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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

17 janeiro, 2026

Entre Chá, Silêncios e Eternidades

Aleatoriamente um toque de poesia




Havia em teu olhar uma educação de sentimentos,
como nas salas antigas onde o amor se sentava ereto,
com postura, mas tremendo por dentro.
Eu, feita de minúcias, percebi:
não era paixão apressada era dessas que pedem luvas, tempo e coragem.

Caminhamos lado a lado,
mantendo a distância respeitável das convenções,
mas nossos silêncios conversavam em segredo,
trocando promessas tímidas
como bilhetes dobrados no bolso do coração.

Teu gesto contido,
ao oferecer-me o braço invisível do cuidado,
valeu mais que mil declarações barulhentas.
Pois no romantismo verdadeiro
o amor não grita 
ele persiste.

Observei-te em detalhes:
o modo como respiras antes de falar, como teus olhos pousam em mim
como quem pousa numa casa depois de longa viagem.
E ali entendi: há afetos que não precisam correr,
porque já chegaram.

Se um dia o mundo nos negar permissão, amarei mesmo assim, com a elegância rebelde das heroínas discretas, com a firmeza doce de quem escolhe ficar
sem perder a própria dignidade.

Pois amar-te,
meu caro,
é meu ato mais educadamente selvagem.
meu poema, meu esposo, meu amado

Fernanda

6 comentários:

  1. Que lindo amor declarado e André deve ficar feliz! beijos, tudo de bom,chica

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  2. Amiga Fernanda, boa noite de paz!
    "No romantismo verdadeiro
    o amor não grita
    ele persiste."

    Uma feliz colocação a sua... cheia de boa observação e cumplicidade.
    Adoro quando fala de amor, de reciprocidade...
    Esotu em sintonia com os temas como o de hoje.
    O medo de mostrar demais é quando o amor está se desabrochando em nosso coração... é normal que seja assim, segundo Yung.
    Escrever é abençoar uma vida que não foi abençoada.
    Clarice Lispector
    Serve-nos até uma certa ocasião do nosso viver, na atualidade, somos abençoadíssimas.
    Bom demais estar aqui e refletir valores amorosos de vida.
    Tenha um final de semana abençoado!
    Beijinhos fraternos

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  3. Querida Fernanda!
    Muito lindo esses dizeres: "há afetos que não precisam correr, porque já chegaram."
    Mais lindo ainda porque você os confirmou, anunciando aos quatro ventos: escolhi ficar porque eu te amooooo!
    Bjss, marli

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  4. WoW, que bella declaración de ese amor tan intenso Fernanda. Una belleza. Besitos y feliz domingo

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  5. Querida amiga Fernanda,
    Que maravilhosa declaração de amor!
    As tuas palavras têm a serenidade da brisa e a leveza de uma borboleta quando pousa sobre a pele. São o colo onde o amor se deita sem medo. São um estar simples, verdadeiro e transparente como o céu que cobre o mar!
    "Educadamente selvagem" é a expressão mais deliciosa que poderias dedicar ao teu amado esposo!

    Com todo o carinho,
    albino

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  6. Olá Fernanda, que lindo! Amei as palavras...boa semana!

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

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