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23 abril, 2026
Queria dialogar com Freud
4 comentários:
depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)
Oi, Fernanda! O ego tá virando um baita obstáculo pra gente se tornar cada vez mais consciente nessa caminhada de evoluir todo dia. O lance é que a gente superestima ele, dando um peso desnecessário, e aí paga o preço depois — e esse preço costuma ser salgado pra caramba, não é? Linda sua reflexão. Um fraterno abraço!
ResponderExcluirLuciano, boa tarde!
ExcluirTem um ponto aí que pega fundo… às vezes o ego não só pesa ele infla. E quando infla, tudo vira motivo, tudo cresce além do que realmente é. A pessoa começa a se incomodar com detalhes, interpretações, suposições… e, sem perceber, vai se afastando não da situação em si, mas daquilo que ela mesma criou dentro. Isso estou cansada de observar o tempo todo.
É como se qualquer coisa tocasse num lugar sensível demais, e aí, em vez de olhar pra dentro, escolhe se proteger se afastando. Só que esse afastamento, muitas vezes, não resolve só adia o encontro com o próprio ego.
Por fim, o desafio continua sendo esse que você trouxe: perceber o quanto a gente dá tamanho às coisas… e o quanto isso custa nas relações.precisamos caminhar e aprender
Abraço! 🙏🏻
Olá Fernanda, querida amiga,
ResponderExcluirVejo um texto onde emana sensatez, coerência, e uma lógica que sempre encontro nas sábias palavras que aqui deixas. Os teus textos são um compêndio para se viver com humanismo e verdade.
Ler-te é sempre aprendizagem!
Um beijo com carinho.
Albino,
Excluirque delicadeza a sua… recebo suas palavras com o coração bem quietinho, muito grata amigo🙏🏻
Fico pensando que, no fundo, a gente só vai colocando no papel aquilo que também está tentando aprender a viver, né? Se em algum momento isso toca você dessa forma, então já fez sentido além de mim e isso é bonito demais. Obrigada pelo carinho constante, pela leitura atenta e por essa troca tão generosa.
Um beijo com muito afeto 😘