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04 maio, 2026
As coisas que o dia ensina
5 comentários:
depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

Oi, Fernanda! É verdade o dia ensina, assim como a noite também. Que saibamos todos nós a aprender com o dia e a noite, apesar do ruído insistente e incômodo que atormenta a gente. Um fraterno abraço!
ResponderExcluirMais um poema deslumbrante que muito gostei de ler, aplaudo e elogio.
ResponderExcluir.
Saudações poéticas
.
“” Alma que Chora ““
.
Linda verdade, Nanda! O dia ensina sempre...por vezes uns não querem aprender!
ResponderExcluirBjs, chica
Amiga Fernanda, boa noite de paz!
ResponderExcluir“Vai com calma, Fernanda,
a vida também cansa.”
Vai com calma, Rosélia,
a vida também cansa...
Estou descansando, amiga.
Descanse também.
Tenha dias abençoados!
Beijinhos fraternos
É, Fernanda, e como a vida cansa, e como! Bom ouvir a voz do vento.
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