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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

13 maio, 2026

O topo que não existe

Aleatoriamente um toque de poesia

Vivemos tempos em que muita gente caminha com pedras na mão. É impressionante como cresceu o número dos que seguem a lógica antiga do “olho por olho, dente por dente”. Uma espécie de vingança travestida de justiça, onde a pressa de reagir fala mais alto que o desejo de compreender. Pessoas que, mal são contrariadas, já se armam em discursos, em gestos, em indiferença.

São os mesmos que acreditam que a vida é um pódio permanente. Estão sempre correndo atrás do degrau mais alto, do título mais vistoso, da conquista mais chamativa. Gritam vitória antes mesmo de ter com quem dividir o brinde. E nessa corrida desenfreada, muitas vezes pisam, empurram, esbarram como se os outros fossem apenas obstáculos a serem vencidos, nunca companheiros de jornada.

Mas no fundo, o que é esse topo? Será que existe de verdade? Talvez seja só miragem de deserto, imagem que se desfaz quando nos aproximamos. Porque quanto mais alto alguém sobe nesse edifício imaginário do poder, mais percebe que não há teto, não há fim, não há descanso. É como subir uma escada rolante ao contrário: quanto mais força se faz, mais cansados ficamos.

A ironia é que, enquanto gastamos energia para conquistar esse “mundo”, esquecemos o pouco que bastaria para sermos felizes. Uma xícara de café quente dividida com um amigo. Um abraço demorado que dissolve mágoas. Uma mão que se estende sem esperar nada em troca. Coisas simples, quase abstratas aos olhos dos que vivem de conquistas externas, mas que são o verdadeiro ouro da vida.

O “olho por olho” pode até parecer justiça, mas no final deixa todos cegos. O “dente por dente” pode soar como revanche, mas transforma a boca num vazio sem palavras. Já o amor, mesmo pequenino, é abundante. Não exige troféu, não cobra vitórias. Ele se contenta em existir e já basta.

E, convenhamos, os caçadores de topo que não aprendem isso continuam correndo feito hamsters em roda de ouro, suando para conquistar títulos que ninguém vai lembrar, brigando por lugares que só existem na própria imaginação. Fazem reuniões para decidir quem tem a cadeira mais importante, mas esquecem de almoçar, rir ou perceber que a chuva molha os pés de todos igualmente. Enquanto isso, a vida real passa, sorrindo da nossa pressa, com um café compartilhado, um abraço inesperado e a deliciosa sensação de que, às vezes, o topo mesmo é sentar no sofá, de pantufas e pijama, e perceber que se ser feliz exigisse tanto esforço, seria o maior esforço inútil da história.

No fim, esses caçadores do impossível podem continuar tentando escalar o topo do nada, enquanto a gente vai vivendo, rindo e descobrindo que, para amar, para se alegrar e para ser pleno, basta muito pouco e que essa pouca coisa é, na verdade, tudo. Se eu pudesse lhe dar um conselho diria: busque a PAZ!😉

Fernanda

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

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