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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

05 janeiro, 2026

O cantinho de alguém

Aleatoriamente um toque de poesia



Vamos conversar?
Assim, de um para o outro, como se estivessemos numa roda de amigos presentes, sem pressa e sem ruído desnecessário.

A elegância também é força 
Meu amigo.

O palavrão e eu não combinamos. Da minha boca ele nunca tomou forma e, no meu pensamento,
mantenho-o a léguas de distância, porque o acho vil, abominável, feio e de um desrespeito hercúleo.

Não é pudor exagerado, nem moral emprestada  é escolha.
Palavra tem peso, tem corpo, tem intenção. E há palavras que chegam sujando o ambiente, rasgando o ar, diminuindo quem fala e quem escuta.

Prefiro o silêncio bem colocado,
a ironia discreta,
o desagrado dito com firmeza e educação.
Ofender nunca me pareceu sinal de coragem,
mas de pobreza de vocabulário
e de afeto.

Há quem confunda grosseria com sinceridade,
barulho com verdade.
Eu sigo acreditando que a elegância também é força
e que respeito não é ornamento 
é estrutura.

Assim, sigo escolhendo palavras
como quem escolhe caminhos: alguns podem ser mais fáceis, mas nem todos levam a um lugar onde eu queira estar.

O cantinho de alguém é como um santuário.
Não se entra de qualquer jeito, não se fala alto, não se espalha desordem. Visita-se com cuidado, com educação, quase com um pedido silencioso de licença.

Há pessoas que confundem intimidade com permissão. Acham que, por estarem próximas, podem largar as botas sujas no tapete do outro, cuspir palavras ásperas, usar vocabulário grosseiro como se fosse prova de autenticidade. Não é. É só falta de respeito mesmo.

Palavra tem peso. E palavra feia não se transforma em verdade só porque é dita sem filtro. Em cantinho alheio, a fala deveria ser macia, consciente, limpa. Não por moralismo, mas por consideração. Ninguém é obrigado a acolher aquilo que machuca, constrange ou polui o ambiente.

Quando alguém abre o próprio espaço seja a casa, o coração ou uma simples página está oferecendo confiança. E confiança não combina com palavrão, com grosseria, com descuido. Combina com delicadeza, mesmo quando há discordância.

Quem sabe entrar com carinho, sabe sair maior.
Quem não sabe, não percebe que nunca foi intimidade o que faltou  foi educação.
O meu blog fala de amor não de ira.
Meu pai lê, meu esposo, e minha filha adolescente também.
Por favor! Peço que continue assim.
Com respeito e educação



Fernanda



10 comentários:

  1. O palavrão é a arma dos ignorantes.
    .
    Cumprimentos poéticos
    .

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    1. Ricardo,

      tua frase é direta e provoca reflexão.
      Gosto do teu "cumprimentos poéticos". Obrigada!

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  2. Amiga Fernanda, querida, boa tarde!
    Tem toda razão. Por isso não leio blog pornô também, pelos mesmos motivos que os seus em relação ao palavrão.
    O mundo anda tão feio que, quanto mais o enfeiamos, mais sujamos nosso espírito.
    Família e o mundo nos leeem... tem que ser dentro dos padrões normais de civilização.
    Como tem gente sem noção, eu valido comentários...
    Não entro no blog os amigos com grosserias ou com pouco caso, mesmo que com pressa pelos compromissos da vida, vou com carinho que é o que sei dar a todos e a mim também.
    Gostei de ter abordado tal tema.
    Ótimo!
    Creio que muitos pensam estar na crista da onda falando palavrões...
    É questão de libertação, perdir a Graça.
    No mais, vamos ser e fazer feliz, pois o ano corre veloz... vale a pena viver, apesar de...
    Palavras bonitas e amorosas nos dão vigor e aumentam nosso elã.
    Tenha dias abençoados e felizes, Amiga!
    Beijinhos fraternos

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    1. Querida Roselia,

      tua fala é um reflexo de coerência e sensibilidade. Dá para sentir o cuidado com o que se lê, com o que se escreve e, principalmente, com o que se cultiva por dentro. Tens razão: o mundo já anda áspero demais para que a gente escolha endurecer ainda mais o espírito.

      Gosto muito quando lembras que família e mundo nos leem. Isso não é censura, é responsabilidade. Palavra é energia, é rastro, é exemplo. E validar, filtrar, escolher onde estar também é um gesto de amor-próprio e de respeito ao outro.

