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18 maio, 2026
O pão dormido
6 comentários:
depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)
Oi, Fernanda! Bom dia! Sua história é uma verdadeira lição de resiliência. É impressionante e nos faz refletir sobre como dependemos da fé, uma força que poucos realmente têm. Graças ao bom Deus você tem essa fé pra dar e vender, não é mesmo? Imagine aqueles tantos que não possuem essa fé pra superar as adversidades e agruras da vida, esses também sofrem, embora ao olhar pra esse tipo de gente, num primeiro momento não vejamos que experienciem sofrimentos. Desde criança, sua fé em Deus foi seu alicerce. Embora sua trajetória tenha momentos tristes, ela revela muito sobre quem você é. Que Deus continue te sustentando a cada dia, porque o que você viveu na infância não deveria ser algo que ninguém tivesse que passar. Um fraterno abraço Fernanda.
ResponderExcluirTriste e comovente seu texto. Cada ser traz dentro de si escolhas e as suas lembranças, tão doídas, trazem a seleção do seu olhar sobre o seu valor. Bom dia.
ResponderExcluirFernanda, querida amiga,
ResponderExcluirAs tuas palavras tocaram profundamente em mim. Comoveram.
Felizmente, que por vezes a vida nos surpreende, com maravilhosos atos de bondade e humanismo. Podes crer que o perfume que sentiste naquele pão já duro e dormido, tem a marca do Pai... não se vende em perfumarias. Só almas como tu sabem apreciar esse cheiro!
Um beijo, Fernanda!
Amiga Fernanda, boa noite de paz!
ResponderExcluirUm 'pão dormido' nos faz sempre falta... cada um de nós tem falta de algum tipo Texto sempre cheio de alma...
Tenha dias abençoados!
Beijinhos fraternos
Ler-te, hoje, é um privilégio.
ResponderExcluirComo eu gostava que mais pessoas pudessem ler este relato.
E, assim, quem sabe...existirem mais pessoas como este homem...
Bela história, se não é verdadeira, tem o sortilégio de deixar na dúvida o leitor. É nessa fronteira que habita o género literário que mais gosto. É mais do que naturalista, é imersiva.
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