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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

28 agosto, 2025

A Arte de Clarinha

Aleatoriamente um toque de poesia




Logo depois de um dia cheio, é Clarinha quem chega correndo e toma posse dos meus cabelos como se fossem território a ser descoberto. Suas mãos adolescentes deslizam com cuidado e ousadia, puxam, soltam, enfeitam, e logo vem o comentário que arranca de mim a gargalhada mais alta da noite:

Mãe, como você é cabeluda na cabeça!

Não resisti: caí na risada, daquelas que sacodem o corpo todo e enchem a casa de eco alegre. Clarinha, séria e concentrada como uma artista diante da tela, logo emenda:
É verdade, mãe, sabe? Mesmo sendo muito difícil organizar seus cabelos, eu fiz uma obra de arte que você vai amar e sempre vai querer que eu faça quando for trabalhar.

Olhei para ela com ternura e respondi, cheia de fé naquele entusiasmo infantil:
 Eu acredito, meu amor, que sim.

Foi então que José, observador e espirituoso, resolveu entrar na cena com sua opinião criteriosa:
 Mamãe fica linda de qualquer jeito, mas hoje Clarinha, só te dou nove pontos.

Mais uma vez, não aguentei e ri. Que cavalheiro cheio de humor eu tenho! Agradeci com carinho:
Obrigada, filho. Você é um verdadeiro cavalheiro, e a mamãe está muito orgulhosa de todos os filhotes dela.

A essa altura, a barulheira estava feita. Os outros correram pelo corredor, chamando pais, irmãos e até André para prestigiar a “obra de arte” de Clarinha. E quando todos se reuniram, André elogiou com entusiasmo, os pequenos aplaudiram, e cada olhar parecia concordar: havia, de fato, beleza naquele penteado inventado com tanto amor.

E eu? Eu apenas me enchi de gratidão. Olhei em volta e vi a cena que realmente importava: minha turma reunida, rindo, brincando, celebrando a vida na simplicidade de um momento qualquer. Um penteado virou espetáculo, e a sala se transformou em muito afetos.

No fundo, eu sei que não é o cabelo que me faz bonita. É a gargalhada solta, é a confiança no olhar de Clarinha, é a lealdade de José, é o carinho que André espalha, é essa constelação de amores que me envolve.

E então me sinto completa, porque tenho comigo a turma mais preciosa do mundo.
Obrigada Papai do alto!



Fernanda

3 comentários:

  1. Teu cabelo é lindo e deve fazer sucesso não só em tua casa,rs... Linda arte da Clarinha!
    beijos praianos, boia noite,chica

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  2. Boa noite de Paz, querida amiga Fernanda!
    Cheguei de uma reunião e encontro aqui uma Poesia em forma de madeixas...
    Creia, poesia de requinte, tecida com amor no coração.
    Cada parte da semi trança é um verso e o no final é uma estrofe cheia de ternura filial.
    Tenha uma noite abençoada com uma família pertinho!
    Beijinhos fraternos com perfume capilar

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  3. E eu rindo aqui, não li nada com
    tanta ternura e entusiasmo pelos pequenos!
    Maravilha, um beijinho, Nandinha, dorme bem! 🌹😊🙋‍♀️
    Amanhã termina a loucura das obras.

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)