. No meu caso, o Brasil terra de contrastes, cores, dores e esperanças. É aqui que Deus me deu a oportunidade de nascer, e por isso, apesar de todas as falhas e desafios, guardo um amor entranhado, visceral.

Amo o som das vozes nas esquinas, amo a generosidade que se revela em pequenos gestos, amo a mistura de tantas origens que se tornaram uma só identidade. Amo, sobretudo, a esperança que insiste em brotar em cada brasileiro, mesmo quando as tempestades parecem querer arrancar as raízes.

Porque, no fundo, cada pátria é também um exercício de fé. E a minha fé é que o Brasil, com todos os seus nós e rasgos, ainda é chão fértil para que se plante amor, justiça e paz.



Fernanda

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)