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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

29 novembro, 2025

A Casa que Somos

Aleatoriamente um toque de poesia
Crônica 


Drummond, com aquela sabedoria que só quem observa o mundo pelas frestas da alma possui, disse certa vez: “arrume a casa todo dia, mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo para viver nela.”

E é incrível como uma frase tão simples pode carregar tanta verdade oculta daquelas que passam por nós como brisa, mas ficam vibrando na memória como uma campainha silenciosa.

No fundo, ele não estava falando apenas de casa.
Estava falando de vida.

Porque tem gente que passa tanto tempo tentando colocar tudo em ordem, ajustar cada detalhe, aparar cada aresta, que esquece de existir dentro do próprio cotidiano. Gente que limpa, organiza, planeja, administra… mas não vive.

Drummond nos lembrava que arrumar a casa é importante claro que é.
Mas arrumar a alma, a rotina, o coração… isso também é. E se a gente passa o dia todo apenas “arrumando”, sobra o quê para sentir? Para respirar? Para ser?

Há um tipo de arrumação que aprisiona. Aquela que exige perfeição, brilho, controle. Aquela que coloca cadeiras no lugar, mas tira a gente do nosso eixo.
Aquela em que quanto mais se arruma, mais parece faltar.

E há a arrumação que liberta. Aquela que coloca cada coisa no seu canto e, ao mesmo tempo, abre espaço para a gente viver.
Tirar o peso, reduzir o excesso, silenciar a culpa.
Arrumar só o bastante para que a vida possa circular pela casa e dentro de nós.

Porque casa não foi feita para ser museu.
Foi feita para ser habitada.
Pisada, respirada, bagunçada, recuperada.

E a vida, da mesma forma, não foi feita para caber em rotina perfeita, mas em rotina possível. Um pouco de ordem, um pouco de bagunca, e um tanto de “desarrumação” 

O que Drummond queria dizer é simples e profundo:
não transforme sua existência num eterno serviço doméstico de si mesmo. Não viva limpando, remendando, editando quem você é, como se fosse um objeto que precisa estar sempre impecável.

Organize o que for preciso, sim. Mas faça isso com carinho. Com leveza.
Com a sabedoria de quem sabe que tudo o que é vivo desarruma um pouco.

Deixe tempo para sentar no sofá do próprio eu.
Para ouvir sua respiração como quem ouve música.
Para olhar o teto e agradecer por ter um teto.

Porque, no fim, o mais difícil não é arrumar a casa.
É aprender a viver dentro dela.

E Drummond esperto como sempre só queria nos lembrar disso.



Fernanda

Que o domingo chegue manso, 
abrindo janelas na alma.
Que a paz encontre cada um onde estiver na casa simples,
 no coração cansado, 
no silêncio que acalenta. 
E que Deus, com Sua delicadeza infinita, 
coloque mãos de cuidado sobre o nosso dia, 
abençoando passos, pensamentos e afetos.
Que seja um domingo de luz, de descanso e de fé.
Um domingo de Deus dentro e ao redor de nós.🙏🏻😘

Um comentário:

  1. Descobri mais uma Fernanda!!!!
    A Filósofa! Que texto maravilhoso, Nandinha, pura filosofia! E como isso aprisiona as pessoas, pessoas que se preocupam demais com a casa. Acho que deve ser limpinha e organizada, mas fazer disso uma obsessão já é uma neura!
    Mais aplausos pra você, Nandinha, você não existe! kkk
    Beijinho, um bom domingo! 🌹❤️

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)