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07 maio, 2026
O SILÊNCIO DAS ÁRVORES
5 comentários:
depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

Aplaudindo daqui,Nanda! Elas sabem das coisas e da vida! beijos, ótimo fds! FELIZ dia das Mães! chica
ResponderExcluirOi, Fernanda! A Mãe Natureza ensina a gente no silêncio, mas é preciso saber escutar. Adorei você dizer que voltou com sua alma mais quieta como se fosse uma árvore também. É bem por aí mesmo. Um fraterno abraço Fernanda.
ResponderExcluirQue lindo Fernanda!
ResponderExcluirSabe que uma vez eu vi uma reportagem que dizia que as arvores se comunicavam mesmo.
Na época achei meio maluco.
Mas pode ser.
Porque não?
Mas a comunicação delas com a gente é muitas vezes um aprendizado mesmo.
Um abração!
O mais espantoso ( e triste ), é haver tanta gente que as tratam como se não fossem seres vivos, quando por cá andam há muito, mas muito mais tempo que nós!
ResponderExcluirGostei muito da delicadeza deste texto. Há aqui uma calma bonita, quase meditativa, e uma forma muito sensível de olhar para as árvores como mestres silenciosos da vida. A parte do “crescer não é subir, é aprofundar-se” ficou-me mesmo na cabeça.
ResponderExcluirBeijinho na alma,
Daniela Silva | Alma Leve