Então sente aqui um instante.
Não prometo pressa, nem riso fácil. Prometo verdade.
Gosto muito de escrever, e quem percebe com atenção logo entende: minha escrita é reflexiva. Eu escrevo o que penso, e penso o que vivo. Refletir virou meu jeito de respirar o mundo. Talvez porque o tempo seja curto, talvez porque o lazer quase sempre fique para depois. Quando não estou de plantão, estou com minha família e isso, para mim, já é descanso.
Minha vida não é feita de grandes escapadas, mas de pequenos rituais. Um deles é o cafezinho. Amo cafezinho, sim, e já disse isso mais de uma vez. Mas ele quase nunca vem acompanhado de pausa longa ou paisagem bonita. Na maioria das vezes é no refeitório, entre um compromisso e outro, ou em casa, no intervalo possível do dia. Ainda assim, é sagrado.
Amo meditar. Conversar com o Senhor do alto, do jeito que sei e posso. Falo com a noite quando ela chega mansa, com a chuva quando ela cai sem pedir licença, com as flores do quintal que ensinam, sem palavras, o tempo certo de nascer e de esperar.
Minha escrita nasce daí: desses diálogos silenciosos, dessas ausências preenchidas com sentido, dessa vida simples que pensa muito. Se quiser me conhecer de verdade, leia com calma. Eu estou inteira no que escrevo.
Não escrevo para impressionar, nem para convencer.
Escrevo para organizar a alma,
para entender o que sinto,
para não deixar que os dias passem sem serem percebidos.
Há quem confunda reflexão com tristeza.
Não é.
É profundidade.
É o jeito que encontrei de permanecer inteira
num mundo que vive correndo.
Meu lazer, muitas vezes, é o pensamento.
Minha companhia, o silêncio que não pesa.
E minha alegria mora nessas conversas
com Deus, com a natureza, comigo mesma.
Se você chegou até aqui esperando barulho,
talvez estranhe.
Mas se veio em busca de verdade,
fica.
Eu não ofereço espetáculo.
Ofereço presença.
E presença, aprendi com o tempo, é coisa rara.
Ela exige entrega, escuta, permanência.
Não se improvisa.
Talvez por isso eu goste tanto das coisas simples.
Do quintal que muda sem avisar,
da noite que acolhe sem perguntas,
do café que aquece mais pelo gesto do que pelo sabor.
Minha escrita não grita.
Ela senta ao lado.
Não disputa atenção,
espera ser encontrada por quem tem o mesmo ritmo.
Se me perguntas quem sou,
respondo sem grandes definições:
sou alguém que observa, que sente fundo,
que fala com Deus em voz baixa
e confia que o essencial sempre entende o silêncio.
Se quiser seguir por aqui,
venha sem pressa.
Gosto de gente que chega com cuidado
e permanece por escolha.
Fernanda
Oi, Fernanda! Bom dia! É perceptível o modo reflexivo e profundo da tua escrita. Gosto bastante de ler seus textos por aqui. Que você siga agraciando quem gosta de textos profundos, reflexivos e poéticos. Um abraço!
ResponderExcluirOi, Luciano!
ExcluirMuito obrigada pelas palavras tão gentis. Fico feliz em saber que meus textos tocam e acompanham quem gosta de refletir sobre a vida com sensibilidade.
Obrigada
Um grande abraço!
Sentada aqui te lendo e pensando...
ResponderExcluirHá quantos anos nos conhecemos? Apesar de apenas virtualmente, sei muito bem quem é a Nanda que escreve. Atravessei todas tuas fases em que permitiste acompanhar nos blogs.
Vi teu namoro, vibrei com o casamento, filhos e depois entristeci com as partidas ttristes. Mas voltaste e ainda és a mesma Nanda querida que escreve cada vez melhor! Por isso, passo sempre que dá, aqui e me encanto! beijos,tuuuuuuuuuuudo de bom,chica
Chica querida,
Excluirsuas palavras me tocaram fundo. Há uma frase que sempre me acompanha: Deus não se vê, se ama. E é exatamente assim que sinto nossa ligação. Não nos vemos, mas há uma ternura real, construída no tempo, nas leituras, nas trocas silenciosas e fiéis.
