Hoje havia na porta da clínica uma senhora com duas crianças. Estavam sentadas na sarjeta pedindo ajuda. A palavra sarjeta me transpôs como um soco manso que fazem hematoma na consciência. Porque, convenhamos, ninguém nasce para morar no chão. Ninguém sonha, quando criança, em transformar calçada em cama e sacola em travesseiro e eu sei muito bem disto.
Enquanto eu entrava, elas ficavam. Enquanto eu ajustava minha bolsa no ombro, elas ajustavam a dignidade para caber no pouco espaço que a cidade oferece. E ali, naquele vão entre a porta da clínica e a rua, percebi que a sociedade tem construído muitos muros. Muros feitos de pressa, de indiferença, de “não posso agora”.
Fiquei pensando no que eu poderia fazer. No que nós poderíamos fazer. Porque amparar quem vive nas ruas não é só dar moedas, embora elas também matem a fome imediata. É olhar nos olhos sem nojo. É chamar pelo nome quando ele existe. É não atravessar a rua fingindo que não viu.
É cobrar políticas públicas, sim. Mas também é oferecer presença. É apoiar projetos sociais, doar roupas limpas, comida quente, tempo, escuta. É ensinar as crianças que pobreza não é defeito de caráter. Que miséria não é escolha. Que ninguém está na rua porque “quer”.
Talvez eu não consiga mudar pensamento de ninguém ou o olhar do mundo. Mas posso mudar aquele pedaço de mundo que cruza meu caminho. Posso transformar portas fechadas em pequenas brechas de humanidade. Posso ser menos espectadora e mais participante da dor coletiva.
Hoje, ao passar por elas, levei comigo um incômodo que não quero mais calar. Porque há dores que existem para nos acordar de outra forma. E aquela senhora, sentada na sarjeta com duas crianças, não estava pedindo só moedas. Estava pedindo que a sociedade lembrasse que ainda é gente.
Talvez, se houvesse um trabalho forte, forte de verdade, não esses remendos de campanha eleitoral a história fosse outra. Um trabalho que não largasse a mão depois da primeira foto para redes sociais. Um trabalho que não tratasse gente como número de relatório.
Como? Ajudando os pais dessas crianças a terem trabalho digno. Abrindo frentes de emprego, oficinas de capacitação, parcerias com empresas, cooperativas populares. Criando estruturas, não esmolas eternas. E, ao mesmo tempo, garantindo escola para as crianças, escola que acolha, que alimente, que proteja, que não expulse pela pobreza que elas não escolheram.
Mas aí sempre surgem as mesmas frases prontas, ditas com a boca cheia de conforto:
“Ah, mas a maioria gosta de pedir… já se acostumou.”
“Ah, mas são viciados… não tem mais jeito.”
“Ah, mas se ajudar, eles não vão querer trabalhar.”
Esse blá blá blá social é uma forma elegante de lavar as mãos. É o novo “não é problema meu”, disfarçado de opinião. Porque é mais fácil rotular do que compreender. Mais confortável julgar do que construir soluções.
Sim, alguns estão presos em vícios. Mas vício não é sentença de morte social. É doença, é ferida emocional, é grito interno. E ferida não se resolve com desprezo, se trata com cuidado, com política pública séria, com saúde mental acessível, com acompanhamento, com paciência.
Ninguém acorda um dia e pensa: “Hoje vou desistir da vida”. As desistências são construídas aos poucos, pela fome, pela rejeição, pela falta de oportunidade, pelo abandono repetido.
O que falta não é só dinheiro. Falta vontade coletiva. Falta projeto contínuo. Falta humanidade organizada.
E se eu puder fazer algo, que seja isso: não permitir que a rua engula a nossa capacidade de sentir. Não aceitar a normalização da miséria. Não compactuar com o silêncio confortável.
Porque enquanto existir uma criança sentada na sarjeta, a sociedade inteira ainda está em pé… mas moralmente ajoelhada.
E talvez seja hora de levantar esse joelho. Não com discursos bonitos, mas com gestos sustentados. Com compromisso que não cansa na segunda semana. Com presença que não some quando o problema deixa de render comoção.
