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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

02 junho, 2026

Saudade

Aleatoriamente um toque de poesia



Saudade é essa coisa que chega sem pedir licença,
puxa uma cadeira dentro de mim e faz silêncio.
Ela não grita, não exige, não ameaça. Só permanece.
Com a calma de quem conhece todos os meus atalhos.

Saudade é um lugar onde eu me encontro e me perco.
É o quarto que ainda guarda teu cheiro, é a xícara que insiste em ser par,
é o rastro de quem fui quando estava contigo.

É sentir falta até do que doeu, como se a dor também tivesse perfume.
Como se o que partiu ainda me tocasse a pele
com mãos abstratas.

Tem dias em que tento enganar a saudade 
arrumo a casa, mudo os móveis, viro as fotografias de cabeça para baixo
como se elas não soubessem virar o coração de volta.

Mas ela fica.
Feita de poeira de lembrança. Feita de tudo que não volta,
mas visita.

E eu, no fundo, sei:
sentir saudade é prova de que vivi. É testemunho de que amei sem medidas,
que me deixei ficar em lugares onde a alma respirou mais fundo.

Saudade é o grito de quem fui quando fui inteira.
E se dói, é só porque valeu.

Hoje, abraço essa falta como quem acolhe um gato arisco: sem pressa, sem tentar domar.
Deixo que a saudade me diga o que precisa
e agradeço o privilégio de ainda sentir.

Porque, se existe saudade,
é sinal de que existiu encontro. E encontros, mesmo quando viram ausência, continuam sendo milagre.
Que a saudade saiba ficar leve quando meu peito aprender a ser casa de novo.



Fernanda

(Texto criado um ano depois da  ausência de Felipe)
Hoje, não dói... 
só ficou uma saudade tão cheia de memórias.
Obrigada meu amor -anjo!

11 comentários:

  1. A forma com a saudade permance em nós, muda.
    Mas, isso não quer dizer que perca força.
    E, irá para sempre permanecer no nosso interior, naquele cantinho que, volta e meia, abre uma portinha...
    Muito bonito, o teu texto.
    Abraço

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  2. Não quero sentir saudades.
    Não me permito sentir saudades, porque saudades dói e dói muito.
    Beijo,

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  3. A saudade existirá sempre.Mas ela se transforma,não dói mais, fica mais leve ,mas sempre intensa! beijos, chica

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  4. Los recuerdos siempre permanecen, el corazón se adapta y la mente relaja el alma poco a poco. Un abrazo grande

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  5. Acho engraçado que a palavra saudade, que tem tanto significado pra nós, não tenha sinônimo em outra língua.
    O que eles dizem é tipo: Estou com vontade de rever você.
    Mas não tem o mesmo significado que pra gente da língua portuguesa. Pra gente é mais do que isso.
    Belo texto.

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  6. O que dizer desta saudade amiga, se ela é expert neste vai e vem. Sei desta saudade, que vem de uma tragédia e sei das marcas. Mas é assim doeu muito e hoje já não dói, mas vem me visitar e deixa um vazio, mas sabendo dela, nos recompomos e a vida segue.
    Paz no seu coração amiga.
    Meu abraço solidariedade.

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  7. Querida Fernanda, bom dia amiga ! Olha, as suas palavras têm a suavidade de quem aprendeu a transformar a dor em ternura e a ausência em memória amorosa. Há uma beleza profunda na forma como você descreve a saudade: não como um peso, mas como uma presença silenciosa que guarda tudo aquilo que foi vivido com verdade.

    "Se existe saudade, é sinal de que existiu encontro." Essa frase toca a alma, porque nos lembra que o amor não desaparece quando alguém parte; ele muda de lugar e passa a morar nas lembranças, nos gestos, nos detalhes que o tempo não consegue apagar.

    Que as memórias de Felipe continuem sendo luz nos seus dias, e que essa saudade, hoje mais serena, siga sendo um testemunho da grandeza do amor que vocês compartilharam. Um texto lindo, sensível e cheio de humanidade.

    Abraços fraternos
    Daniel
    https://gagopoetico.blogspot.com/2026/06/por-que-e-proibido-gostar-de-flores.html

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  8. Oi, Fernanda! A saudade, essa emoção tão profunda e rica, traz consigo uma beleza inefável, mesmo quando seus ecos provocam uma dor por vezes sutil, noutras dilacerantes que machucam a gente com força. Apreciar essa sensação é mergulhar em um oceano de lembranças que, embora possam ser pungentes, revelam a delicadeza da alma. Seu texto reflete essa ternura de maneira esplêndida, com uma suavidade que ressoa como um suave sussurro entre os mistérios do coração. Muito bonito! Um fraterno abraço!

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  9. Bom dia Fernanda, amiga querida.
    O teu texto não é um toque de poesia... é um poema perfeito!
    Um poema que revela o teu coração imenso, que não esconde sentimentos e que partilha as emoções! Um coração que pulsa livre, feliz e que sabe uma palavra apenas pode atenuar aquela saudade que se aloja dentro do peito, teimosa...persistente!
    As saudades estão entre os sentimentos mais indescritíveis do mundo. Para senti-las, não é preciso estar longe. Às vezes, mesmo ao lado da pessoa, sentimos saudades. Elas são uma espécie de medo que nos consome, um temor de perder aquilo que amamos.
    Espero que tudo esteja bem contigo. Nesta fase em que o tempo é curto para tantas tarefas, tenta descansar tudo o que possas. Cuida-te minha amiga! Não deixes nunca que o tempo te domine!
    Tem um bom fim de semana.
    Um beijo.

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  10. "Querida Nanda, sua 'anatomia da saudade' me tocou profundamente. Como leitores e seres humanos, somos moldados por essa sua sensibilidade única. É poético ver como você descreve a saudade: não como inimiga, mas como uma visita silenciosa que honra o passado. Ela não grita, apenas puxa uma cadeira e fica. Você traduziu perfeitamente o paradoxo de que mudar móveis ou esconder fotos não engana o coração; a saudade é mesmo esse lugar onde nos encontramos e nos perdemos. Sentir essa falta dolorosa é a prova viva de um amor sem medidas e do milagre de um encontro que aconteceu. Tratar a saudade como esse 'gato arisco', respeitando seu tempo, mostra uma maturidade linda e um acolhimento puro. Obrigado por este texto maravilhoso."
    Cuide-se, querida amiga!
    Abraços,

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  11. Amiga Fernanda, boa noite de paz!
    Já vivi mais de um luto, dói muito.
    Já doeu muito e não doi mais...
    Deus nos enche de força para continuarmos a vida de cabeça erguida com ou sem a saudade.
    Tenha dias abençoados!
    Beijinhos fraternos

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

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