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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

09 janeiro, 2026

Minhas avós

Aleatoriamente um toque de poesia



Eu sempre pensei, desde criança, que ter uma família é o presente mais bonito da vida. Há quem deseje riquezas, conquistas, viagens mas eu sempre desejei vínculos. É como se eu nunca tivesse nascido sem berço. É ter raiz, colo e história.

As vovós.
Parece que elas sempre estiveram ali com, seus passos lentos e suas vozes carregadas de sabedoria antiga. Uma reza baixinha antes de dormir, um conselho que chega em forma de carinho, um olhar que acolhe mesmo quando não entende tudo. As avós são o coração pulsando mais devagar para ensinar à gente a não ter pressa.

A vida, generosa e exigente, dá lições de belezas e de aprendizados. E eu aprendi o valor de ter uma família que se estende, se mistura, se multiplica no amor. Algumas bisas vieram com o casamento, outras com o querer de amparar e todas foram bem-vindas. Porque laço de afeto não precisa vir do sangue. Ele nasce do cuidado, da presença, do simples gesto de estar ali quando o outro precisa.

Muitos acham absurdo cuidar dos idosos que não são “de sangue” e até os que são. Acham que o amor tem fronteira, que o coração precisa de assinatura em cartório. Mas quem ama de verdade sabe: o cuidado não é obrigação, é resposta. É o retorno natural de quem já entendeu o valor da vida em suas formas mais delicadas.

Cuidar de um idoso é cuidar da história que veio antes de nós. É honrar os caminhos trilhados, as lutas vencidas, as rugas que o tempo desenhou com paciência. É saber que, no fundo, todos nós caminhamos para o mesmo lugar e que um dia, se for da vontade de Deus, também seremos idosos, esperando o mesmo tipo de ternura que hoje oferecemos.

Nem todos valorizam o que Deus lhes deu. Alguns tratam o idoso como peso, quando na verdade são alicerce. Eu nunca vi trabalho no cuidado, vi apenas troca de amor, de experiência, de aprendizado. E talvez seja isso o que mais me comove: perceber que a velhice não é o fim, é um novo começo para quem aprende a enxergar com o coração.

Minhas avós me ensinaram a orar antes de agir, a esperar antes de julgar e a agradecer antes de pedir.
Com elas, entendi que família não é só laço de sangue é laço de alma.

E é por isso que, quando olho pra cada uma delas, penso:
a vida pode me levar por muitos caminhos, mas o meu berço será sempre o colo delas também
macio, firme, cheio de amor.



 Fernanda

PS: Recebi um carinho daqui. 


Nossa amiga Roselia partilhou um poema meu, e o coração ficou em silêncio agradecido.
Obrigada, querida, pela delicadeza do gesto, pelo olhar atento e pela generosidade de me acolher.
 É uma honra imensa estar entre tantos nomes queridos no teu cantinho poético, esse espaço onde a palavra floresce em afeto e respeito.
Que a poesia continue sendo esse fio que nos une, atravessa distâncias e faz morada na alma.
Com gratidão e ternura,🙏🏻😍

19 comentários:

  1. Querida Nanda
    O seu texto está uma doçura.
    Muito obrigada pelo carinho com os velhinhos como eu...rs
    Delicado o seu escrever
    Beijinhos
    Verena

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    1. Querida Verena,

      suas palavras me abraçam de um jeito manso, doce
      Escrevo pensando nesses corações que já viveram tanto e ainda seguem sensíveis, atentos, generosos.
      Não há velhice quando há afeto há história, beleza e luz.
      Obrigada pelo carinho de sempre.

      Beijinhos grandes,😘🙏🏻

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  2. Fernanda, querida amiga,
    Ser mãe é ser mulher, é ser filha, é ser avó, é ter em si um mundo de fases, é saber suportar os obstáculos, ser paciente, é exercer a essência de um amor fraternal extasiante. É ter uma vida cheia de esperança e de expectativas. Ser mãe é viver a sua vida e a vida de sua criação. Este dom maravilhoso só poderia ser fruto de um criador divino, Deus. E esta dádiva só poderia ser entregue a um ser tão especial: você, mulher.
    E quando a idade se tornar pesada demais, será vc, mulher, que melhor saberá entender essa circunstância imutável da vida, e a sua mão será a primeira a ser oferecida para um carinho, uma ajuda, um sorriso um olhar meigo e amoroso que fortalece e activa a esperança!

