Havia, naquela manhã particularmente luminosa, uma circunstância curiosa que me levou a refletir sobre a íntima relação entre minha mão e o carregador de celular. Devo admitir, com certa ironia própria das mulheres que observam o mundo com mais atenção do que ele merece, que cheguei à estranha conclusão de que minha mão, afinal, é o carregador. 😓
Explico-me pois sei que, sem explicação adequada, essa ideia poderia parecer fruto de um 😶 sentimentalismo excessivo (e quem me conhece sabe que possuo muitos, embora raramente os confesse).
Acontece que o celular, esse pequeno tirano moderno, já não aceita simplesmente ser deixado à própria sorte. Ele exige ser carregado enquanto é usado. E, para isso, necessita da minha mão firme, paciente e absurdamente disponível. Se, por um instante, resolvo descansar o braço, ele cai; se tento apoiar o fio numa posição mais vantajosa, ele reclama com aquele bip agudo que lembra um jovem cavalheiro aflito por atenção.
Pois bem: ali estou eu, com o aparelho apoiado na palma, e o fio dependurado como um adereço dramático, sustentando tudo com uma devoção que, se fosse dedicada a André, seria considerada desafiadora. Haha
Percebi então que minha mão age tal qual um instrumento indispensável ao funcionamento do mundo moderno. Ela se tornou uma tomada ambulante, um ponto de energia portátil, um apoio constante para algo que parece sempre à beira da exaustão. E, ainda assim, não posso deixar de notar o quão familiar essa dinâmica me soa.
Não temos todas nós, em algum momento da vida, servido de “carregadoras emocionais das pessoas ao nosso redor? Amigas, familiares, amores todos, em maior ou menor grau, já dependeram da nossa mão estendida, firme e silenciosa, para não despencarem no chão da própria vida." 😜
E, como acontece com meu celular, raramente alguém percebe o esforço. A mão dói, mas ninguém vê. O fio repuxa, mas ninguém nota. É da natureza humana, talvez, exigir apoio com uma inocência que beira o abuso e da natureza feminina, com frequência preocupante, oferecê-lo sem cálculo nem crédito.
Enquanto segurava o aparelho naquela postura quase heroica, permiti-me uma pequena rebeldia: desliguei tudo. Simples assim. O celular, surpreso, apagou o brilho; o fio tombou com dignidade duvidosa; e minha mão pobre mártir segurou-se a ele e repousou sobre o colo dos dedos com suspiro imaginário. Risos...
E nesse exato momento, concluí que minha mão é o carregador de tudo do celular, das expectativas, das urgências alheias mas só funciona se estiver bem cuidada.
Jane Austen certamente diria, com aquele humor elegante e ferino, que nenhuma dama deveria desperdiçar sua força em objetos ou pessoas que não são capazes de se carregar sozinhos ao menos de vez em quando.
E, confesso, por mais que eu admire a tecnologia, admiro ainda mais essa sabedoria discreta que brota quando desligo o mundo e deixo minha mão, finalmente, descansar de suas funções elétricas e emocionais. hahaha
No fim das contas, até uma heroína precisa, vez ou outra, desconectar-se para continuar sendo heroína.
Boa noite 😴
Nanda, tive que rir... Tantas vezes se não carregamos quem nos cerca, nada funciona..rs... Aqui tenho que até lembrar de carregar o celular do kiko que não usa o danado e de repente, tudo preto na tela... Mas não só os celulares cobram nossa mão,rs...
ResponderExcluirGostei muito de te ler e te entendi bem! Lindo feriado, descanso! beijos, chica
Bom dia de feriado *se o tiver), querida amiga Fernanda!
ResponderExcluirLi o texto na hora de dormir...
Assimilei sua mensagem... descansei...
Acordei novinha em folha...
Já vivi no automático, não mais.
Coloco meu cel no silencioso senão, nada faço.
Meus filhos que são o que me importam, insistirão de outras formas. Assim que... tudo o mais espera.
Gosto de acordar com calma.
