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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

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Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

27 junho, 2026

Quem merece viver? Quem merece morrer?

Aleatoriamente um toque de poesia


Há perguntas que transpõem os séculos porque jamais encontram uma resposta definitiva. Uma delas é esta: quem pode dizer quem merece viver? E quem tem autoridade para afirmar quem merece morrer?

Às vezes olhamos para alguém que espalha dor e pensamos que o mundo seria melhor sem sua existência. Em outras ocasiões, vemos partir pessoas generosas, cheias de sonhos, e sentimos que a morte escolheu a pessoa errada.

Mas a vida não se curva aos nossos julgamentos. Ela continua lembrando que cada ser humano é maior do que o pior erro que cometeu e mais frágil do que imaginamos. Há quem desperdice oportunidades e, ainda assim, encontre forças para recomeçar. Há quem faça do pouco tempo que teve uma eternidade de amor.

Talvez o verdadeiro desafio não seja decidir quem merece viver ou morrer, mas perguntar o que estamos fazendo com o tempo que nos foi confiado. A existência não é um prêmio para os perfeitos nem um castigo para os imperfeitos. É uma oportunidade.

Enquanto discutimos quem deveria permanecer, os dias passam. E a vida, nos recorda que o tempo é o bem mais precioso que possuímos. Não sabemos quanto teremos, mas sabemos que cada instante pode transformar um coração, restaurar uma história ou mudar um destino.

Antes de julgar a vida do outro, vale a pena cuidar da nossa. Porque, no fim, a pergunta mais importante talvez não seja quem merece viver, mas se estamos vivendo de um modo que faça cada dia realmente valer a pena.

Talvez seja justamente essa a ilusão que mais alimenta a arrogância humana: acreditar que conseguimos medir o valor de uma vida. Julgamos por um instante, por uma escolha, por uma queda. Esquecemos que ninguém é apenas o capítulo que estamos vendo.

Quantas pessoas hoje carregam um passado que faria qualquer um desistir delas? E, no entanto, foram exatamente essas pessoas que aprenderam a amar com mais profundidade, a estender a mão sem perguntar quem era digno de recebê-la. A dor, às vezes, transforma mais do que a perfeição.

Também acontece o contrário. Há quem tenha recebido tudo e, ainda assim, viva como se nunca tivesse compreendido o privilégio de respirar mais um amanhecer. Viver não é apenas manter o coração batendo. É permitir que a alma desperte.

A morte, por sua vez, não pergunta se alguém terminou seus planos. Ela interrompe conversas, deixa mesas vazias, cala risos e leva embora abraços que imaginávamos eternos. É por isso que a saudade dói tanto: porque ela nos lembra que nunca fomos donos do tempo.

Talvez a pergunta nunca tenha sido “quem merece viver?”. Talvez a pergunta seja: o que faremos enquanto vivemos?

Porque todos recebemos dias, mas nem todos aprendemos a habitá-los. Todos respiramos, mas poucos realmente enxergam a beleza escondida nas coisas simples: uma janela aberta, um abraço demorado, uma palavra de perdão, um céu estrelado, o silêncio que consola.

No fim, a vida parece nos responder com uma humildade desconcertante: ninguém merece existir por seus méritos, porque a existência é, antes de tudo, um presente. E todo presente carrega uma responsabilidade.

Quem sabe, quando compreendermos isso, deixaremos de gastar tanto tempo decidindo quem deveria partir e passaremos a usar o tempo que temos para fazer com que a nossa passagem pela Terra seja um motivo de esperança para alguém.

Porque a vida não nos foi entregue para que julgássemos quem é digno dela, mas para que aprendêssemos a honrá-la na nossa história e na história daqueles que caminham ao nosso lado.



Fernanda

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

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