    Um beijo e todo o meu carinho, querida amiga.

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    1. Querido Albino,

      suas palavras são um presente raro, desses que a gente lê devagar para não acabar depressa.
      Você traduz a maternidade e o feminino com uma sensibilidade que toca fundo, reconhecendo a força, a doçura e a linhagem que há em ser mulher.
      Fiquei profundamente tocada com seu olhar tão meigo, tão espiritual, tão respeitoso.
      Obrigada por esse afeto que acolhe, fortalece e renova a esperança.

      Um beijo grande e todo o meu carinho,🙏🏻😘

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  3. Teu post mostra bem teu coração,Nanda! Carinho, paciência e aberto pra absorver as experiências de vida, troicando com as tuas. Adorei!Parabéns por seres assim! beijos, chica

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    1. Querida Chica,

      Amo te ter aqui,
      Tuas palavras tão cheias de generosidade.
      A troca é sempre o que mais me ensina ouvir, acolher e aprender com as histórias que chegam.
      Obrigada por olhar com carinho, por perto.
      Beijos grandes,😘🙏🏻

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  4. Bom dia, Nandinha!
    Que maravilha, amiga, e você não deixou espaço para eu dizer uma coisinha!!! rsss
    Você disse tantas coisas bonitas de nossas avós!
    Sim, elas são carinhosas, pacientes e gostam de estar com os netos! Sabe por que elas são queridas assim? Porque só amam, não educam, não censuram, não criticam rsss
    Tenho belas lembranças de minha avó paterna, só amor! Minha avó materna não conheci, faleceu cedo. Família é uma delícia quando todos se respeitam, quando se querem bem, quando gostam de estar juntos. Enfim, quando se amam. Mas há famílias que não são assim, um meio em que nasce a inveja, as imposições etc, não há carinho no convívio, vemos muito isso por aí.
    E voltando às avós, tenho tantas histórias...dá uma saudade louca dela!
    Aplaudindo essa bela crônica daqui!!!
    Beijinho, Nandinha!

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    1. Querida Tais,

      que delícia te ler… parece conversa demorada na varanda, cheia de lembranças e risadas. Você tem razão: avós amam sem manual, sem cobrança, só presença e afeto. Suas memórias tocaram fundo, essa saudade que dói e aquece ao mesmo tempo. Que bom quando a família é esse lugar de respeito e amor, mesmo sabendo que nem todas conseguem ser assim.
      Obrigada por compartilhar suas histórias e por esse carinho tão bonito com a crônica.
      Beijinho grande lindona!😍😘🙏🏻

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  5. Eu tive uma avó (materna) maravilhosa. E fomos bem ligada.
    A avó paterna era chique, mas achávamos chata. Depois entendi que a perda parcial da visão, por Catarata deve ter sido a causa da sua chatice.
    Mas é um pena que ela não esteja mais aqui para eu me desculpar.
    Beijo,

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    1. Liliane,

      que bonito o seu relato.
      A vida vai nos dando entendimentos que só chegam com o tempo, e esse olhar mais compassivo também é uma forma de amor. Tenho certeza de que esse pedido silencioso de desculpas já encontrou caminho no coração e no plano do afeto.
      Obrigada por dividir algo tão íntimo.

      Um beijo carinhoso,😘🙏🏻

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  6. Olá Fernanda!
    Muito lindo e verdadeiro seu texto.
    Ele mostra que você tem noção da realidade das fases da vida.
    Parabéns.

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    1. Olá, André!

      Fico muito feliz com sua leitura e com esse olhar atento às fases da vida.
      Escrevi a partir do que observo, vivo e aprendo todos os dias.
      Mas volte logo, estamos com saudades de lê-lo.
      Obrigada pelo carinho e pelas palavras.🙏🏻

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  7. Amiga Fernanda, boa tarde de paz!
    Que linda declaração para as vovós!
    "Laço de afeto não precisa vir do sangue. Ele nasce do cuidado, da presença, do simples gesto de estar ali quando o outro precisa."
    Em tudo na vida, o afeto tem todo sentido.
    Infelizes os que jogam no lixo afeto puro.
    Há quem o faça.
    Não somos preparados para ser idosos, Aqui, começamos um grupo para refletir com 5 amigas *eu e mais 4. O grupo se chama A.L.M.A.
    Uma geriatra está conosco e outras da medicina alternativa.
    Envelhecer bem é sabedoria ancestral.
    "Acham que o amor tem fronteira, que o coração precisa de assinatura em cartório."
    Não precisa mesmo até porque muitas assinaturas em cartório são sem amor nenhum...
    "!A velhice não é o fim, é um novo começo para quem aprende a enxergar com o coração."
    Sim, sim, sim...
    Enxergar com o coração sempre em todas as idades, como tem feito falta o afeto na atualidade.
    Nosso colo cheio de amor sera reservado a quem der valor.
    Não desperdicemos amor em hipotese alguma, é caríssimo e raro.
    Felizes os que o tem e o partilham.
    Tenha dias felizes e abençoados"
    Beijinhos fraternos