Levantar é entender que ajudar não é favor, é responsabilidade social. É perceber que ninguém se salva sozinho. Que a cidade só é verdadeiramente cidade quando abriga, não quando expulsa. Quando inclui, não quando varre para debaixo do tapete urbano.
Levantar é criar redes: entre igrejas, centros, escolas, universidades, comerciantes, voluntários, profissionais da saúde, assistentes sociais. Cada um oferecendo o que sabe fazer melhor. Um ensina, outro emprega, outro acolhe, outro escuta. Pequenos rios que, juntos, viram correnteza.
Porque não basta tirar alguém da rua por uma noite. É preciso acompanhar o depois. O dia seguinte. O mês seguinte. A recaída. A tentativa frustrada. O recomeço cansado. É aí que a maioria desiste , não deles, mas de ajudar. E talvez seja aí que Deus mais espera que a gente fique.
Diga:
Eu não quero mais apenas sentir pena. Pena paralisa. Quero sentir responsabilidade. Responsabilidade movimenta. Quero que o incômodo vire ação. Que a compaixão vire estrutura. Que o amor deixe de ser só palavra bonita em palestra e vire política do cotidiano.
E quando eu lembrar daquela senhora e daquelas duas crianças, sim porque em cada esqueina há muitas e muitas delas, sentadas na sarjeta, não quero que a imagem seja apenas um retrato triste na memória. Quero que seja um chamado permanente.
Um chamado para olhar menos para o chão onde eles estão sentados…
E mais para o alto do nosso próprio ego, onde ainda mora a indiferença.
Porque talvez o verdadeiro milagre social não seja tirar pessoas da rua.
Seja tirar a rua de dentro de nós.
Fernanda
Em casa, ainda sem net. Eles dizem que a caixa está sem potência.
Mas que hoje iriam resolver. Espero que sim, porque o trabalho continua mesmo sem estar no trabalho.
Oi, Fernanda! Bom dia! Infelizmente, a realidade do nosso país está bem evidente para quem quer enxergar, né? Só não vê quem finge ou quem já perdeu a esperança. A ineficiência, para não dizer a corrupção, na política é a grande responsável por isso. A quantidade de pessoas vivendo nas ruas é alarmante, e esse cenário piorou bastante após a pandemia nas grandes cidades brasileiras. Além dos que moram nas ruas, tem também aqueles que têm uma casa, mas que está em condições que ninguém deveria viver. As favelas são um reflexo claro da política que temos. É uma situação triste. Ninguém está nas ruas ou nas favelas porque quer, mas sim porque não têm outra escolha. Que o governo possa olhar para essas pessoas com a dignidade e o respeito que elas merecem.
ResponderExcluirUm abraço Fernanda!
Luciano,
Excluirsuas palavras trazem uma lucidez necessária. Quem se permite enxergar não consegue mais fingir que isso é “normal”. A ferida social está aberta, visível, pulsando nas ruas e nas periferias. E você tem razão: não se trata de escolha, mas de falta de opções, de abandono estrutural, de desigualdade histórica.
Que não percamos a capacidade de nos indignar porque a indignação justa também é forma de amor. E que, enquanto esperamos que os governos façam sua parte, nós não deixemos de fazer a nossa, no pequeno e no possível, sem delegar toda a responsabilidade, mas também sem nos acomodar.
Obrigada pelo olhar sensível e consciente. Um abraço grande.
Infelizmente, isso não mais me toca o coração. Não me choca.
ResponderExcluirAcabou-se o tempo, para mim, de sentir isso.
Não fiquei insensível.
Fiquei mais atenta, mais consciente de que tem "povo" que não quer mudar.
E sempre digo que: não gosto de povo. Gosto de gente.".
Ficar sem Internete é de enlouquecer qualquer "cristão". E a gente paga caro para tê-la.
Beijo,
Liliane,
Excluirentendo o cansaço que existe nas suas palavras… ele é humanamente compreensível.
Mas talvez o desafio maior seja não deixar que a lucidez vire dureza no coração. É verdade: nem todos querem mudar. Ainda assim, isso não nos autoriza a desistir de sentir. Porque quando paramos de nos comover, algo em nós também se perde pelo caminho.