Durmo sem pressa um sono só e bem descansado.
Jane Austen tem toda razão:
"Nenhuma dama deveria desperdiçar sua força em objetos ou pessoas que não são capazes de se carregar sozinhos ao menos de vez em quando."
Eu fui obrigada a me carregar sozinha até hoje.
Tive filhos que me ajudaram até se casarem, agora, sou eu que me carrego com a preciosa Ajuda Divina.
Tenho um padrinho de Batismo com 91 anos que, vez por outra, está atento se não me falta bateria/carga...
Nosso Maior Carregador está 24 h por dia nos energizando.
É Dele que nos vem a Força.
Tenha um feriadão abençoado (se não tiver plantão).
Beijinhos fraternos
Que terror, Fernanda. Só conseguir usar com ele carregando.
ResponderExcluirE não tem jeito.
Eu comprei na Amazon uma "poli" tomada que tem várias entradas para celular e "afins".
Daí posso carregar mais de um.
Mas o seu problema é o celular.
Se não nos carregarmos, também nada funciona.
Beijo,
Maravilhoso o que escreveste querida Amiga,
ResponderExcluiras tuas palavras têm subjacente o detalhe invisível que quase sempre escapa ao nosso olhar. Mas as tuas palavras vão muito mais além. Elas transmitem uma energia muito particular, que se revela fundamental para as coisas mais simples. O nosso olhar – tantas vezes desatento – tende sempre a desvalorizar tudo o que consideramos normal.
Mas… são verdadeiramente preciosas as tuas palavras!
As nossas mãos, são como sementes que germinam a esperança em terrenos áridos. E, noutro plano, só as nossas mãos conseguem expressar o que as palavras muitas vezes não conseguem: apoio, empatia, ternura, carinho, amor…
Que tenhas um dia pleno de alegria, paz… e muita Luz!...
Um carinhoso abraço Fernanda.
Oi, Fernanda! No cotidiano onde a tecnologia reina, um fantasma silencioso se infiltra em nossas vidas — o celular. Para muitos, é só uma ferramenta, uma extensão de nós, e não é por acaso. Mas há um alerta urgentíssimo: o equilíbrio está em jogo. Quanto mais mergulhamos nesses aparelhos de luz e eletricidade, mais sentimos seu peso, que, embora não seja maligno como muitos fanáticos religiosos pensam que sejam, pode — quando menos se espera — assumir o controle.
ResponderExcluirPense nas infinitas possibilidades que o celular nos dá. Ele serve para estudar, se conectar, descobrir. Mas tem um limite, uma linha tênue que, se cruzada, nos transforma em escravos da própria maravilha. Assim como antigos marinheiros se perdiam nas estrelas, corremos o risco de sermos cegados por seu brilho excessivo, deixando escapar a verdadeira visão do que nos cerca.
A dependência pode não ser visível à primeira vista, mas seus efeitos são pesados: problemas de visão, insônia, concentração no chão. Essa armadilha tecnológica cresce, silenciosa mas voraz. O céu estrelado do celular se expande sem parar, e a responsabilidade é nossa. Não podemos ser apenas sombras num mundo pixelado, precisamos de espaço para respirar fora das telas, para descobrir o mundo real — que ainda é vasto e cheio de segredos.
Então, aqui vai uma reflexão que urge pra nós: que possamos aprender a viver a vida além das luzes artificiais. Há uma tapeçaria complexa lá fora, e podemos tecer nossas histórias sem nos deixarmos prender numa rede de dependência. Aplaudo com louvor a sua visão sobre isso; é hora de reavaliar e buscar o que realmente importa, não é verdade? Abraço!
E não é que você está certa? Nunca tinha pensado assim. Estamos tão dependentes deles que nem mesmo carregar em paz ele pode que a gente não larga o dito....rs
ResponderExcluirEu dificilmente faço isso e se feito muitas vezes, acaba por prejudicar sua bateria. E falando em bateria, tem muita coisa e muita gente que nos descarregam totalmente...é preciso ter cuidado também com isso.