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30 abril, 2026
O que em nós insiste em não ser dito.
5 comentários:
depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)
Oi, Fernanda! Bom dia! Existe um ditado que diz "quem canta seus males espanta". Eu digo "eu escrevo pra não me espantar com os males da realidade terrena". Ótimo texto. Um fraterno abraço!
ResponderExcluirÓtimo texto!
ResponderExcluirÉ isso mesmo. Escondemos o que não conseguimos botar pra fora, principalmente para a nossa suposta proteção.
É como uma historinha que li um dia. Os conhecidos se encontram na rua e um pergunta: "tudo bem"? e o outro, ora vejam só, não respondeu com um simples "tudo bem", mas parou para conversar.
Perfeito. Aliás, dias assim andam cada vez mais comuns...
ResponderExcluirOba! Você está de volta. Pelo menos para mim. Não consegui colocar seu blog lá na minha lista(tentei muito) e aí não lhe achava
ResponderExcluirHoje até perguntei por você à Chica.
Aí resolvi procurar nas minhas postagens antigas, onde estava seu blog. Achei.
A última vez que "lhe vi" tinha fraturado dedos, num acidente.
Beijo, Fernanda.
O eterno autoconhecimento que nos ajuda a estes ir e vir das histórias que nos marcam e que teimam a retornar nos afetos.
ResponderExcluirÓtima prosa poética...
Bom dia