E concordo: “povo” é massa, rótulo, distância. “Gente” é rosto, nome, história. É nessa gente que Jesus sempre parou.
Quanto à internet… ela enlouquece mesmo 😂 mas talvez seja só um lembrete irônico de que seguimos conectados ao essencial mesmo quando o sinal cai.
Beijo 🙏🏻
Oi, Nandinha, maravilhoso, verdadeiro, responsável texto!
ResponderExcluirÉ muito triste, amiga, todos os dias as ruas das grandes cidades vão "ganhando" novos moradores de rua. Pura irresponsabilidade de nossos governantes! Não têm dinheiro para excelentes projetos? Ora, ora... sabemos que tem e para onde vão. Uma irresponsabilidade sem perdão! Afinal, o que vale mais de que um ser humano?
É terrível diariamente passar por eles. Nós doamos muitas coisas para as igrejas, muitas roupas etc. Para eles, já compro algo no Supermercado onde eles ficam por ali, esperando matar a fome. E a gratidão e o sorriso me partem o coração. Enfim, amiga, não levo fé nenhuma que o Estado, e o município, cumpra sua obrigação, principalmente com o coração.
Beijinho, querida, texto escrito lá do fundo do teu coração lindo. ❤️🙋♀️
Tais,
Excluirseu comentário é um abraço em forma de palavras. 🙏🏻
Também dói ver esse cenário se repetir todos os dias, como se a miséria tivesse virado paisagem urbana. E dói mais ainda saber que recursos existem, mas nem sempre chegam onde a vida grita mais alto.
O que você faz doar, comprar alimento, olhar nos olhos, receber um sorriso é resistência silenciosa contra a indiferença. São gestos simples, mas carregados de humanidade. Às vezes, o Estado falha, mas o amor cotidiano de pessoas como você ainda sustenta esperanças pequenas, porém reais.
E que a gente continue escrevendo, ajudando, sentindo… mesmo com o coração apertado. Porque enquanto houver quem ame assim, ainda há luz no caminho.
Beijinho grande, minha querida. 🙏🏻
Querida amiga Fernanda, é assim que vai caminhando o mundo!
ResponderExcluirVou contar-te algo que se passou comigo neste Natal.
- Poucos dias antes do Natal, passei por um mendigo sem abrigo. Trocamos um olhar. Dei dois passos e parei. Voltei a olhar. E nesse segundo olhar senti vergonha. Eu, vestia roupa quente e confortável. Tinha uma boa casa, aquecida, ali bem próximo. Senti vergonha de pertencer a uma sociedade tão desigual, tão absurdamente estúpida. É dessa vergonha que falo quando alguém vira a cara para não ver, quando alguém muda para o outro lado da rua para não ter de encarar a realidade, apressando o passo, para desaparecer rapidamente no final da rua. Por isso, é que cresceu uma bolha imensa de conformismo, onde se acolhe a indiferença, o egoísmo, a falta de coragem, a indignidade. Para os que, vergonhosamente, se escondem nessa bolha, a vida torna-se, aparentemente, tão mais leve, tão mais graciosa quando não tropeçam na miséria. Para esses, o NATAL não passa de uma falsa e hipócrita manifestação de superioridade.
Aqui, cabe perguntar:
Para onde caminha o mundo?
Um abraço, com todo o carinho.
Querido Albino,
Excluiro que você contou não é só um episódio de Natal… é uma verdade real . Esse segundo olhar de que você fala é o mais difícil porque nele já não dá pra fingir que não vimos. É ali que a consciência acorda e a gente percebe que o conforto, quando não se transforma em cuidado, pode virar privilégio silencioso.
Essa “bolha de conformismo” que você descreve existe mesmo. Ela é quentinha, macia, cheia de justificativas elegantes para a indiferença. E talvez por isso seja tão perigosa: porque anestesia sem doer. O problema não é ter uma casa aquecida, é fechar as janelas do coração para não sentir o frio do outro.
