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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

28 abril, 2026

Entre o martelo e o silêncio

Aleatoriamente um toque de poesia


Pensando bem, sempre queremos estar com a razão de alguma coisa. É quase um vício: querer vencer discussões, levantar troféus de “eu estava certo”, ocupar o pódio do próprio ego. E, enquanto isso, esquecemos do essencial que nada, nem um fio de cabelo, cai sem a permissão de Deus. Nada. Nem as quedas pequenas, nem as grandes dores, nem os encontros improváveis que mudam nossa rota.

Penso muitas vezes: por que abarcamos essa mania estranha de sermos os senhores da verdade? Quem nos coroou juízes do mundo? Quando passamos a achar que nossos olhos são os únicos capazes de enxergar a realidade inteira? Julgamos uns aos outros com tanta pressa, sem perceber que, quando questionamos o bem e o mal com arrogância, estamos tentando ocupar um lugar que não nos pertence. Afinal, quando apontamos o dedo, estamos sendo juízes de quem? Do outro… ou de nós mesmos?

Se devemos dar graças por tudo como nos ensinam os dias difíceis e as madrugadas em claro então até as decepções têm algo a nos dizer. Conheci pessoas que amei muito e que me decepcionaram profundamente. Doeu. Mas nem por isso deixei de amá-las. Porque amar não é fechar os olhos para as falhas, é aprender a enxergar com misericórdia. É entender que o outro também carrega batalhas que não vemos.

Entenda: todos têm uma versão a seu respeito. Alguns te verão como herói, outros como vilão, outros nem te verão. Mas só Deus te conhece de verdade. Só Ele lê as entrelinhas do coração, os pensamentos que você nunca disse em voz alta, as intenções que ninguém percebeu. Por isso, aprendi a não morar nos julgamentos alheios. Eles mudam conforme o vento. Deus permanece.

E observo, com certa tristeza, que a empáfia costuma andar de mãos dadas com a solidão. Quanto mais alguém se exalta, mais se afasta. O orgulho, por sua vez, caminha de mãos dadas com o martelo bate, impõe, quebra abrigos, constrói mutalhas. Já a humildade… a humildade não faz barulho. Ela observa. Escuta. Aprende. E agradece.

Talvez o segredo da vida não seja ter sempre razão, mas ter sempre um coração ensinável. Talvez seja menos sobre vencer debates e mais sobre vencer a si mesmo. Porque no fim, quando o silêncio chega e as luzes se apagam, não será a razão que nos consolará será a paz de ter amado, perdoado e confiado em Deus.nE isso, sim, é uma vitória que ninguém pode nos tirar.


Fernanda

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

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