✿Aguarde os próximos capítulos...✿
08 abril, 2026
Numa era antiga
2 comentários:
depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)
André, que beleza e Nanda se supera sempre! Coisa linda e boa! beijos pra vocês todos! chica
ResponderExcluirQuerida Chica,
Excluirteu carinho chega como abraço que aquece de verdade. Fico aqui sorrindo, meio sem jeito, porque quando você diz que eu me supero, dá vontade de responder baixinho: é porque tenho com quem dividir o caminho. O André inspira, você acolhe… e assim a gente vai costurando beleza nas palavras.o risada pelo carinho 🙏🏻 Obrigada por estar sempre por perto, com esse olhar generoso que enxerga o melhor da gente. Não sabe o quanto você me faz bem!
Um beijo cheio de afeto e hoje, mais leve ainda, porque já sem gesso e podendo te “abraçar”com mais liberdade.