Quando você pergunta para onde caminha o mundo, eu penso que ele caminha exatamente na direção que nossos olhares escolhem. Cada vez que alguém atravessa a rua para não ver, ele anda para trás. Cada vez que alguém para, sente vergonha boa essa que não paralisa, mas empurra para o gesto humano ele dá um pequeno passo à frente.
E talvez seja isso o Natal de verdade: não a festa da aparência, mas o nascimento diário da coragem de não ser indiferente.
Um abraço 🤗
Olá, Fernanda
ResponderExcluirNeste texto você expressa a dor de tanta gente que sofre e que não tem mais alternativa senão ir morar na rua. Por cá, temos notícias de pessoas despejadas das suas casas por não poderem pagar renda, com filhos, com a tralha que conseguem levar. Recorrem ao centro paroquial, à assistência social, voluntários de noite levam comida quente, agasalho, enfim um mundo que muitas vezes desconhecemos.
Diz bem. Nós não poderemos salvar o mundo inteiro, ou sensibilizar, mas ao menos dos casos de que temos conhecimento ou com que nos deparamos nas ruas, saibamos prestar atenção, abraçar, acolher. Não um acolhimento fugaz, mas que saiba acompanhar, com solidariedade e amor.
Tenha uma semana boa, embora sem internet.
Beijinhos
Olinda
Olinda querida,
Excluirsuas palavras chegam como luz pequena, mas persistente, no meio desse cenário tão duro. Essa imagem das famílias despejadas, das crianças carregando o pouco que sobrou da vida, dói porque é real e porque poderia ser qualquer um de nós, perdendo o equilíbrio na existência.
Você toca num ponto essencial: esse “mundo invisível “ que só passa a existir quando alguém decide olhar. O centro paroquial, os voluntários da noite, a comida quente entregue no frio… são gestos simples, mas profundamente revolucionários. Eles não resolvem tudo, é verdade, mas sustentam o fio da dignidade que insiste em não se romper.
E eu concordo muito com você: não é sobre um acolhimento rápido, para aliviar a própria consciência, mas sobre permanecer. Sobre acompanhar, chamar pelo nome, voltar, criar vínculo. Amor que passa correndo aquece pouco; amor que fica, mesmo cansado, transforma.
Obrigada por partilhar seu olhar tão fraterno.
Bjinho 😘
Querida Fernanda!
ResponderExcluirTeu texto é profundo e toca na ferida. Concordo contigo em tudo que você falou. Penso que olhar com amor é um gesto válido de reconhecimento da humanidade e dignidade do outro. No entanto não é suficiente quando faltam opções reais e tangíveis e o sistema de assistência social falha em prover o suporte necessário. A vida nas ruas é o resultado de uma falha sistêmica: falta de moradia acessível, desemprego, problemas de saúde mental não tratados, dependência química e o rompimento de laços familiares. As políticas de assistência social que deveriam impedir as pessoas de caírem na extrema vulnerabilidade ou oferecer-lhes a oportunidade de recuperação, não fazem nada disso. O que se vê na prática é uma demanda crescente de necessitados sem os recursos humanos e materiais adequados. As "soluções" são sempre paliativas e temporárias, incapazes de gerar transformações duradouras: abrigos noturnos (superlotados), distribuição de alimentos, etc. A meu ver a solução para a situação de rua reside em políticas sociais robustas e no fortalecimento do sistema de assistência social. Por incontáveis vezes, assim como você, também fico "... pensando no que eu poderia fazer. No que nós poderíamos fazer. Porque amparar quem vive nas ruas não é só dar moedas, embora elas também matem a fome imediata. É olhar nos olhos sem nojo. É chamar pelo nome quando ele existe. É não atravessar a rua fingindo que não viu." É isso minha amiga, a realidade vai além do olhar compassivo. A compaixão precisa de ação pontual e concreta.
Bjsss e aplausos pelo texto.
Marli
Marli querida,
Excluirque comentário necessário você trouxe… desses que não passam a mão na cabeça da realidade, mas também não deixam o coração endurecer. Você tem toda razão: o olhar amoroso é o começo, nunca o fim. Ele reconhece a dignidade, mas não constrói casa, não garante tratamento, não cria políticas públicas.
