✿Aguarde os próximos capítulos...✿
16 julho, 2025
Sem rosto
10 comentários:
depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)
Lindo isso,Nanda e realmente existem saudades assim!
ResponderExcluirbeijos, ótimo dia! chica
Olá querida Chica,
ExcluirSaudades assim parecem ter corpo, né? Vão com a gente ao mercado, ao quintal, até na hora de dormir… Mas, no fundo, também aquecem. Porque só sente falta quem viveu bonito. Beijo grande no seu coração e que o seu dia seja cheio de ternura também!
Com carinho,
Nanda
Bom dia de Paz, querida amiga Fernanda!
ResponderExcluirQuando o Senhor Deus passa... ficamos mudas diante de uma Sumidade.
É um convite a interiorização e silêncio profundo onde ninguém pode adentrar. Só Ele.
Saboreie, querida. É momento a doisúnicoo.
Tenha um dia abençoado na Presença de Deus!
Beijinhos fraternos
*à interiorização...
ExcluirVim reler, querida.
ExcluirUm dia a Madre me disse que eu sentia saudade de Deus pois ia muito ao Mosteiro... e me falou que era muito bom sentir assim.
Lendo seu texto agora na tardinha calma, de céu azul e mar sereno, me reportei à fala dela com carinho.
Saudade não sei do quê, é de Deus... no infinito das emoções mais belas.
Beijinhos, Amiga
Roselia, querida, que preciosidade essa partilha tua… Sim, há saudades que não têm nome são saudades de Deus mesmo, desse sopro divino que às vezes sentimos passar e nos deixar em silêncio, como quem presencia algo sagrado. Essa fala da Madre me tocou profundamente… talvez todas as nossas saudades mais fundas sejam isso: vontade de voltar ao colo do Criador.
ExcluirTe abraço com gratidão por esse reencontro no texto e na alma. Que essa tardinha calma permaneça dentro de ti, como oração que não precisa de palavras.
Com carinho imenso
😘
Perfeito Fernanda. Dizes tanto com tão pouco! O que escreveste é da mais pura e bela poesia!
ResponderExcluirSim... por vezes basta um sinal, um leve rumor, para que o sonho aconteça enquanto os sentidos farejam a exaltação da noite. E algo ecoa dentro de nós como um sussurro cósmico, vago e indefinível que suga toda a noite... e tudo em nós fica um pouco mais fundo!
Beijos.
Albino, teu comentário é, ele mesmo, um poema que me arrebatou… Esse “sussurro cósmico” de que falas como entendo! Parece que há noites em que o universo se debruça sobre a gente, só para nos lembrar que somos feitos do mesmo mistério.
ExcluirE então tudo em nós, como disseste com tanta beleza, aprofunda. Silencia. Sonha.
Obrigada por essa leitura tão sensível.
Beijos com ternura e admiração.
Verdade, Fernanda.
ResponderExcluirE temos que aproveitar esses momentos. Cada um que passa é único, uma experiência incrível e verdadeira.
Bjsssss
Marli, querida, é exatamente isso… Esses momentos são como visitas breves do sagrado se a gente pisca, passa. Mas quando abraça com o coração aberto, eles viram memória da alma.
ExcluirTão bom saber que você também sente assim…
Um beijo enorme e cheio de carinho😘