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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

11 março, 2026

Entre o gesso e as palavras

Aleatoriamente um toque de poesia


Primeiro quero agradecer a todos que vêm aqui, mesmo quando eu não consigo ir até vocês. O meu muito obrigada! Esse gesto, simples para alguns, para mim tem um valor enorme. É como se cada visita deixasse uma pequena luz acesa neste cantinho onde divido pensamentos, afetos e pedaços da vida.

Há  novamente um comentário agora sobre minha ausência nas visitas. E eu entendo. Quem escreve, quem mantém um espaço de troca, sabe como a presença faz diferença. Mas aqueles que realmente me conhecem há anos sabem que eu só não vou visitar quando realmente não posso e está tudo certo. A vida, às vezes, muda o ritmo da gente sem pedir licença.

Quando alguém quebra o braço, por exemplo, não é apenas um osso que precisa de cuidado. Existe todo um processo, toda uma adaptação. E existe também um cuidado maior quando o seu trabalho está ligado justamente à medicina. O corpo precisa de tempo, e a gente aprende nem sempre com paciência a respeitar esse tempo.

Cada texto agora preciso “ditar” em áudio para o Word. E lhes garanto: não é a mesma coisa para mim. Eu amo escrever. Amo o barulho das teclas, as páginas de agendas, os cadernos que guardam ideias antes mesmo de virarem textos. Gosto do gesto de segurar a caneta, de rabiscar, de voltar atrás, de sentir que as palavras nascem das mãos.

O gesso bagunça um pouco o local… rsrs. Bagunça a mesa, bagunça o jeito de escrever e até a rotina.

Olho meu diário virtual com certa tristeza. Eu, que gosto de escrever todos os dias, ando um pouco limitada na escrita. Mas, curiosamente, a mente parece fazer o caminho contrário: abarrota de ideias. Histórias surgem, reflexões aparecem, frases se formam enquanto caminho pela casa ou observo o silêncio do dia.

Talvez seja apenas uma pausa diferente. Não daquelas que interrompem, mas das que reorganizam.

Porque escrever, para mim, nunca foi apenas um hábito. É uma forma de respirar.

E mesmo quando as mãos precisam descansar um pouco, o coração continua escrevendo.

André está me ajudando com os posts, e sou profundamente grata por isso. Ele tem sido paciente com minhas ideias que surgem a qualquer hora, com os áudios que envio cheios de pensamentos misturados, tentando transformar tudo em texto.

Mas também preciso que ele tenha tempo. André é médico e trabalha muito também. A rotina dele é intensa, cheia de responsabilidades e pessoas que dependem do seu cuidado. Então, quando ele consegue parar um pouco para me ajudar, eu já considero um presente.

No fundo, a gente vai aprendendo que a vida funciona assim: um ajuda o outro quando pode. Há momentos em que somos os que estendem a mão, e há momentos em que somos nós que precisamos dela.

Talvez por isso eu olhe para este espaço com tanto carinho. Este diário virtual nunca foi apenas um lugar de escrever. Ele é, de certo modo, um encontro silencioso entre pessoas que se acompanham ao longo dos anos, mesmo sem se verem.

Por isso, se às vezes eu demorar um pouco mais para aparecer, saibam que não é falta de vontade. Muito pelo contrário. As palavras continuam aqui dentro, inquietas, querendo nascer até nos comentário que deixo em seus cantinhos.

E enquanto o braço se recupera, a mente continua trabalhando, observando a vida, colecionando histórias como sempre fiz.

Logo, logo volto ao meu ritmo. Talvez com ainda mais coisas para contar.
Você que cobra a minha visita com carinho saiba: também sinto saudades de vocês, e muitas muitas.
Amo interagir com todos.
Obrigada amigos mesmo sem visitar,
 vocês vem.
Isso sim é carinho de verdade!





GATIDÃO
Com carinho,
Fernanda

Um comentário:

  1. Nanda, imaguino o trabalho que tens para produzir um texto. E claro, entendo muito bem que não tens condiç~çoes de responder, comentar, interagir!
    Quwe bom que André te ajuda! E vamos torcendo pra que teu braço fique bem bom e recuperado! Até lá, não te preocupa em responder!
    beijos,tuuuuuuuuuuuuudo de bom,chica

    ResponderExcluir

depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

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