Quando você nomeia as causas: moradia inacessível, saúde mental abandonada, desemprego, dependência química, vínculos rompidos você tira o tema do campo da “fatalidade” e coloca onde ele precisa estar: na responsabilidade coletiva. A rua não é destino, é consequência.
E ainda assim, algo em você me tocou profundamente: mesmo sabendo de todas essas falhas estruturais, você não desistiu do gesto humano. Continua olhando nos olhos, chamando pelo nome, recusando a indiferença. Isso, pra mim, é o elo entre o macro e o micro: lutar por mudanças maiores sem abandonar o cuidado imediato.
Talvez seja isso que nos cabe hoje: pressionar o sistema com consciência crítica e, ao mesmo tempo, sustentar a compaixão em ações concretas ainda que pequenas que devolvem humanidade a quem o mundo insiste em invisibilizar.
Obrigada por ampliar o debate com tanta lucidez e afeto. Seu aplauso eu devolvo em forma de abraço forte e respeitoso. 😘🙏🏻
Fernannda, minha amiga escritora.
ResponderExcluirEsse assunto é muito complexo.
De todo lado que a gente olha, sempre tem um culpado e todos os culpados sempre tem uma desculpa.
Mas, a gente sabe, que no fundo, a culpa é da sociedade inteira.
A mesma sociedade que vota sempre nos mesmos políticos.
A sociedade que consnegue mandar para o segundo turno de uma eleição presidencial, duas porcarias como Lula e Bolsonaro.
A mesma sociedade que só reclama de alguma coisa, quando é diretamente prejudicado, porque, se o prejudicado é o vizinho... Que se ferre.
É minha amiga!
Essa situação está londe de melhorar.
Infelizmente.
Um abraço!
Andre, meu amigo,
Excluireu sinto o cansaço que escorre das tuas palavras. Esse desânimo que nasce quando a gente olha em volta e parece que tudo anda em círculos sempre os mesmos erros, as mesmas escolhas, as mesmas feridas abertas.
Você tem razão numa coisa fundamental: essa conta não é de um nome só, nem de um partido só, nem de um governo isolado. Ela é coletiva. É da sociedade que terceiriza a responsabilidade, que se indigna nas redes, mas se acomoda no cotidiano. Que só acorda quando a dor bate na própria porta.
Mas deixa eu te dizer algo, com carinho: quando a gente transforma tudo em “não tem mais jeito”, corre o risco de fazer exatamente o jogo da desesperança. E a desesperança é uma das maiores aliadas da injustiça, porque paralisa.
Talvez a mudança grande ainda esteja longe, sim. Talvez o cenário político continue decepcionando. Mas enquanto houver gente que não aceita que “o vizinho que se ferre”, ainda existe um fio de humanidade puxando esse mundo pra frente mesmo que devagar, mesmo pulando os obstáculos .
Sabe Andre? Eu prefiro continuar cansada, crítica, inconformada… do que confortável na indiferença. Porque é desse incômodo que ainda nascem gestos, escolhas e pequenas revoluções silenciosas.
Um abraço 🥰 🙏🏻
Crea que tienes razón Fernanda y quizás sea hora ya de levantarse y plantar cara a la vida.
ResponderExcluirUn texto profundo e intenso que no deja indiferencia. Besitos
Querida Nuria,
ExcluirSim… talvez já seja hora de parar de baixar a cabeça e começar a encarar a vida de frente, mesmo quando ela dói. Porque textos como este não querem apenas emocionar: querem despertar, incomodar um pouco, sacudir essa indiferença silenciosa que vai se instalando sem pedir licença.
O fato de não deixar ninguém indiferente, para mim, é o maior elogio. Significa que algo se moveu por dentro, que o coração não passou apressado.
Obrigada por ler com a alma aberta e por compartilhar tanta força com delicadeza. Beijinhos cheios de luz. 😘🙏🏻
Fernanda, você diz verdades mas o problema é complexo.
