Cada um tem um jeitinho de ser que carrega como assinatura.
Umas pessoas chegam fazendo festa, abrindo as janelas do ambiente com risada alta e presença luminosa. Outras chegam devagar, como quem pede licença ao chão, e só depois de um tempo a gente percebe que a casa ficou mais quente. Há quem fale com as mãos, quem converse com os olhos, quem escreva com o corpo inteiro sem precisar de nenhuma palavra.
Meu jeitinho de ser sempre foi meio "bagunçado" e profundo uma mistura de café muito forte com silêncio pensativo. Nunca soube entrar em lugar nenhum sem levar meus sentimentos junto, como se eu fosse um pequeno cortejo de memórias ambulantes. Chego com o passado no bolso, com o futuro nos olhos e com o presente tentando alinhar o passo. E se tropeço, paciência. Faz parte das curvas que me desenham.
Há quem diga que sou sensível demais.
Eu digo: sou sensível o suficiente para não viver pela metade.
Sinto o que sinto sem pressa de aparar as bordas.
No meu jeitinho de ser, eu amo com cuidado, mas não com medo.
Tenho traumas, claro, quem não tem? Mas aprendi a não criar jaulas com eles. Deixo que me alertem, não que me acorrentem. Já fui de construir paredes; hoje prefiro erguer quintais. Porque descobri que amar não é vigiar, é cultivar. Amor que respira é amor que floresce.
E, veja bem, cada jeitinho é um mistério.
Tem gente que é Norte, guia.
Tem gente que é Sul, descanso.
Tem gente que é Leste e traz amanhecer.
Tem gente que é Oeste e guarda crepúsculos.
E a gente, na vida, encontra um pouco de cada direção até descobrir o próprio eixo.
O meu eixo tem filhos correndo pela casa, tem lembranças que me abraçam mesmo quando doem, tem fé que se inclina sobre mim como quem ajeita um cobertor. Tem dias de desordem, sim. Tem dias de paz também. Nesse meio, sigo sendo eu, lutando com meus medos, conversando com Deus na cozinha enquanto a água ferve, agradecendo pelas coisas que se ajeitam sem que eu precise entender.
E pedindo que Ele fique comigo todos os dias e hoje no dia de retorno ao lar.
E se o meu jeitinho de ser não couber na expectativa de alguns, tudo bem.
Eu não fui feita para caber, fui feita para viver.
E viver é ampliar, não reduzir.
No fundo, o jeitinho de ser é o testemunho íntimo da nossa existência.
É o que fica quando o resto vai embora.
É o que somos quando ninguém está olhando.
E é ali, exatamente ali, que mora a verdade.
Que cada um possa honrar seu próprio jeitinho.
Com carinho.
Com coragem.
Com gentileza com as próprias falhas.
Porque no fim das contas, o mundo todo se equilibra nessa diversidade bonita de sermos únicos e ainda assim, encontrados.😜
Bem dito Fernandinha. Fernanda por Fernanda. Ser unico, insubstituível e transcendental. Agradar a todos nem pensar. Segue seus caminhos iluminados Fernandinha.
ResponderExcluirFeliz semana com fé que tudo vai ficar bem do jeitinho que sonha.
Abraços querida amiga.
Lindo texto falando em ti e do TEU jeitinho que é apenas teu...Cada um com o seu e para muitos ,isso é difícil de entender! Linda foto também! beijos, chica
ResponderExcluirDeus criou-nos à sua imagem e completamente únicos.
ResponderExcluirE, isso, é tão bom!
Por isso, devemos ser nós mesmos,sempre.
Lindo texto.
Abraço.
Essa diversidade de "jeitinhos" é o que nos faz humanos. Não agimos só por instinto, produzimos cultura.
ResponderExcluirGostei muito desse texto. Parodiando o texto bíblico, eu diria que há tempo de construir muros e tempo de construir quintais.
Boa semana.
Fernanda, joia a ser exibida.
ResponderExcluirPura poesia sobre a própria identidade. Você descreve com muita sensibilidade e coragem esse seu jeito profundo, que abraça o passado e o futuro enquanto busca o equilíbrio no presente. É bonito ver como você transformou suas defesas antigas em "quintais" abertos, escolhendo cultivar a vida e o amor em vez de se aprisionar neles.
Bom trabalho e bons estudos, sem deixar de nos trazer textos belíssimos com este.
Um abraço, Nanda!
Olá, Fernanda, ler-te é mesmo que vislumbrar o pequeníssimo beija-flor pintado de um profundo azul brilhante e verde profundo que raramente vejo no meu cipreste. Tens o dom dele ao beijar as palavras, como se fossem perfumadas flores para transpô-las por aqui, como nesse seu jeitinho de ser! Uma bela assinatura com pensares sábios: " Já fui de construir paredes; hoje prefiro erguer quintais. Porque descobri que amar não é vigiar, é cultivar. Amor que respira é amor que floresce." Ou como esse: " Eu não fui feita para caber, fui feita para viver.
ResponderExcluirE viver é ampliar, não reduzir." Olha isso: "tem fé que se inclina sobre mim como quem ajeita um cobertor. Poesia pura.
Meu afeto!
Fernanda, querida amiga, quando li o teu belíssimo texto vi nele o teu auto retrato!...
ResponderExcluirPerfeito...
Quando olhaste para dentro de ti e desejaste que a tua vida fosse diferente, percebeste que tudo o que aconteceu contribuiu para o teu crescimento. Isso é ... Amadurecimento. Autenticidade.
Quando abandonaste projectos megalómanos e deste mais valor e atenção ao razoável e ao teu tempo livre; Quando fazes o que achas certo, no tempo que queres e no teu próprio ritmo Isso é… Pragmatismo. Simplicidade.
Quando reconheces nem sempre ter razão e, com isso, aceitas que o erro é intrínseco ao ser humano. Isso… é Humildade. Coragem.
Quando deixas de reviver o passado para pensares apenas no futuro, vivendo o presente, que é onde a vida acontece. Isso é… Plenitude.
Quando percebes que, por vezes, a tua mente te pode desiludir e a colocas ao serviço do teu coração, porque acreditas que ela se torna uma grande a valiosa aliada. Isso é… Inteligência. Saber viver!...
És uma grande mulher!
Um grande a carinhoso abraço!
Oi, Fernanda! Boa tarde! O que dizer desse seu texto tão tocante e verdadeiro. É um privilégio ler-te Fernanda. Um fraterno abraço!
ResponderExcluirAmiga Fernanda, boa noite de paz!
ResponderExcluirLeio seu post e me parece que você escreve para mim.
"Nunca soube entrar em lugar nenhum sem levar meus sentimentos junto".
Confesso: nem eu.
Tive medo, agora não mais...
Ninguém é perfeito, nem eu.
Tenha dias abençoados!
Beijinhos fraternos