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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

07 outubro, 2026

Reformar

Aleatoriamente um toque de poesia


Acho interessante como, às vezes, alguém se apaixona pela escrita de uma pessoa e, sem perceber, começa a se apaixonar também pela pessoa que imagina existir por trás daquelas palavras. 

Acontece!

A pessoa lê o texto, encontra uma frase que parece ter sido escrita para ela, sente uma intimidade que nem sequer foi construída e, pouco a pouco, começa a criar uma personagem dentro da própria cabeça. Às vezes vem até a mágoa.

Mas espera um pouco…

Eu escrevo porque gosto de escrever. Gosto desde menina. Escrever sempre foi uma maneira de colocar para fora aquilo que passa por dentro de mim. Uma alegria, uma inquietação, uma lembrança, uma pergunta, uma bobagem qualquer que me fez sorrir durante o dia.

A palavra é meu jeito de conversar com o mundo. Mas ela não é um contrato. Quando escrevo sobre amor, não estou necessariamente apaixonada. Quando escrevo sobre saudade, não significa que estou esperando alguém. Quando escrevo sobre abandono, não estou pedindo para ser encontrada. Às vezes, estou apenas escrevendo.

E sabe? Essa é uma das belezas da literatura: uma mesma palavra pode morar de maneira completamente diferente em cada pessoa. Você lê e encontra você. Eu escrevo e encontro a mim. O problema começa quando alguém se apaixona por aquilo que leu e passa a cobrar da pessoa aquilo que encontrou no texto.

É como olhar uma janela iluminada e imaginar toda a casa. Só que ninguém conhece uma pessoa inteira por aquilo que ela publica. Eu mesma sou muito mais do que aquilo que escrevo. Tenho dias bonitos e dias atravessados por pensamentos que não cabem em nenhuma poesia. Tenho contradições, risadas, impaciências, silêncios, vontades e defeitos. Sou uma mulher, não uma personagem construída para corresponder ao imaginário de quem me lê,com olhos diferenciados. Sou uma pessoa comum.

Por isso, gosto quando alguém diz que se encontrou em uma frase minha. Mas não quero que se perca de si para me encontrar. Leia minhas palavras, fique com aquilo que lhe fizer bem, discorde do que não combinar com você, leve uma frase para dentro do seu dia. Mas deixe que eu continue sendo apenas quem sou. Uma mulher que escreve porque ama escrever. 

E que, de vez em quando, coloca uma parte de si no papel  sem imaginar que alguém vai transformar aquela parte em uma pessoa inteira. Talvez seja essa a diferença entre admirar uma escrita e inventar alguém a partir dela. E existe outra coisa que considero importante: comentário também é palavra. Você pode não gostar do que escrevi. Pode discordar de mim. Pode enxergar a vida por outro ângulo. Pode até achar meu texto completamente equivocado.

Tudo bem!

A conversa pode ser justamente aí. O que não consigo compreender é quando a discordância vira ofensa, quando alguém sente necessidade de usar palavras de baixo calão para atingir quem está do outro lado da tela. Para quê? O que isso constrói? Nada.

É tão fácil discordar com educação. É tão mais bonito dizer: “Não penso assim”, “Vejo de outra maneira”, “Não concordo com você”. Não é preciso ferir para ter opinião. Não é preciso humilhar para demonstrar inteligência. E não é preciso transformar um espaço de escrita em campo de batalha só porque alguém não correspondeu àquilo que você imaginou.

Eu prefiro os comentários que acrescentam. Até os que discordam. Porque uma boa conversa não precisa ser feita apenas de concordâncias. Ela pode nascer justamente da diferença, desde que exista respeito. E se não houver nada de bom para dizer, existe uma alternativa muito simples e elegante: não dizer nada. Nem todo texto precisa de um comentário. Nem toda pessoa precisa corresponder às nossas expectativas. Nem toda palavra precisa ser devolvida.

Às vezes, basta seguir adiante. Eu continuarei escrevendo. Não para ser aquilo que alguém imaginou. Não para alimentar expectativas. Não para receber aprovação.

Escrevo porque amo escrever. Porque a escrita me acompanha.

Porque algumas coisas que sinto encontram nas palavras uma casa. E quem chegar aqui será sempre bem-vindo para ler, pensar, concordar, discordar e até ir embora.

Só peço uma coisa Pessoa: não confunda liberdade de expressão com licença para ser cruel. A palavra pode revelar o que há de mais bonito em nós. E também pode mostrar exatamente aquilo que ainda precisamos aprender a reformar.


Fernanda


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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

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