Porque tenho blogger?
Sou blogueira?
E porque sou blogueira?
Às vezes me faço essas perguntas como quem se olha demoradamente, ainda com o rosto amassado de sonhos e insônias. E a resposta nunca vem técnica, nunca vem estratégica, nunca vem “profissional”. Ela vem simples, quase tímida: eu blogo porque amo escrever.
Escrevo porque, quando escrevo, algo em mim se organiza. É como sentar num divã que não julga, não apressa, não cobra resultado. Um divã que é meu e, curiosamente, também é de quem lê. Porque quem sente se senta comigo. E ficamos ali, em silêncio compartilhado, remexendo memórias, dores, esperanças, afetos.
Não blogo para ser tendência. Blogo para não me perder. Para não engolir palavras que virariam nó. Para transformar pensamento em caminho e sentimento em respiração.
Chamam isso de ser blogueira. Eu chamo de sobrevivência emocional. De exercício de alma. De tentativa diária de entender o mundo e, principalmente, de me entender dentro dele.
O blog virou meu quarto aberto. Minha sala de estar emocional. Meu caderno sem cadeado. Ali eu entro descalça, sento no chão das ideias, espalho sentimentos pela mesa e convido quem quiser a sentar junto.
E quem chega não vem para consumir texto. Vem para se reconhecer. Porque, no fundo, todo leitor procura um espelho gentil. E todo escritor procura alguém que diga em silêncio: “eu também sinto assim”.
Então, se me perguntarem de novo:
Por que você tem blogger?
Eu respondo sem hesitar:
Porque ali eu existo inteira.
Porque ali minha voz não precisa pedir licença.
Porque ali eu respiro mais fundo.
E sim… talvez eu seja blogueira.
Mas antes disso, sou alguém que escreve para continuar viva.
Fernanda
Por aqui, encerramos por este mês.
Então Sampa, vou curtir minha família e depois?
Aeroporto.😍
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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)