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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

10 abril, 2026

A minha paz

Aleatoriamente um toque de poesia



Demorei a entender que a paz não se pede, nem se compra, nem se encontra em lugares bonitos com cheiro de lavanda. A paz verdadeira não depende do que está fora, mas do que permanece dentro,  mesmo quando tudo ao redor desaba.

Durante muito tempo, acreditei que ela viria quando tudo estivesse “certo”: quando houvesse silêncio na casa de dentro, quando as pessoas  entendessem o que eu queria dizer, quando o dia corresse leve e sem tropeços. Mas descobri que essa paz era frágil, dependente do humor do mundo, das vontades alheias, das circunstâncias que mudam como o vento.

A paz interior é outra coisa. É o instante em que o coração decide não se abalar com o que não pode controlar. É quando escolho não reagir, não carregar o peso do que não é meu. É o momento em que aceito que o barulho lá fora não precisa morar dentro de mim.

A minha paz é um refúgio discreto. Ela não faz barulho, não se exibe, não precisa de aprovação. Vive no gesto simples de respirar fundo antes de responder, no silêncio que substitui a ofensa, na gratidão que ainda encontro mesmo em dias difíceis.

Porque se a minha paz depender das marés do mundo, estarei sempre à deriva. Prefiro ancorá-la em mim, no que sou, no que sinto, no que escolho preservar. Assim, mesmo quando o mundo se agita, dentro de mim o mar permanece calmo.


Fernanda

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

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