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03 março, 2026
Uma vida hostil
10 comentários:
depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)
Oi, Fernanda! É lamentável observar como muitos de nós temos nos deixado levar pela correnteza do cotidiano, não é verdade? Nesse estado de inércia, deixamos escapar grande parte da beleza que a vida tem a oferecer. Surge, então, o desgaste e o fardo existencial que carregamos. Que possamos, portanto, libertar-nos das correntes da rotina automática, permitindo que a essência vibrante de nossa alma floresça, revelando o que há de mais bonito em nosso ser. Um fraterno abraço!
ResponderExcluirPobre Silvia e há tantas como ela que não se sabem bem tratar... Que bom que encontrou uma amiga como tua que a ouve e até segura sua mão na hora que lágrimas aparecem... beijos, tudo de bom, lindo dia! chica
ResponderExcluirPois é, cada um sabe onde o calo aperta mas muitas vezes, gostamos de alimentar e cuidar bem dos nossos calos ao invés de procurar um podólogo.
ResponderExcluirabraços.
Inspiração poética que elogio.
ResponderExcluir.
Saudações cordiais e poéticas
.
“” Coração Iluminado
““
.
Amiga Fernanda, boa tarde de paz!
ResponderExcluirUma saudade de você que nem imagina...
Tenho meus dias muito cheios de muitos trabalhos, mesmo não sendo médica...
Mas não me esqueço de você...
A vida hostil ou as pessoas hostis merecem uma guinada de nossa parte...
Pense nisso...
Estramos no mesmo patamar, alguém que nunca i maginamos... torna-se nossa amiga de repente a ponto de se desnudar a cada dia mais e mais, do seu jeitinho e nós acabamos por amá--la ainda mais.
Vamos viver a amizade que é linda e nos deixa a vida colorida.
Tenho também um Alguém que me 'toca' sem pressa...
Tem um convite aqui, se desejar (e puder):
https://www.idade-espiritual.com.br/2026/03/as-cores-do-meu-eu-real.html
Tenha um março abençoado!
Beijinhos fraternos
Olá Fernanda.
ResponderExcluirMenina, esses dias eu estava pensando em como somos abençoados por viver em um ligar onde podemos arrumar nossos próprios problemas e ficar nervoso e depois rir e depois se enrolar novamente.
Imagina as pessoas que moram na Croácia, no Irã, em Israel, na Palestina, na Venezuela... Essas não fabricam seus problemas como nós.
Os problemas já nascem com a pessoa.
Nasce e acompanha.
É como se você vivesse com uma granada dentro do bolso.
Mesmo assim, com nossos probleminhas, que muitas vezes podem virar um problemão, nós temos que cultivar amor, companherismo, ombro amigo.
Acho que divaguei na resposta.
Um abraço!
A Silvia precisa de ajuda, mas não é psicológica ou médica...Ela precisa apenas de alguém que a escute sem dizer nada, exatamente como você o fez Fernanda...Só um olhar compassivo e um toque na mão já diz tudo sobre acolhimento e conforto. Com certeza, com esse lindo gesto, o coração dela desacelerou da rotina estafante em que ela se encontra. Não é necessário palavras quando se tem coração.
ResponderExcluirUm fato semelhante aconteceu comigo em janeiro deste ano, quando passava por momentos difíceis. Encontrei uma amiga que não via há muito tempo no caminho da caminhada da manhã. Apenas nos cumprimentamos e ato contínuo nos abraçamos. Naquele abraço, lágrimas escorreram dos meus olhos e eu não disse nada, mas ela antecipadamente entendeu tudo e me acolheu naquele momento...Foi lindo... :(
Beijos querida!:))))
Oi Fernanda!
ResponderExcluirQue texto profundo e maravilhoso. Muitas e muitas vezes, o "simples" (que não é nada simples) gesto de ouvir o outro é tudo o que ele precisa para florescer!
Saber ouvir e dispor-se a ouvir o outro, permanecendo presente na dor, é um gesto do mais puro amor. É dar a mão e oferecer consolo quando ninguém mais se dispõe a fazê-lo.
Bjssssssss, marli.
A capacidade de ouvir e compreender os outros é algo que é intrínseco em ti querida Fernanda. Se todos nos soubessemos ouvir e compreender uns aos outros, o mundo e a vida seriam muito mais agradáveis!
ResponderExcluirE o teu braço como vai? A fractura está a consolidar? Espero que tudo esteja a correr bem.
Saudade de te "ver" no Polyedro...
Te deixo um carinhoso abraço!
Um texto reflexivo, um voo no cotidiano que por vezes nos coloca tensões e acaba endurecendo o que melhor podemos dar ou receber: ternura.
ResponderExcluirBoa tarde.
Deixo meu link.
https://pensandoemfamilia.com.br/cronica/sera-chatice-da-idade/