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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

06 janeiro, 2026

Quer me conhecer melhor?

Aleatoriamente um toque de poesia



Então sente aqui um instante. 
Não prometo pressa, nem riso fácil. Prometo verdade.

Gosto muito de escrever, e quem percebe com atenção logo entende: minha escrita é reflexiva. Eu escrevo o que penso, e penso o que vivo. Refletir virou meu jeito de respirar o mundo. Talvez porque o tempo seja curto, talvez porque o lazer quase sempre fique para depois. Quando não estou de plantão, estou com minha família e isso, para mim, já é descanso.

Minha vida não é feita de grandes escapadas, mas de pequenos rituais. Um deles é o cafezinho. Amo cafezinho, sim, e já disse isso mais de uma vez. Mas ele quase nunca vem acompanhado de pausa longa ou paisagem bonita. Na maioria das vezes é no refeitório, entre um compromisso e outro, ou em casa, no intervalo possível do dia. Ainda assim, é sagrado.

Amo meditar. Conversar com o Senhor do alto, do jeito que sei e posso. Falo com a noite quando ela chega mansa, com a chuva quando ela cai sem pedir licença, com as flores do quintal que ensinam, sem palavras, o tempo certo de nascer e de esperar.

Minha escrita nasce daí: desses diálogos silenciosos, dessas ausências preenchidas com sentido, dessa vida simples que pensa muito. Se quiser me conhecer de verdade, leia com calma. Eu estou inteira no que escrevo.

Não escrevo para impressionar, nem para convencer.
Escrevo para organizar a alma,
para entender o que sinto,
para não deixar que os dias passem sem serem percebidos.

Há quem confunda reflexão com tristeza.
Não é.
É profundidade.
É o jeito que encontrei de permanecer inteira
num mundo que vive correndo.

Meu lazer, muitas vezes, é o pensamento.
Minha companhia, o silêncio que não pesa.
E minha alegria mora nessas conversas
com Deus, com a natureza, comigo mesma.

Se você chegou até aqui esperando barulho,
talvez estranhe.
Mas se veio em busca de verdade,
fica.

Eu não ofereço espetáculo.
Ofereço presença.

E presença, aprendi com o tempo, é coisa rara.
Ela exige entrega, escuta, permanência.
Não se improvisa.

Talvez por isso eu goste tanto das coisas simples.
Do quintal que muda sem avisar,
da noite que acolhe sem perguntas,
do café que aquece mais pelo gesto do que pelo sabor.

Minha escrita não grita.
Ela senta ao lado.
Não disputa atenção,
espera ser encontrada por quem tem o mesmo ritmo.

Se me perguntas quem sou,
respondo sem grandes definições:
sou alguém que observa, que sente fundo,
que fala com Deus em voz baixa
e confia que o essencial sempre entende o silêncio.

Se quiser seguir por aqui,
venha sem pressa.
Gosto de gente que chega com cuidado
e permanece por escolha.



Fernanda

3 comentários:

  1. Oi, Fernanda! Bom dia! É perceptível o modo reflexivo e profundo da tua escrita. Gosto bastante de ler seus textos por aqui. Que você siga agraciando quem gosta de textos profundos, reflexivos e poéticos. Um abraço!

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  2. Sentada aqui te lendo e pensando...
    Há quantos anos nos conhecemos? Apesar de apenas virtualmente, sei muito bem quem é a Nanda que escreve. Atravessei todas tuas fases em que permitiste acompanhar nos blogs.
    Vi teu namoro, vibrei com o casamento, filhos e depois entristeci com as partidas ttristes. Mas voltaste e ainda és a mesma Nanda querida que escreve cada vez melhor! Por isso, passo sempre que dá, aqui e me encanto! beijos,tuuuuuuuuuuudo de bom,chica

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  3. Olá, Fernanda Comungo da mesma necessidade de organizar a alma através da escrita. Também é um ritual - e como eles são importantes. O tempo e o espaço sagrado é aquele que se repete, que não acaba na medida do possível. Segundo Parménides apenas o que não muda, é. O que muda é uma ilusão sensorial, um "não-ser". Desta perspetiva, somos essencialmente o que repetimos e se o fazemos é porque há uma vontade inoxerável, inexpurgável. Do meu ponto de vista, apenas considero que escrevo se alguém. Acho que existe um hiato maior entre zero e um leitor do que entre um e cem deles. Por isso, agradeço-lhe o seu cuidadoso comentário que escreveu no tronco da Árvore. Bom ano, Fernanda. Felicidade, o maior dos bens.

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)