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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

18 abril, 2026

Só nós dois

Aleatoriamente um toque de poesia



Se há um luxo neste mundo e ouso dizer que há poucos é o de partilhar um fim de semana com aquele que nos aquieta o espírito.

Não se trata de grandes viagens, nem de acontecimentos dignos de relato público. Ao contrário, reside justamente na delicadeza do ordinário: no arrumar distraído de uma mala, no entrelaçar de olhares cúmplices, na conversa que se prolonga sem esforço, como se o tempo tivesse, por gentileza, decidido nos favorecer.

Ao teu lado, descubro que a felicidade não exige alarde. Ela se apresenta discreta, quase tímida, escondida em pequenos gestos um sorriso contido, um toque leve, um silêncio confortável que fala mais do que qualquer declaração exaltada.

Confesso que há, em tua companhia, uma espécie de serenidade que me surpreende. Não aquela que advém da ausência de sentimentos, mas a que nasce justamente da certeza deles. E que rara é tal segurança, em um mundo tão inclinado às inconstâncias.

Assim, deixo-me ficar não por falta de alternativa, mas por escolha deliberada. Pois, se o tempo insiste em seguir seu curso, que ao menos encontre em nós dois um breve argumento para desacelerar.

E, se o domingo se apresentar com suas despedidas inevitáveis, por causa do trabalho, ouso acreditar que levará consigo menos de mim do que imagina pois uma parte minha, muito tranquila e resoluta, terá decidido permanecer contigo.



Fernanda

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

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