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11 janeiro, 2026
As mãos vazias de George Müller
8 comentários:
depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)
Oi, Fernanda! Bom dia! Tem gente que acha que os joelhos são uma perda de tempo e inúteis, especialmente hoje em dia. Mas será que é isso mesmo? Ou a verdadeira perda de tempo está em quem vive assim, sem confiar no que realmente acredita? Parece contraditório, mas é assim que o universo funciona. Creio eu que desaprendemos a depender de Deus quando deixamos de acreditar em nós mesmos, aí Deus vê isso e larga de mão de vez não por maldade, mas pra evolução e aprendizado do indivíduo. Tem coisas que a gente nunca vai entender por completo, pelo menos enquanto estivermos aqui, né? Abraço Fernanda!
ResponderExcluirLuciano,
Excluirteu olhar é muito lúcido. Talvez os joelhos não tenham perdido o valor, o que se perdeu foi a paciência com o silêncio, com a espera, com o que não dá resposta imediata. Confiar em Deus não exclui confiar em si; pelo contrário, uma coisa amadurece a outra.
Quando a gente confunde fé com terceirização da própria responsabilidade, algo se quebra. E o que você chama de “Deus largar de mão” soa mais como um passo atrás pedagógico da vida, para que a pessoa cresça, experimente, aprenda. Não por abandono, mas por respeito ao processo.
E sim, há mistérios que não se revelam aqui, nem agora. Talvez a fé mais honesta seja justamente essa: seguir mesmo sem entender tudo, sem garantias, mas com o coração aberto ao aprendizado.
Abraço grande,
Maravilhosa vida de fpe e bondade que trazes na figura de George Muller. Adorei! beijos, tudo de bom,chica
ResponderExcluirQuerida Chica, 🙏🏻
ExcluirEle toca justamente no essencial: fé que vira gesto e bondade que se espalha sem barulho. Quando a gente encontra vidas assim, não sobra muito o que explicar só agradecer por lembrar que ainda é possível viver com confiança, generosidade e mãos abertas.
Beijos e tudo de bom pra ti também. 🙏🏻😘
Não conheço essa história.
ResponderExcluirÉ verdadeira? Beijo,
Liliane
ExcluirSim. A história de George Müller é real.
George Müller (1805–1898) foi um cristão alemão radicado na Inglaterra, conhecido mundialmente por sua vida de fé prática. Ele fundou e manteve orfanatos em Bristol, cuidando de mais de 10 mil crianças ao longo da vida, sem pedir doações diretamente, sem campanhas e sem apelos públicos. Ele orava e esperava.
O episódio das prateleiras vazias, da oração de agradecimento e da chegada do padeiro e do leiteiro é um dos relatos mais conhecidos de sua biografia. Há registros escritos por ele mesmo, em diários detalhados, além de testemunhos de pessoas que conviveram com ele. Por isso, não é apenas uma lenda piedosa, embora o tempo tenha dado ao relato um tom quase poético. Por isso, quando se fala de George Müller, não se fala apenas de um homem que acreditava mas de alguém que viveu como se acreditasse de verdade.
Beijo 😘
Amiga Fernanda, boa tarde de domingo!
ResponderExcluir"E me pergunto: em que ponto foi que a gente desaprendeu a depender de Deus?"
Que grande verdade!
É a única dependência que quero ter.
Ninguém merece nossa dependência.
Näo adianta viver só para a igreja.
Homilia de hoje na missa.
Grande verdade.
Fazer o bem em primeiro lugar.
Parabéns aos que cream dignidade!
Tenha dias novos abençoados!
Beijinhos fraternos
Olá Fernanda, "que reflexão poderosa sobre a vida de George Müller! É inspirador ver este testemunho de fé ativa. O texto nos lembra com sensibilidade que o essencial não é o que retemos, mas o que permitimos que flua através de nós. Parabéns pela profundidade da análise!
ResponderExcluirAbraços.