ResponderExcluirQuando eu era adolescente, eu sentia uma profunda tristeza com problemas desse tipo. Eu ouvia falar na fome na Etiópia, dos meninos de rua aqui no Brasil e coisas do tipo e ficava mal...queria poder resolver todos esses problemas.
Até que entendi que as dores do mundo não podem virar bagagem em nossas costas, porque senão, a gente enverga e cai de tanta desilusão.
É como você diz. Políticas públicas e fazer o que está ao meu alcance até onde vai nosso braço.
E aceitar o dito de Jesus, que os pobres, sempre teríamos conosco.
Eduardo,
Excluireu entendo o que você diz… e concordo em parte. Também já senti esse peso do mundo nas costas, essa vontade quase infantil de consertar tudo de uma vez, como se o coração pudesse virar governo, ONG e milagre ao mesmo tempo. A vida ensina mesmo a medir os braços e a não transformar empatia em adoecimento.
Mas eu ainda acho necessário esse incômodo inicial. Ele é sinal de que não se acomodou. O desafio, pra mim, é não carregar o mundo nas costas, mas também não deixar o mundo passar por nós sem nos incomodar . É esse equilíbrio difícil entre não endurecer e não se quebrar.
E quando Jesus diz que os pobres sempre estarão conosco, eu não escuto como uma sentença de desistência, mas como um chamado permanente ao cuidado. Como quem diz: “vocês sempre terão a chance de amar, servir e escolher o bem”. Talvez não seja sobre resolver tudo, mas sobre não fechar o coração enquanto fazemos o que está ao nosso alcance.
No fim, meu amigo, sigo acreditando que o pouco feito com consciência e ternura ainda é revolução silenciosa.
Sinceramente o que penso .
Abraço 🥰
Sabe, Fernanda, eu faço voluntariado na loja social, aqui da minha cidade, uma loja que vive de donativos; os alimentos são fruto de recolhas feitas em super - mercados e as roupas e outros itens são doados por pessoas que lá os levam. Mas, Amiga, há gente que tem a coragem de levar roupas e calçados estragados, que, simplesmente, são por nós colocados em sacos para que sejam reciclados; ficamos indignados! Pensam que pobre é lixo e de lixo tem que se vestir. Também temos o contrário, felizmente, gente que leva tudo em boas condições e bem lavadinho. O que mais me choca é que há muita gente que trabalha, mas que precisa de procurar ajuda, pois não consegue pagar o aluguer. Os senhorios perderam a vergonha e aumentam o preço para além do permitido por lei; não passam recibo e as pessoas ficam impossibilitadas de fazer queixa. E o que faz o governo? Promete construir casas sociais, com rendas acessíveis, mas, nada acontece. Para terem acesso à loja social, têm de ter a aprovação da assistente social, o que me agrada, pois assim, sabemos que quem lá vai, precisa realmente. E as crianças? Como ficam felizes com um brinquedinho doado, um iogurte ou uma bolachinha de chocolate...
ResponderExcluirMas, quanto aos comentários negativos, também os ouvimos lá, muitas vezes feitos pelos próprios voluntários, em especial quando se trata de ciganos. Não posso ouvi-los esquecem-se que ninguém dá emprego a um membro dessa comunidade e o que lhes vale são as feiras onde conseguem algum dinheiro. Há uma característica que muito aprecio nessa comunidade , o respeito pelos idosos e pelas crianças; nunca abandonam uma criança e quando ficam órfãos, os outros encarregam-se delas. É nós, a raça mais perfeita que a deles? Além de as abandonarmos, até há casos em que as matamos. E os idosos? Há muitos casos de violência física contra eles, feita pelos próprios filhos. Uma vergonha, para o tal " homo sapiens "
Amiga, não podemos resolver estes casos, de crianças a viverem nas ruas, a passarem fome e frio, mas podemos sempre ajudar, porque não faltam casos desses bem perto de nós. É só prestar atenção e não fugir deles, como se tivessem " lepra "
Querida Amiga, muito obrigada por trazer es este tema, pertinente e digno de uma profunda reflexão. Saio daqui sempre mais enriquecida,
Beijinhos e continua assim, com esse coração LINDO
Emília ♥️ 🌻 🌻