Sob o céu de Roma Antiga, entre o murmúrio das fontes e o peso dos olhares,
aprendi que o amor de uma mulher quase sempre deve ser silêncio.
Mas contigo… eu desaprendi.
Não fui feita apenas para bordar destinos alheios
nem para assistir, quieta, à vida passar pelas janelas de pedra. Há em mim uma fagulha de sol que nem Vesta conseguiria guardar
e chama o teu nome.
Quando caminho pelas ruas, envolta em véus e costumes,
carrego em segredo o mais proibido dos desejos:
ser livre o bastante para te amar à luz do dia.
Se os deuses me escutam, que não me julguem
pois não escolhi sentir assim.
E se amar-te for desafiar o mundo que me cerca,
então que digam: fui ousada.
Porque, entre todas as leis de Roma, nenhuma é mais forte
do que este amor que me habita.
Fernanda
Postado por André
A desafiei criar um novo estilo de escrita e ela criou.😅
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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)