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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

30 abril, 2026

O que em nós insiste em não ser dito.

Aleatoriamente um toque de poesia


Há dias em que a gente  acorda aparentemente inteiro.
Cumpre tarefas, responde mensagens, organiza o mundo ao redor como quem tenta provar talvez para si mesmo que está tudo no lugar.

E, no entanto, não está.
Existe sempre algo que escapa. Um mistério que demora mais do que deveria.
Um cansaço que não é do corpo. Uma inquietação que não encontra nome.

Se Sigmund Freud estivesse sentado conosco em um desses dias comuns, talvez não perguntasse sobre o que fizemos, mas sobre aquilo que evitamos sentir. Porque, no fundo, não é o que vivemos que mais nos afeta é o que não conseguimos elaborar. Aprendemos a seguir. Mas nem sempre aprendemos a nos escutar.

E é curioso como nos tornamos especialistas em disfarçar o que sentimos.
Sorrimos quando dói menos explicar. Silenciamos quando falar parece arriscado.
Mudamos de assunto quando algo dentro de nós começa a pedir atenção.

Talvez Anna Freud chamasse isso de defesa. E não deixa de ser um gesto de cuidado ainda que imperfeito. A mente protege aquilo que ainda não conseguimos suportar. E há certa delicadeza nisso, mesmo quando parece confusão.

Mas proteger não é o mesmo que curar. Há partes de nós que continuam esperando.
Esperando o momento em que serão finalmente reconhecidas, não como erro, mas como história.

E se escutarmos com mais calma com aquela paciência que a vida raramente nos ensina talvez descubramos que muito do que sentimos hoje não começou hoje.

Melanie Klein talvez diria que carregamos desde cedo formas de amar, de temer, de nos defender do mundo. E isso explica por que, às vezes, reagimos de maneira tão intensa a coisas que parecem pequenas: não é sobre o agora. Nunca é só sobre o agora.

Somos feitos de camadas.
De lembranças que ficaram.
De afetos que não soubemos nomear. De versões nossas que ainda pedem acolhimento.

E talvez o mais difícil não seja entender tudo isso.
Mas permitir que exista.
Porque há uma coragem em parar de fugir de si mesmo.
Em olhar para dentro sem pressa de consertar. Em aceitar que nem tudo precisa estar resolvido para ser legítimo.

No fim, a psicanálise essa escuta paciente do interior não nos ensina apenas sobre teorias. Ela nos convida a algo mais íntimo: a reconhecer que, dentro de cada um de nós, há uma história em andamento… e que, às vezes, tudo o que ela precisa é de alguém disposto a escutar. Mesmo que esse alguém sejamos nós. Por isso, meu conselho: escreva!



Fernanda

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

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