Você me leu em tantas fases, me acompanhou nos caminhos da alegria e também nos mais difíceis. Me deu força, carinho e eu sou muito agradecida.
E esse amor que permanece, mesmo sem presença física, é dos mais verdadeiros que existem.
Sinto por você essa mesma ternura: serena, respeitosa, afetuosa. Daquelas que não fazem barulho, mas aquecem o coração. Obrigada por ser esse carinho constante.
Beijos cheios de afeto,😘🙏🏻
Olá, Fernanda Comungo da mesma necessidade de organizar a alma através da escrita. Também é um ritual - e como eles são importantes. O tempo e o espaço sagrado é aquele que se repete, que não acaba na medida do possível. Segundo Parménides apenas o que não muda, é. O que muda é uma ilusão sensorial, um "não-ser". Desta perspetiva, somos essencialmente o que repetimos e se o fazemos é porque há uma vontade inoxerável, inexpurgável. Do meu ponto de vista, apenas considero que escrevo se alguém. Acho que existe um hiato maior entre zero e um leitor do que entre um e cem deles. Por isso, agradeço-lhe o seu cuidadoso comentário que escreveu no tronco da Árvore. Bom ano, Fernanda. Felicidade, o maior dos bens.
ResponderExcluirOlá, Luís!
ExcluirQue alegria ler suas palavras e perceber como compartilhamos esse ritual de escrever para organizar a alma. Gosto muito dessa reflexão sobre Parménides e o que permanece: é verdade que escrever nos conecta ao que é essencial, àquilo que queremos preservar em nós mesmos e, ao mesmo tempo, compartilhar com alguém. Cada pessoa , mesmo que seja uma só, já transforma o ato em algo completo.
Agradeço também pelo cuidado e delicadeza do seu texto. Que o ano seja realmente repleto de felicidade, luz e profundidade para nós e para todos os que se deixam tocar pela escrita.🙏🏻
Pois é, Fernandinha, não me surpreendo com esse teu maravilhoso texto, porque tudo que leio aqui é intenso, verdades tuas que vêm devagarzinho lá do fundo de tua alma. Nada é por acaso, vem de uma trajetória vivida e compreendida, sem mágoas da vida, e que se tornou repleta de lembranças que te fortaleceram.
ResponderExcluirO ser humano é complicado, não é qualquer pessoa que ao logo desse tempo vive com garra, com luta, mas com um coração grande, que sabe amar, que compreende a vida, que gosta de gente amiga e que guarda um tesouro aí dentro deste coração que bate calmamente, que também chora, mas que perdoa porque conhece bem o mundo que vivemos, de onde viemos e que facilmente ama os que te rodeiam.
De ti, minha querida, eu só poderia ler um texto que emociona muito e daqui te aplaudo muito.
Tens uma porção muito significativa de agradecimento da vida que levas, pelas pessoas que te cercam, e só isso basta para teus amigos sentirem que és uma pessoa feliz.
E sentir isso para mim é muito bom.
Meu carinho, Nandinha.
Beijo, boa semana, além de um 2026 maravilhoso.
Taís querida,
ExcluirSuas palavras emocionam, acarinham, e abraçam profundamente.
É lindo sentir que você lê não só o que escrevo, mas o que vem do coração, desse lugar silencioso onde a vida vai sendo compreendida, perdoada e amada. Saber que isso toca você e me acolhe como amiga é um presente imenso.
Agradeço pelo carinho, pela atenção e por compartilhar tanta ternura comigo. Que sua semana e 2026 sejam cheios de luz, paz e alegria, assim como você irradia.
Obrigada por ser tão adorável 🥰
Beijo lindona!😘🙏🏻
E estou lendo as outras postagens, também, colocando minhas leituras em dia, querida!
ExcluirBeijinhos ! 🙋♀️❤️