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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

13 novembro, 2025

Plantão

Aleatoriamente um toque de poesia
Diário



Estou um pouco cansada, dessas canseiras que se acumulam nos ombros como pequenas pedras. Tomei um banho depois de um plantão longo de 24 horas daqueles que parecem ter vivido três dias dentro de um só. Meus pés estão cheios de bolhas; hoje foi corrido, tão corrido que até o relógio pareceu ficar sem fôlego.

Cheguei em casa e a primeira coisa que fiz foi me entregar à ducha, deixando a água levar embora o peso que eu nem sabia mais nomear. Depois fui direto para a rotina que mais me acalenta: contei a historinha para as crianças. Elas estavam com aquele brilho nos olhos que só aparece quando a imaginação ainda está quente, pronta para voar. Falaram do dragão, da princesa, do cachorro voador  cada um queria um detalhe a mais, e eu fui concedendo, como quem planta estrelas no teto do quarto.

Os coloquei na cama, ajeitei as cobertas, dei o beijo de boa noite e fiquei ali por alguns segundos, só para sentir o milagre silencioso da infância respirando. E matando a saudade.

Agora estou aqui, relaxando devagar. Já cuidei dos pés, risos...
Entre uma xícara de chá e outra, escrevo porque escrever é meu jeito de ajeitar o mundo antes de apagá-lo da cabeceira. Mas não vou me demorar. A noite está me chamando, mansinha, dizendo que já é hora de deitar, de fechar os olhos, de me acolher também.

Agradeço Pai por tudo!

Preciso dormir.
E amanhã, quando o dia nascer, quem sabe eu encontre uma nova historinha para contar para eles, e talvez até para mim. 


Fernanda

8 comentários:

  1. Boa noite/bom da, querida amiga Fernanda!
    Como a compreendo...
    Hoje falei para minha amiha que eu descanso escrevendo, mesmo quando não estou bem fisicamente... luto para não ficar prostrada de vez.
    Você deu um jeitinho em todo mundo, agora é merecedora de uma boa noite de descanso.
    Bom sono reparador, querida!
    Vamos contando carneirinhos que o chá faz logo o efeito necessário.
    Amanhã será um novo dia e uma nova história está sendo escrita pelo Deus Amor.
    Tenha dias abençoados!
    Beijinhos fraternos

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    1. Roselia, minha querida,

      que mensagem terna!
      E como eu a entendo também… escrever é mesmo esse descanso que não deita o corpo, mas acalma a alma quase uma prece delicada feita com as mãos.

      Fico feliz em saber que, mesmo nos dias difíceis, você encontra nessa dádiva um modo de permanecer de pé, firme e luminosa. E é verdade: depois de ajeitar o mundo ao redor, chega a hora de recolher as próprias forças e deixar que Deus sopre um pouco de paz sobre nós.

      Obrigada pelo carinho tão constante, pela bênção generosa e por essa imagem bonita do novo dia sendo escrito pelo Amor maior.

      Que seu descanso também seja doce e restaurador, minha amiga. Beijinhos fraternos, com toda a ternura.🥰

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  2. Imagino o teu cansaço e a rotina com as crianças ,´pós plantão, pós banho, creio que te ajuda a relaxar e depois chegam as escritas que têm esse poder também! Lindo dia! beijos, chica

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    1. Chica, querida,

      você descreveu direitinho: é um cansaço que pesa no corpo, mas que encontra um alívio tão bom nesses pequenos rituais o banho que acalma, o riso das crianças que ajeita a alma no lugar, e depois a escrita, esse descanso que vem pelas palavras.

      No fim, tudo isso me sustenta e me devolve ao eixo. Obrigada por olhar com tanta sensibilidade para o meu dia.

      Lindo dia pra você também, com meu carinho sempre. Beijos!

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  3. Deu até saudades dos filhos pequenos.
    Aliás, um meu defeito terrível é não aceitar que os filhos cresceram. Burramente, não sabia que isso ia acontecer.
    Beijo,

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    1. Oh minha querida,

      entendo tão bem esse sentimento… Há uma parte da gente que nunca se prepara para ver os filhos crescendo mesmo sabendo que é o natural da vida. Quando percebemos, já não cabem mais no colo, mas continuam cabendo no coração do mesmo jeito, com a mesma urgência e ternura. Não é defeito, não. É amor que não sabe envelhecer.

      Beijo,
      Liliane!

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  4. Oi, Fernanda! Cuidar do corpo é importante. Às vezes pode parecer que o corpo não é tão importante quanto nossa alma e nosso espírito, contudo é tão importante quanto. Cuide-se e descanse. Abraço!

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    1. Luciano,

      És um querido!
      É isso mesmo: o corpo é essa casa emprestada que nos permite viver tudo o que a alma sonha. Quando ele pede pausa, é sabedoria atender não fraqueza. Obrigada pelo carinho e pelo lembrete sempre tão sensato.

      Um abraço com gratidão!

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)