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    1. Querida Roselia,

      suas palavras são um verdadeiro tratado de amor vivido, sentido e partilhado.
      Fiquei encantada com o grupo A.L.M.A. que nome mais simbólico para quem escolhe envelhecer com consciência, cuidado e afeto.
      Você traduz com sabedoria algo essencial: o amor não precisa de fronteiras, nem de registros formais, apenas de presença e verdade.
      Que nunca nos falte esse olhar que enxerga com o coração, em todas as idades.
      Obrigada por tanto, pelo carinho, pela reflexão e por esse abraço fraterno que atravessa a tela.
      Beijinhos com afeto,🙏🏻😘

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  8. Oi, Fernanda! Boa tarde! É uma triste realidade que muitos, em sua busca incessante pela vida moderna, negligenciam o cuidado de seus avós, assim como ocorre frequentemente com os pais à medida que avançam na idade. Aqueles que dispõem de recursos financeiros, muitas vezes, optam por colocar seus entes queridos em asilos, como se essa decisão aliviasse o peso de uma responsabilidade que muitos consideram um fardo insuportável. Essa escolha, embora comum, revela uma falta de amor e compreensão no coração de quem a faz, resultando em um afastamento que, lamentavelmente, se torna uma prática recorrente na sociedade. Hoje em dia preferem o dinheiro em detrimento a dar amor aos avós e pais que estão velhos e na cabeça dessas pessoas não tem muita serventia pro mundo atual. Muito triste essa situação, não? Minhas avós e meus avôs são mortos. Infelizmente eu tive pouco contato com elas, vez que todas moravam em outros estados, uma das minhas avós morava fora do Brasil inclusive, aí só os via quando eu viajava, ou celebração de Natal. Abraço Fernanda.

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    1. Luciano,

      sua reflexão é profunda. Vivemos tempos em que o ritmo da vida e os valores distorcidos acabam afastando as pessoas justamente de quem mais precisa de presença e cuidado. O amor não deveria ser terceirizado, nem medido por conveniência, mas compreendo que muitas histórias também são atravessadas por distâncias, limites e circunstâncias que fogem ao nosso controle.
      Suas lembranças, mesmo breves, carregam significado e respeito e isso também é uma forma de honrar seus avós. Obrigada por trazer um olhar tão consciente para essa conversa.

      Um abraço carinhoso,🤗

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  9. Minha querida amiga Fernanda
    Maravilha! Beleza pura!
    Terminei de ler o teu post e meu coração encheu-se de ternura. Como avó que sou, te agradeço pelas palavras tão sensíveis e delicadas que me fizeram sentir que o mundo não está perdido, que há ainda um sopro de esperança para nós, os velhos. Nós que somos alvos de negligências e preconceitos sociais e familiares de todos os quilates. Tua sensibilidade é um dom precioso e a forma que você aborda temas complicados é admirável e me faz, a cada dia mais, aplaudir de pé a tua arte de escrever. Parabéns!
    Bjssss, marli

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    1. Querida Marli,

      suas palavras tocaram meu coração de um jeito profundo e inesquecível.🙏🏻
      Os avós carregam histórias, afetos e sabedorias que o mundo insiste em esquecer, mas que precisam ser honradas todos os dias.
      Obrigada pelo carinho, e por esse abraço que acolhe e fortalece.

      Bjssss com muito afeto,

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  10. Agora que sou avó penso muito sobre nosso papel... de educar...de permitir... e no tanto de amor que temos por essas criaças que são extensão dos nossos filhos. De vez em qdo me pego chamando o netinho Matteo de Gustavo, nome do meu filho. Ele tem 1 ano e 9 meses e é a renovação da nossa familia.
    Meu pai partir esse ano. Agora tenho minha mãe pra proteger.

    bjus
    ana

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)