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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

02 fevereiro, 2026

A lagarta que já era borboleta

Aleatoriamente um toque de poesia



A lagarta nunca sabe direito
que carrega asas por dentro.
Vai devorando folhas,
arrastando o corpo miúdo,
como quem cumpre um destino
que não escolheu.

O mundo olha e pensa:
“Coitadinha, tão rasteira.”
Mas ela guarda um segredo:
há uma luz inquieta
se mexendo no miolo do peito,
um chamado que ninguém vê.

Quando o tempo chega 
esse mestre paciente 
a lagarta se fecha em si mesma,
tece um silêncio,
uma espécie de oração de fios.
E espera.
Espera como quem confia
num Deus que trabalha no escuro.

Então o milagre se abre:
as asas, antes sonho,
viram corpo.
A lentidão vira voo.
E o que era chão
vira céu.

No fundo, a borboleta
sempre esteve ali,
mas precisava de coragem
para nascer de si mesma.

E eu penso que a gente é assim também:
às vezes rasteja,
às vezes dói,
às vezes parece impossível.
Mas o milagre já está dentro 
só falta o tempo
de desabrochar.


Fernanda

11 comentários:

  1. Oi, Fernanda! Bom dia! Belíssima prosa poética. Disseste algo verdadeiro. De fato todos nós enquanto encarnados nesse corpo somos como a lagarta pronta esperando o "tempo" oportuno de virar borboleta pra voar. Um abraço!

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    1. Boa tarde!

      Quando você fala desse “tempo oportuno” da transformação, toca num ponto essencial: a metamorfose não acontece à força, ela acontece no ritmo da consciência. Cada um carrega seu relógio interno, seu instante de despertar, seu momento de abrir as asas.

      Somos, sim, lagartas em aprendizagem constante, tropeçando, rastejando às vezes, mas acumulando silenciosamente a coragem do voo. E o mais bonito é perceber que, enquanto encarnados, já podemos ensaiar pequenas asas nos gestos de amor, nas escolhas mais conscientes, na vontade sincera de ser melhor.

      Seu olhar amplia a prosa e acrescenta essa dimensão do tempo como aliado da alma. Obrigada por caminhar junto nesse jardim de reflexões.

      Um abraço grande e cheio de luz.

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  2. Nanda, sempre fazendo belas reflexões aqui! E sabes, penso que quando acreditamos, conseguimos fazer pequenos milagres acontecer. Isso já é muiiiiiito legal! Ótimo dia! beijos, chica

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    1. Chica querida,

      tua presença sempre chega como brisa leve e boa!

      É exatamente isso… quando acreditamos, algo dentro de nós se move. Às vezes não muda o mundo inteiro, mas muda o nosso jeito de estar nele e isso já é um milagre silencioso, cotidiano, poderoso. Esses “pequenos milagres” são feitos de coragem, de esperança teimosa, de gestos simples que carregam amor.

      Obrigada por somar tua sensibilidade às minhas reflexões e por espalhar essa luz mansa que aquece sem queimar. Que teu dia também seja cheio desses milagres miúdos e lindos.

      Beijos carinhosos,

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  3. Fernanda, bom dia!!
    No fundo nós somos lagartas.
    Ou deveríamos ser.
    Porque a lagarta através da metamorfose se transforma em borboleta.
    Ela aprende que é melhor voar que rastejar.
    Nós deveríamos ter essa metamorfose.
    No nosso caso: cerebral.
    Nós rastejamos em vários assuntos que não entedemos dentro de nossas cabeças. E as vezes esses assuntos nos prendem dentro de casulos intelectuais e nos fazem sofrer.
    Somos broncos.
    Temos nossas verdades e não conseguimos evoluir se não aceitarmos a metamorfose.
    A mesma proposta pelo Raul Seixas.
    Como é bom não ter a velha opinião formada sobre tudo.
    Temos que crescer e aprender a voar intelectualmente.
    Isso é um aprendizado constante e só depende de nós mesmos.
    Ótimo texto.

    Um abração!!!!

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    1. André, teu comentário é uma aula vestida de metáfora.
      Quando dizes que “no fundo somos lagartas”, tocas num ponto delicado: o processo dói. A metamorfose não é 🇦🇴confortável. O casulo intelectual que você menciona muitas vezes é construído por medo, orgulho ou excesso de certezas. E é ali que ficamos apertados, sufocados, repetindo padrões, achando que aquilo é o máximo que podemos ser.

      A lembrança do Raul Seixas foi perfeita. Não ter “a velha opinião formada sobre tudo” é um ato de coragem. Exige humildade para desaprender, para rever, para admitir que ainda estamos e construção. E é justamente isso que nos faz voar: aceitar que crescer mentalmente é um exercício diário.

      Voar intelectualmente, como você diz, não é saber mais que o outro, mas enxergar mais longe dentro de si. É trocar o rastejar automático pela consciência do passo, da escolha, da mudança.

      Teu comentário não apenas dialoga com o texto ele amplia a reflexão e convida quem lê a sair do chão das certezas rígidas e experimentar o céu do pensamento livre.

      Abraço grande, desses que também empurram para o voo.

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  4. Linda poesia metafórica com excelentes reflexões. A vida é misteriosa, às vezes alguém se surpreende com um potencial que lhe era desconhecido, mas que sempre esteve ali bastava que despertasse.
    Boa Tarde. Bjsss, Norma
    Nova postagem

    https://pensandoemfamilia.com.br/poesia/frases-e-a-poetica-do-viver/

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  5. Olá Fernanda, querida amiga.
    É muito belo o texto que nos deixas.
    Pensando bem, também a nossa vida é um metamorfose. Cada dia que passa algo se transforma em nós. Deus criou tudo tão perfeito, que nós não conseguimos desvendar o mistério maravilhoso da vida!
    As metáforas da tua poética são tão exatas e lineares que tudo fica claro como a luz do sol...
    Ler-te é sempre um doce fascínio!

    Um carinhoso abraço minha amiga!

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  6. Olá, amiga Fernanda, gostei muito desse
    seu excelente poema inspirado no bater de asas das borboletas no seu mundo encantado de cores várias, que enfeitam a natureza.
    Uma boa semana, querida amiga, com muita paz.
    Grande abraço!

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  7. Amiga Fernanda, Boa noite de paz!
    Sou uma borboleta com asas abertas e livre.
    Meu pouso é suave e fujo de qiem suspeito querer cortar minhas asas.
    Seu poema é esvoaçante...
    Tenha dias abençoados em fevereiro!
    Beijinhos fraternos

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  8. El poema transmite una sensación profunda de paciencia y transformación. Me gusta cómo usa la oruga y la mariposa para mostrar que el crecimiento verdadero ocurre desde adentro, que el dolor y la espera forman parte del proceso, y que el milagro de florecer ya está dentro de nosotros, solo necesita tiempo y coraje para mostrarse.
    Profundamente intenso.
    Un abrazo

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

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