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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

05 agosto, 2026

Conversar com a escrita de alguém

Aleatoriamente um toque de poesia


Quando você lê alguém, precisa não correr os olhos precisa conversar com a escrita em cada pausa.
Eu leio assim: me coloco dentro da escrita que leio, como quem entra devagar em uma casa e vai reconhecendo o ambiente, o som, o tom da voz que habita ali.

Ler, para mim, é visitar um coração. Não me contento em saber o enredo; quero sentir o tempo de quem escreveu, o que havia em volta, o silêncio antes da frase. Há textos que pedem escuta, não pressa. E há autores que não se leem se convivem. 

Quando gosto de uma escrita, deixo que ela me olhe também. Fico um pouco na soleira da porta, ouvindo. Deixo que as palavras me respondam com suas próprias pausas, seus cheiros de lembrança, suas frestas de sombra.

A boa leitura é um diálogo entre delicadezas. Quem lê com pressa não escuta o coração do texto, e ele se fecha. Mas quando você lê devagar, com respeito, com presença o texto se abre, se entrega, se deixa tocar. Por isso me demoro a entrar em cada casa. Eu leio assim: com o corpo inteiro. Porque, no fundo, não leio palavras leio pessoas escondidas nelas.



Fernanda 

E no fim, percebo:
 ler alguém é um modo de amar em silêncio. 😍

8 comentários:

  1. Esse é um nível profundo de leitura, Fernanda, e ao que parece, você deve fazer isso até lendo classificados....rs

    abraços

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  2. Um texto de uma sensibilidade rara. Ler devagar, com atenção e entrega, é muito mais do que seguir palavras. É acolher a alma de quem escreve. Gostei especialmente da ideia de que "ler alguém é um modo de amar em silêncio". Uma reflexão belíssima sobre o verdadeiro sentido da leitura.
    Um abraço.

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  3. Amiga Fernanda, boa tardinha de paz!
    Como é bom ler você pelas suas palavras.
    Receber dos nossos leitores, um respaldo na escrita é formidável.
    Que continuemos assim fazendo o que mais gostamos em termos de hobby.
    Tenha dias abençoados!
    Beijinhos fraternos

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  4. Unas letras de gran profundidad con la sinceridad del alma. Entregarse a un texto y analizarlo como tú es saber llegar hasta el fondo de su engranaje, a veces de esa voz silenciosa que necesita ser escuchada. Te admiro.
    Un abrazo

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  5. Que beleza de poesia e sentimento pela escrita. Um respeito pelas palavras e por seu autor. O final merece aplausos de pé. Luz e paz. Abs

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  6. Somos dois.
    Só sei ler assim.
    Também, ao escrever gosto de pensar que serei lido dessa jeito.
    É como fazer um convite, a quem nos lê - fica um pouco mais, não tenhas pressa em sair...
    E, é tãooooo bom!
    Abraço.

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  7. Oi, Fernanda!
    Também costumo ler assim. Chamo a isso "Leitura Presente". Tenho amor, respeito e consideração pela escrita e pelo escritor que está ali, escrevendo e expondo seu mais profundo pensar.
    (Leitura superficial não é comigo)
    Bjsssssssss, marli

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

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