      Teu jeito de entrar nos espaços mesmo na pressa com carinho, diz muito sobre quem tu és. Não é sobre estar “na crista da onda”, é sobre permanecer inteira, leve e fiel ao bem que se deseja espalhar.

      Que possamos seguir escolhendo palavras que elevam, atitudes que não sujam. O tempo corre, como disseste, e viver com sentido é o melhor uso dele.

      Beijinhos fraternos, com carinho,🙏🏻

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  3. Oi, Fernanda! Boa noite! Permita-me, primeiramente, expressar meu arrependimento pelas palavras que empreguei em meu comentário anterior. Reconheço que minha escolha de vocábulos foi infeliz e poderia, de fato, causar desconforto, algo que jamais foi minha intenção. Desde que descobri este adorável espaço, tenho sentido um genuíno prazer em realizar visitas e comentar, e gostaria de me comportar de maneira mais cortês daqui em diante. Peço desculpas a você, a seu pai, a seu esposo e à sua filha, reafirmando que a ofensa não estava nos meus planos. Se, porventura, eu voltar a utilizar expressões que possam ser consideradas inadequadas, sinta-se à vontade para não publicá-las. Você está absolutamente certa em suas observações, que ressoam com uma verdade inegável. Mais uma vez, lamento sinceramente qualquer mal-entendido que minhas palavras possam ter causado. De verdade não foi minha intenção. Abraço Fernanda.

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    1. Luciano

      Sei que, às vezes, num momento em que a zanga flui, não se mede o que se sente. A palavra escapa, o tom sobe, e o cuidado fica para depois. Somos humanos, e isso acontece. Ainda assim, sempre acreditei que os espaços que criamos, sejam eles páginas, casas ou relações pedem um mínimo de zelo.

      Li o comentário, sim. Li com atenção, refleti e ponderei antes de publicar. Não foi impulso. Foi escolha. Mesmo assim, confesso que fiquei triste. Triste não pelo confronto em si, mas pelo tom que atravessou um lugar pensado para acolhimento e troca respeitosa.

      Fiquei ainda mais pasma quando André me chamou para perguntar se eu havia lido antes de postar. A pergunta dele revelou algo importante: às vezes sustentamos por fora o que por dentro já doeu. E reconher isso não é fraqueza, é honestidade emocional.

      Postei porque acredito no diálogo, mesmo quando ele desconforta. Silenciar, em alguns momentos, também é concordar. Preferi confiar que a escuta viria e ela veio. O pedido de desculpas trouxe de volta o cuidado, mostrou que é possível rever, ajustar, crescer.

      No fim, ficaram os aprendizados: palavras têm peso, espaços têm limites e relações se preservam quando há humildade para reconhecer excessos e disposição para seguir com mais consciência. É assim que escolho permanecer inteira, aberta, mas fiel ao respeito que sustenta qualquer convivência.
      Obrigada Luciano🙏🏻

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  4. Uma reflexão muito necessária, principalmente nos tempos que vivemos...

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    1. Sérgio,

      obrigada pela leitura atenta.
      Reflexões necessárias costumam surgir justamente quando o ruído aumenta. Que elas nos ajudem a escolher melhor as palavras, os gestos e os espaços que ocupamos com mais consciência e cuidado, sobretudo nestes tempos.🙏🏻

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  5. Não é de bom alvitre ser mal educado na casa de ninguém. Nem mesmo de amigos. Porém, confesso que eu de vez em quando solto um palavrão...geralmente, quase nunca, para ofender terceiros. Uso o palavrão como ênfase existencial... Tipo: dou um topada numa pedra com o dedo mindinho, e aí, não tem conversa, só um bom e velho palavrão para amenizar a dor....rs

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    1. Eduardo,

      teu comentário é honesto e bem-humorado e isso faz toda a diferença. Tens razão: educação é regra em qualquer casa, ainda mais na dos amigos. E essa tua “ênfase existencial” arrancou um sorriso, porque é humana demais para negar.
      A diferença, como deixas claro, está na intenção. Não é para ferir, nem para desrespeitar, mas quase um reflexo diante da dor especialmente quando o mindinho resolve testar nossa fé… rs.
      Mas eu, quando bato o dedo digo: Deus do céu haha é sério!

      Valeu,🙏🏻

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)