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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

23 abril, 2026

Queria dialogar com Freud

Aleatoriamente um toque de poesia
Falar sobre o ego que carregamos


Se Sigmund Freud pudesse caminhar hoje pelas ruas, talvez não se surpreendesse tanto. Mudaram as roupas, as telas ficaram mais brilhantes, mas o ego… o ego continua o mesmo só aprendeu a se vestir melhor. As pessoas andam por aí com seus egos bem alinhados, como quem ajeita a gola antes de sair. Não por vaidade pura, mas por necessidade. Há um certo acordo no ar: sentir demais em público ainda constrange.

O ego, esse mediador discreto entre o que se deseja e o que é permitido, tornou-se quase um porta-voz social. Ele traduz impulsos em comportamentos aceitáveis, disfarça inseguranças com firmeza e transforma dúvidas em opiniões. Não porque seja falso mas porque tenta proteger. Se alguém perguntasse a Freud o que mais mudou, talvez ele dissesse: a velocidade. Hoje, o ego precisa trabalhar mais rápido. Não há muito tempo para elaborar. É preciso reagir, responder, parecer seguro tudo quase ao mesmo tempo.

E assim, as pessoas vão aprendendo a sustentar versões de si mesmas.
Versões que funcionam.
Versões que cabem.
Versões que não incomodam tanto.

Mas há um detalhe que escapa. O ego protege, mas também limita. Ele organiza, mas também filtra. E, nesse processo, muitas vezes afasta o indivíduo de algo mais profundo aquilo que não cabe em explicações rápidas, nem em aparências bem resolvidas. Freud talvez observasse isso com atenção: não se trata de excesso de ego, mas de cansaço dele. Um ego sobrecarregado de sustentar coerência onde há conflito, equilíbrio onde há excesso, calma onde há tempestade.

No fundo, o que se vê são pessoas tentando dar conta de si mesmas com as ferramentas que têm.
E talvez, se ainda estivesse por aqui, Freud não sugerisse eliminar o ego mas escutá-lo melhor. Entender que, por trás de cada postura firme, pode haver uma tentativa de não se desorganizar por dentro. Porque o ego que carregamos, no fim das contas, não é apenas imagem. É esforço. Ás vezes, um pedido discreto de descanso.



Fernanda.

4 comentários:

  1. Oi, Fernanda! O ego tá virando um baita obstáculo pra gente se tornar cada vez mais consciente nessa caminhada de evoluir todo dia. O lance é que a gente superestima ele, dando um peso desnecessário, e aí paga o preço depois — e esse preço costuma ser salgado pra caramba, não é? Linda sua reflexão. Um fraterno abraço!

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    1. Luciano, boa tarde!

      Tem um ponto aí que pega fundo… às vezes o ego não só pesa ele infla. E quando infla, tudo vira motivo, tudo cresce além do que realmente é. A pessoa começa a se incomodar com detalhes, interpretações, suposições… e, sem perceber, vai se afastando não da situação em si, mas daquilo que ela mesma criou dentro. Isso estou cansada de observar o tempo todo.
      É como se qualquer coisa tocasse num lugar sensível demais, e aí, em vez de olhar pra dentro, escolhe se proteger se afastando. Só que esse afastamento, muitas vezes, não resolve só adia o encontro com o próprio ego.
      Por fim, o desafio continua sendo esse que você trouxe: perceber o quanto a gente dá tamanho às coisas… e o quanto isso custa nas relações.precisamos caminhar e aprender

      Abraço! 🙏🏻

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  2. Olá Fernanda, querida amiga,
    Vejo um texto onde emana sensatez, coerência, e uma lógica que sempre encontro nas sábias palavras que aqui deixas. Os teus textos são um compêndio para se viver com humanismo e verdade.
    Ler-te é sempre aprendizagem!

    Um beijo com carinho.

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    1. Albino,

      que delicadeza a sua… recebo suas palavras com o coração bem quietinho, muito grata amigo🙏🏻

      Fico pensando que, no fundo, a gente só vai colocando no papel aquilo que também está tentando aprender a viver, né? Se em algum momento isso toca você dessa forma, então já fez sentido além de mim e isso é bonito demais. Obrigada pelo carinho constante, pela leitura atenta e por essa troca tão generosa.

      Um beijo com muito afeto 😘

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

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